FOTO DO DIA: Nascer do Sol perto de Bending. Alemanha.

domingo, 25 de setembro de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 16

INSANO 16

OUTUBRO TA  CHEGANDO, NOVEMBRO TA CHEGANDO, DEZEMBRO TA CHEGANDO, ACABOU O            ANO, e agora José ?????

A insanidade em 200 post - parte 15

INSANO 15

É IMPOSSÍVEL TERMOS UM BOM DIA PELA      FRENTE, SEM ANTES TERMOS TIDO UMA EXCELENTE NOITE.

A insanidade em 200 post - parte 13

 Insano 13

QUERES ENTRAR PARA A POSTERIDADE???

por mais arrogante,  ignorante e tosco que você seja, tenha sempre em mente que não sera esse histórico  que vai entrar pra sua biografia. Um simples bom dia, um simples cumprimento rotineiro e diário  para seu vizinho, porteiro ou conhecido, é a chave para você entrar para   a posteridade. As pessoas nunca lembram o que as outras falam de você e sim o que você falou para elas. Obviamente isso só acontece se você for um pacato cidadão, se for uma celebridade nada adianta, nesse caso o que irá prevalecer é o disse não disse.

Há um outro caminho,  continue agindo como todos, seja um legítimo Hipócrita, nesse caso você será lembrado não pelo que de fato foi, e sim, pelo que você pensa que foi, entendeste??

sábado, 24 de setembro de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 17

Insano 17

Não me surpreende que o Brasil tenha eleito, por 4 eleições seguinda um candidato do PT para presidente,  não me surpreende que esses mesmos candidatos estejam sendo condenado por corrupção, estelionato, roubalheira generalizada, etc etcetera e tal, nada disso me surpreende.

O surpreendente hoje no Brasil é a quantidade de cidadãos, de intelectuais de pessoas tida como da mais alta relevância nacional, defendendo esses mesmos BANDIDOS, defender orgulhosamente os bandidos do PT é algo surpreendente, estranho, enigmático, por que não , surreal.

Como entender que alguém possa defender essa corja?  Como???

Como entender isso????

À Insanidade em 200 post - parte 14

Insano 14

O caráter do brasileiro, o nosso caráter é, comprovadamente esquizofrênico. Observem:

Somos cúmplices de todas as mazelas tupiniquim, entretanto nos comportamos como se nada nos dissessem a respeito, criticamos algo, mesmo sabendo que nós mesmos somos o alvo dessa mesma crítica.

Somos cúmplices de tudo no Brasil, inclusive de nossa própria passividade covarde, alienada e por fim esquizofrênica.

Tá tá tá , esqueci de dizer que, somos uma nação abençoada, no fim tudo dá certo. À Copa 2014 e a Rio 2016 é um clássico exemplo disso.

Para rir ou para chorar??


sábado, 17 de setembro de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 12

INSANO 12

FATO, AS PARALIMPIADAS OU PARAOLIMPÍADAS  FOI DE DIREITO E DE FATO BILHÕES DE VEZES MAIS EMOCIONANTE, CONTAGIANTE, LINDA E SURPREENDENTE QUE A PRÓPRIA OLIMPÍADAS.

 O MOTIVO???  É NA DIFICULDADE QUE ENXERGAMOS NOSSO HUMANISMO, OU DE UMA OUTRA MANEIRA. É NA DEFICIÊNCIA QUE VALORIZAMOS NOSSO CARÁTER, NOSSO SENSO DE CIDADANIA E POR FIM NOSSA própria VIDA.  Fato.

A INSANIDADE EM 200 POST -- PARTE 11

INSANO 11

QUEM HOJE TEM FILHOS NA IDADE MEDIA DE 8, 9 , 10 ,11, 12,13,14 ANOS, DEVE SABER,  PERDEMOS LITERALMENTE  NOSSOS FILHOS PARA A INTERNET,  E SMARTPHONE DA VIDA, ENTÃO, TODA VEZ  QUE MINHA FILHA FICA SEM CELULAR, POR INUMEROS MOTIVOS,   QUEBROU,  PERDEU OU   FOI ASSALTADA, EU, HUMILDEMENTE E SILENCIOSAMENTE, COMEMORO, SÓ ASSIM TENHO MINHA FILHA DE VOLTA, AINDA QUE POR POUCO TEMPO.

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 10

INSANO PARTE 10

Lembrem-se disso:  louco não é aquele sujeito  que todos chamam de louco,  também não é aquele individuo que tem comportamento  estranho,  tipico de louco, o verdadeiro doente mental, o verdadeiro louco é justamente, aqueles nobres senhores que se auto-intitula senhores da verdade, dos bons costumes,  da moral , da justiça e por fim da ética, sim,  esses são os loucos e ato continuo os doente mentais da sociedade, os verdadeiros homens-bombas, observem o quão são intolerantes;




sábado, 10 de setembro de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 9

INSANO 9

A MAIOR FELICIDADE DO MUNDO? OU DE UMA OUTRA MANEIRA, A COISA MAIS LINDA DO MUNDO????  o sorriso de um bebê, o sorriso de uma criança, nada no universo é mais lindo que isso, é tão lindo,  ingenuo e contagiante que consegue ultrapassar o proprio por do sol, como uma das coisas mais lindas e perfeita do universo.

A INSANIDADE EM 200 POST - parte 8

INSANO PARTE  8

A religião,  seja ela qual for, não nos fornece resposta, no máximo obstrui as raras respostas que temos.







segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST = PARTE 4.5. 6 e 7

INSANO  4

O SUICÍDIO, o ATEÍSMO, ASSIM COMO A PAIXÃO, O VICIO E A DEMÊNCIA NÃO são algo considerado politicamente correto do ponto de vista de uma  sociedade minimamente hipócrita, CERTO??? diante disso pergunto,  VALE A PENA CHORAR????

INSANO5 5


NÃO SERIAMOS HUMANOS SE NÃO FOSSEMOS INVEJOSOS

INSANO 6

O BRASIL É a única nação onde um  espetáculo circense é sinônimo de vida , de entretenimento ,  de cultura,  e de seriedade.... ou de uma outra maneira, o BRASIL é o único pais onde  qualquer  espetáculo circense tem um estranho poder de alimentar , literalmente uma nação inteira, aquela velha lenda de pão e circo é de fato a essência dessa nação

INSANO 7

A PERCEPÇÃO  EM TORNO DO TERMO  FUTURO É EQUIVALENTE A PERCEPÇÃO  QUE TEMOS DO TERMO  PRESENTE










terça-feira, 30 de agosto de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 3

INSANO 3

O ridículo de eleições no Brasil, não é a hipocrisia, a ignorância ou mesma a ladainha de sempre dos candidatos, o ridículo mesmo são os eleitores, por milhões de motivos óbvios e ululante.


domingo, 28 de agosto de 2016

INSANIDADE EM 200 POST - PARTE 2

INSANO 2

DILMA ROUSSEFF foi de direito e de fato a primeira presidente do Brasil, assim como  foi a primeira a tratar seus subalternos com extrema arrogância, ignorância e indiferença, quem defende a mesma, e ignora esse detalhe, deveria, sim, deveria conviver 24 horas com a bendita.

sábado, 27 de agosto de 2016

A INSANIDADE EM 200 POST - parte 1


INSANO 1

Os Jogos Olimpicos  RIO-2016 provou que: A  perfeição é sinônimo de utopia, ou utopia seria sinônimo de perfeição? , em ambos os casos erramos em abdicar da realidade

terça-feira, 23 de agosto de 2016

QUEM VAI VOTAR NO CANDIDATO DO SACRIPANTA EDUARDO PAES???

Acabou de sair a pesquisa sobre o monumental desempenho do prefeitinho Coca-Cola do Rio de Janeiro o nobre Eduardo Paes, pois bem, menos de 8 por cento da população carioca considera seu governo, sua administração ótima, a maioria considera regular, péssima, ou mesmo horrorosa, dai pergunto, quem vai votar no candidato desse sujeito, ou ele acha que depois desse magnifico e perfeito numero circense  do COI no Rio, ele achava que iríamos esquecer que ele de fato é uma aberração ??

Como é mesmo o nome do candidato do prefeitinho Eduardo Paes, não é aquele famoso por espancar mulheres.??????

domingo, 21 de agosto de 2016

RETROSPECTIVA Rio 2016

ABERTURA DA Rio 2016 - Nunca antes uma abertura de olimpíadas teve tanta imagem feita por um computador,   o que de fato foi mostrado, literalmente no gramado do  Maracanã foi ridículo, tosco de uma ausência de criatividade imperdoável. Resumo:  um dos momento mais deprimente nessa olimpíadas foi a abertura, LASTIMÁVEL.

TRANSPORTE: Fracasso total, aquela palhaçada do metro ter horário, foi horrível, o local das competições a Barra da Tijuca é um lugar deplorável de tão distante, com isso foi um tormento a pessoal sair de Copacabana para assistir uma modalidade no horário noturno. Coisa de louco.

PIOR MODALIDADE: o VÓLEI DE PRAIA COM HORÁRIO PARA INICIO  meia noite, isso é surreal, mais colocaram o vôlei na praia de Copacabana para iniciar de madrugada, sinistro

Ausência na Rio 2016: Às mulheres, o grande enigma dessas olimpiadas, o que foi feito das mulheres?? Quantas medalha elas ganharam afinal?? Cadê as medalhas das meninas do Brasil????

TROUXAS DA RIO 2016 - Não tem jeito em qualquer olimpíadas, seja em que pais for, os trouxa são sempre eles, os VOLUNTÁRIOS, eles levam literalmente a olimpíadas nas costas a troco de que??? qual a honra de ser voluntario numa olimpíadas afinal??? qual a gloria de ser voluntario num evento BILIONÁRIO??? Por que esses trouxas não são voluntários nos milhares de hospitais públicos brasileiros, nos asilos para idosos, nas creches, etc e tal,. TROUXAS DA RIO 201 os voluntários, sempre eles.

MEDALHAS BRASILEIRAS: A maioria das medalhas foi ganha por atletas militares, portanto toda a gloria tem que ser dada ao exercito, marinha e aeronáutica. PONTO. Sem esse detalhe  seriamos um fracasso infinitamente pior que o resultado final.

SEGURANÇA: O caso dos patetas atletas norte-americanos foi apenas isso patético, por parte de todos, deles, nossa e da imprensa, no geral foi o esperado, nas comunidades, nas extremidades da cidade, foi o de sempre mortes, tiroteios,assaltos e etc, entretanto como o que conta é o que a imprensa noticia foi tido como um sucesso, afinal nenhum terrorista tupiniquim deu as caras.

PIOR Transmissão, REDE GLOBO, de um cinismo, de  um pedantismo, de um patriotismo  repugnante, rede globo pior emissora na olimpíada, MELHOR TRANSMISSÃO, BAND, a emissora ultrapassou Rede Globo e Rede Record e fez a melhor transmissão olímpica, BAND A MELHOR TRANSMISSÃO DA  Rio 2016

HERÓIS DA OLIMPÍADA, o nadador norte americano, o corredor jamaicano,  e o nosso baiano da canoagem e ponto final

LEGADO OFICIAL Da Rio 2016 : O comportamento deprimente  dos brasileiros , teve vaia,teve vaias e vaias, ta comprovado  que somos o pais de futebol, os estádios de futebol estiveram lotados, os estádios olímpicos vazios, e o brasileiro vaiando todos.

LEGADO OFICIAL DA Rio 2016 parte II, UMA DIVIDA A SER PAGA PELOS PRÓXIMOS 10 ANOS, FATO.

RETROSPECTIVA DA OLIMPÍADA Rio 2016 TERMINOU COMO O ESPERADO, DURANTE 2 SEMANAS O BRASIL ESQUECE DO BRASIL, VIVEMOS UMA UTOPIA, VIVEMOS DURANTE UM ESPETÁCULO DE CIRCO,  NOS COMPORTAMOS COMO FÔSSEMOS CONVIDADOS DE UM CAMAROTE NO CARNAVAL. O Brasil é assim uma nação que vive de apoteose, no sentido mais pejorativo do termo, no fim tudo deu certo, ALIVIO GERAL, nenhum atleta foi metralhado, e isso é o que conta. O pais miserável fez um numero circense de primeiro mundo.
ORGULHO DA Rio 2016: Somos inquestionavelmente o país do futebol e do carnaval, esse é o Brasil de sempre, nunca seremos um país olímpico.
PONTO DEPRIMENTE , Amanha ninguém  lembra dos nomes dos medalhistas brasileiro, exceto o futebol lógico.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

RIO-2106, E... SÓ NOS RESTA TORCER


Chegamos, sim chegamos no bendito mês olímpico, e justo agosto, então, só nos resta torcer, torcer no sentido figurado e no sentido literal, platônico e obvio torcer no sentido hipócrita, afinal, é, o que nos resta, torcer no sentido positivo, porque no sentido negativo eu desisto, moro no Rio de Janeiro, amo esse esgoto, então, por mais que tenha ridicularizado, por mais que tenha , em algum momento torcido contra, a verdade é que cansei, então vou torcer não por uma Olimpíada sinônimo de paz, mais pelo menos para que a RIO 2016 seja apenas isso uma simpática OLIMPÍADA RIO-2016.

É isso,  pelas próximas semanas vou apreciar ao vivo na tela da galerinha da BAND ao vivo esses evento que promete ser inesquecível, volto no próximo dia 25 de agosto de 2016.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Por que as más notícias parecem estar se repetindo?

Atentados têm se repetido neste ano - o Nice está entre os mais chocante deles

William Park Da BBC Future

   

Parece que não se passa um dia de 2016 sem que fiquemos sabendo da morte de alguma grande personalidade, de uma nova convulsão política ou de mais um ataque a bomba ou a tiros (ou de qualquer outra forma) em algum lugar do mundo.

Mas manchetes que aparentam ser sequências de desastres na realidade têm mais a ver com a maneira como consumimos notícias e guardamos lembranças do que com meras coincidências.

"A resposta de um cético é de que uma coincidência tem grandes chances de acontecer se houver uma amostragem suficientemente grande", diz o psiquiatra Bernard Beitman, professor da Universidade da Virgínia (EUA) e autor do livro Connecting with Coincidence ("Conectando-se com as coincidências", em tradução literal).



"Se você jogar cara-ou-coroa mil vezes, há chances de você conseguir uma sequência de sete ou oito caras consecutivas. Mas se tentar tirar uma sequência de oito caras consecutivas, vai perceber que isso é incrivelmente difícil. No primeiro exemplo, você está lidando com uma amostragem ampla, então não surpreende que algo aparentemente impossível aconteça", explica ele.
Acumulação aleatória

Segundo Beitman, existe um efeito aglutinador aleatório nos eventos.

"Em um só ano podem ocorrer dezenas de acidentes aéreos, mas pode ser que quatro ou cinco deles aconteçam na mesma semana simplesmente por uma acumulação aleatória. Isso não quer dizer que aquela semana em particular foi muito mais perigosa para as viagens aéreas do que as demais", afirma.
No entanto, há um problema quando se usa a palavra "aleatório".

"A definição estatística é a de que se trata de dois eventos completamente desconectados", explica o psiquiatra. "Mas na realidade é praticamente impossível provar que dois eventos não estejam ligados um ao outro, particularmente quando estamos cientes de boa parte do que está sendo abordado nos meios de comunicação. É difícil provar que existe um universo aleatório."

  

Tomemos como exemplo duas descobertas aparentemente simultâneas: Alexander Bell e Elisha Gray registraram suas patentes para a invenção do telefone no mesmo dia, 14 de fevereiro de 1876, a partir de diferentes localidades. Ambos os esboços e protótipos testados continham semelhanças, mas também diferenças fundamentais.

Isso, no entanto, não se trata de uma enorme coincidência. A obra dos dois cientistas se baseou em pesquisas que eles e muitos outros estavam fazendo na época com o que era um campo novo e promissor, a telefonografia.

As invenções não surgiram do nada no mesmo dia - elas eram o objetivo para o qual essas pessoas estavam trabalhando. No fim, foi basicamente uma corrida entre esses cientistas para entregar um projeto antes dos demais.


Até mesmo o aparente aumento no número de mortes de celebridades anunciadas neste ano pode ser explicado da mesma maneira.

Segundo o editor de obituários da BBC, Nick Serpell, nos primeiros três meses de 2016 houve um número "fenomenal" de famosos mortos em comparação com os anos anteriores: os cantores David Bowie e Prince, as figuras da política internacional Nancy Reagan e Boutros Boutros-Ghali, o ator Alan Rickman, os escritores Harper Lee e Umberto Eco, e a arquiteta Zaha Hadid, entre outros.

Entre 1º de janeiro e 31 de março deste ano, o site da BBC em inglês publicou 24 obituários, em comparação com apenas cinco em 2012.

Serpell acredita que haja algumas razões para isso: primeiramente, um aumento populacional há 50 anos significa que hoje há mais pessoas morrendo. "As pessoas que começaram a ficar famosas nos anos 60 estão agora chegando aos seus 70 anos de idade", explica.

"Também temos mais pessoas famosas do que antigamente", diz ele, lembrando que a tecnologia trouxe mais figuras públicas para nossas telas.

O mesmo raciocínio pode explicar a mais estranha coincidência do mundo dos quadrinhos.

Em 1951, surgiram duas novas tirinhas - uma britânica, outra americana. As duas exibiam um menino com seu cão e as confusões em que os dois se metiam. E ambas se chamavam Dennis the Menace ("Dennis, o Pimentinha" no Brasil).

As chances de dois personagens com o mesmo nome e com as mesmas características serem publicadas com uma diferença de apenas cinco dias nos dois lados do Atlântico parecem altamente improváveis.
Image caption Coincidência envolve nascimento do personagem "Dennis, o Pimentinha"

Mas, como explica Beitman, essa coincidência revela muito sobre o espírito da época.

"As ideias estavam no ar. Os dois criadores provavelmente se inspiraram no que circulava no imaginário coletivo naquele momento", explica.

"O mesmo acontece com as notícias: semelhanças entre eventos aparentemente desconectados saltam aos olhos porque estamos atentos para os assuntos do dia."

Isso é reforçado por editores que percebem uma demanda do público por um certo tipo de reportagem, seja sobre mortes de celebridades ou sobre pessoas atacadas por animais. Portanto, há mais chances de que eles decidam cobrir certos acontecimentos para manter o interesse em alta.
Armazenamento da memória

Beitman aponta que outro fator importante para aparentes coincidências é nossa tendência de lembrarmos mais de casualidades impressionantes.

É muito comum que más notícias ocorram aos pares. Mas quando três más notícias surgem ao mesmo tempo - algo raro - ficamos mais marcados.

Isso reflete uma tendência na maneira como armazenamos recordações: acontecimentos fora do comum têm muito mais apelo.

Por isso, se você tem a impressão de que não param de surgir más notícias e que 2016 tem sido um ano difícil de digerir, é possível que isso tenha mais a ver com o seu próprio temperamento do que com o estado atual do planeta.

15 livros que seu filho deve ler


15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)


Elena Horrillo


É possível que o pesadelo de alguns pais seja ver sua filha adolescente lendo o polêmico Lolita, de Nabokov. Ou talvez se pareça mais com esse instante, eterno e torturante, em que seu rebento, ainda menor de idade, pede um exemplar do transgressor Mulheres, de Bukowski.


O que vem a seguir, certamente, é um olhar martirizado para o calendário, perguntando-se em que momento esse sangue do seu sangue deixou de lado aqueles livros cheios de ilustrações, e depois uma pequena pontada de alegria, porque ele pertence a essa comunidade de jovens que se interessam pela leitura. Nesse ponto é que surge o dilema: com que idade se deve ler Kerouac?

A má notícia é que não há respostas absolutas. “A questão não é tanto a idade, e sim o grau de maturidade”, diz Marisol Salazar Ego-Aguirre, chefa do departamento de Língua e Literatura do Colégio Lourdes de Madri. É preciso levar em conta a bagagem como leitor e o desenvolvimento do jovem. Há livros que podem ser lidos aos 16 anos, mas que são muito mais apreciados quando se é um pouco mais adulto. Outros são para ler e reler.

    Seria bom que antes pais e filhos conversassem sobre temas como sexo, drogas e as complexas relações humanas, porque livros desse tipo devem ser encarados como ficção, não como exemplos a seguir em alguns casos

Convém levar em conta também a confiança que existe dentro de casa. “Seria bom que antes pais e filhos conversassem sobre temas como o sexo, drogas e as complexas relações humanas, porque livros desse tipo devem ser encarados como ficção, não como exemplos a seguir em alguns casos”, reflete Jesús Casals, diretor de conteúdo da livraria La Central de Callao, de Madri.

Consultamos pais, professores, críticos e vendedores e selecionamos 15 livros que, recomendados ou dados de presente (desde que pareça um acidente), servirão para que seus filhos deem o salto para a idade adulta, literariamente falando. E o melhor de tudo é que, se você já estiver avisado, não sofrerá uma série de microinfartos toda vez que mergulhar nas suas páginas.

1. Abaixo de Zero, de Bret Easton Ellis. Sim, Easton Ellis é também o autor do perturbador O Psicopata Americano. E, sim, é um representante da chamada Geração X. E também “descreve a sociedade norte-americana rica e sua decadência moral, mergulhada em drogas, álcool e perversões sexuais”, diz a especialista Marisol Salazar. Nada disso é tranquilizador, mas, sejamos sinceros, poucas coisas desse tipo deverão impressionar um adolescente do século XXI com acesso ao Snapchat e Instagram. É possível que lhes forneça um ponto de vista diferente sobre esses excessos.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

2. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Não, não tem absolutamente nada a ver com os arquiconhecidos tons de cinza de Christian Grey – repare que a vogal é diferente. O livro do E.L. James só deveria cair nas mãos da sua prole como um magnífico exemplo do grau de controle e poder que uma relação jamais deveria admitir. E não, não nos referimos ao sexo. Se você quiser oferecer algo muito mais benéfico aos seus filhos e, nas palavras de Casals, se quiser que comecem “a compreender que não serão jovens a vida toda”, ponha este clássico de Wilde em suas mãos.

3. No País das Últimas Coisas, de Paul Auster. “A descrição de um futuro sombrio, um mundo que desaparece, nos convida a refletir sobre nossas ações e nos apresenta um futuro terrível”, comenta Mercedes Hernández, chefe do departamento de livros da FNAC Espanha. Jogando com a distopia, o premiado autor norte-americano Paul Auster nos conduz ao lugar que ilumina o pesadelo da sociedade de consumo; sem valores, sem sentimentos e numa constante busca pela morte.

4. O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger. Em suas páginas aparecem temas como o álcool, sexo e prostituição. O fato de o assassino de John Lennon, Mark Chapman, portar um exemplar do romance na hora em que matou o Beatle conferiu à obra um caráter mitológico, para bem ou para mal, fazendo com que fosse proibido em algumas escolas ou transformado em leitura obrigatória em outras. Para Casals, a história do jovem Holden Caulfield, narrada em primeira pessoa, é “todo um romance de iniciação da vida adulta”. O livro é tão radical quanto seu protagonista, que precisa decidir se cresce ou não. Um dilema e tanto.

5. Tokio Blues — Norwegian Wood, de Haruki Murakami. O aspirante ao Nobel de Literatura costura um triângulo amoroso — ou vários — enaltecendo a morte, cultura, sexo e inseguranças da adolescência. É um romance intimista, com uma forte carga emocional e, às vezes, tortuoso. Por que lê-lo? “Para entender que você não é o único jovem torturado neste mundo”, diz Jesús Casals, diretor de conteúdo da rede de livrarias espanhola La Central.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

6. Grow Up (Cresça), de Ben Brooks. “Uma maneira encrenqueira contemporânea de dar o salto.” É como Casals define este livro, publicado em 2011, por um Ben Brooks que, na época, tinha 19 anos e afirmava que a obra — a quinta de sua carreira — havia sido finalizada três anos antes. A história gira em torno de um jovem inglês, Jasper, em sua jornada niilista para a vida adulta. Repleto de um humor jovial e sem pretensões. Seu protagonista já foi denominado como um Holden Caulfield (protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio) nos tempos do Facebook e do cyberbullying.

7. O Estrangeiro, de Albert Camus. Um sintoma comum da adolescência é se sentir fora de lugar e tentar encontrar um para se adequar. Para Meursault, o protagonista de Camus, a realidade é estranha, absurda e incompreensível. Encontra-se privado de um sentimento de pertencimento e a apatia toma conta do personagem. Devido a esse aspecto trágico e por “incorporar a ideia da pessoa que se sente alheia a tudo”, o livro é recomendado por Jorge de Cominges, escritor e crítico literário.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

8. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Sabemos que há um filme e que é estrelado por ninguém menos que o — finalmente — vencedor do Oscar Leonardo DiCaprio. Mas as cerca de 200 páginas de Scott Fitzgerald retratam cuidadosamente a sociedade fictícia, oprimida e cheia de excessos que caracterizou a década de vinte nos Estados Unidos. Uma época cheia de esperança e vitalidade que não via ainda seu nefasto horizonte final, na forma do crash de 29. Para De Cominges, é uma recomendação segura por seu “tom desencantado e o tema de tornar sonhos em realidade”.

9. Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar. “Quando você lê Cortázar pela primeira vez, abre-se uma nova dimensão na linguagem, sua narrativa pode descobrir um universo paralelo em uma mente receptiva”, diz Mercedes Hernández, chefe do departamento de Livros da Fnac Espanha. Se depois de ler este livro seus filhos ficarem encantados, você pode ir à biblioteca e buscar outra obra-prima de Cortázar, como Rayuela.

10. O Jovem Törless, de Robert Musil. Para o escritor e crítico Jorge de Cominges, trata-se “do romance de aprendizagem por excelência”. Narra a passagem para a vida adulta, e em uma escola militar, do jovem Törless, que irá tropeçar na crueldade, na moralidade ou na sexualidade de seus colegas, como também nas suas. Foi escrito em 1906, alguns anos antes do início da Primeira Guerra Mundial, mas alguns padrões remetem ao império austro-húngaro.

11. A Metamorfose, de Franz Kafka. Ingrediente presente em de toda boa lista literária que se preze, o clássico de Kafka atrai e inquieta adolescentes há décadas, ao mesmo tempo que vem arrastando teorias sobre sua interpretação. Portanto, para Casals, é “uma boa maneira de distinguir a realidade e ficção”, bem como para Salazar é “uma história perturbadora que os adolescentes precisam conhecer”. A boa notícia é que é tão curto que, uma década depois, é possível reler o livro e se surpreender novamente.

12. Historias del Kronen, de J. A. Mañas. Este romance tem sido chamado de irmão espanhol de Abaixo de Zero. Suas páginas, muito mais explícitas do que o filme de mesmo nome, foram incluídas por Salazar por falar de temas eternos que caracterizam os adolescentes, tais como o abuso de drogas, álcool, amizade, sexo e a busca por pertencer a um grupo, às vezes, seja qual for.

13. Maus — A História de Um Sobrevivente, de Art Spiegelman. Esta crônica de gatos — nazis — e ratos — judeus —, que lembra a história de um sobrevivente do extermínio nazista, foi o primeiro romance gráfico a ganhar o Prêmio Pulitzer. Não só evoca a história do holocausto, mas também foca na difícil convivência entre gerações após o horror sofrido. Para Hernández, é, sem dúvida, “a melhor maneira de aterrissar no romance gráfico: devido à própria história e por como é contada”.
15 livros que seu filho adolescente deve ler (mesmo que você não queira)

14. Nip the Buds, Shoot the Kids (Belisquem os Botões, Matem as Crianças), de Kenzaburo Oé. Não abandonamos o tema da Segunda Guerra Mundial, apesar de agora nos aproximarmos da cultura japonesa da época. “Apesar de ser Prêmio Nobel e mundialmente conhecido, Kenzaburo Oé sempre é uma surpresa”, diz a especialista Mercedes Hernández. O escritor japonês retrata um cenário inicial semelhante ao Senhor das Moscas, com um grupo de jovens forçados à sobrevivência, mas isso não desemboca no caos, e sim na organização coletiva. E são precisamente os adultos que quebram o feitiço.

15. Heróis, de Ray Loriga. Tem todos os componentes para armar-se como um poliedro na mente de um adolescente. Rock, álcool, amigos, “meninas bonitas” e infinitas frases que antigamente eram sublinhadas ou escritas nos diários e que, agora, são compartilhadas, sobre um fundo limpo e negro, nas redes sociais dos dias atuais

ORIGEM DO TEXTOhttp://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/22/cultura/1469185343_981539.html

segunda-feira, 25 de julho de 2016

A síndrome rara que pode matar crianças enquanto dormem


    A síndrome de Ondine cancela as reações automáticas do corpo, o que faz com que muitos pacientes não consigam respirar durante o sono

Alberto Najar Da BBC Mundo na Cidade do México


Os mexicanos Alek Pedraza e Lucía Bru passam o dia brincando e rindo, como qualquer criança. Mas à noite tudo muda: os dois sofrem de uma doença rara que pode matá-los enquanto dormem.

Na síndrome de Ondine (ou CCHS, sigla em inglês para Congenital Central Hypoventilation Syndrome, ou Síndrome da Hipoventilação Central Congênita, em tradução livre), a mutação de um gene provoca danos na parte do cérebro responsável pelas reações automáticas do corpo.

Uma das consequências mais comuns disso é que a respiração fica prejudicada - na fase de sono profundo, a pessoa pode simplesmente parar de respirar e morrer.

Por isso, Alex e Lucía precisam ser ligados a equipamentos que os ajudam a respirar, enviando oxigênio diretamente para a traqueia.

  

Há poucos estudos sobre a doença, que ainda não tem cura. Em todo o mundo, há cerca de apenas 1,2 mil pessoas que conseguiram sobreviver a ela nos primeiros meses de vida.

Em 40 anos, apenas algumas centenas de casos foram analisados, conta José Bru, pai de Lucía. "Por ser uma doença rara, o interesse de um governo ou de um laboratório farmacológico para desenvolver uma cura é pouco", critica.

No Brasil, não há registro do número de pessoas com a síndrome de Ondine, segundo o Ministério da Saúde.

Quando surgem casos, afirma a pasta, é adotada a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, que organiza desde 2014 a rede de atendimento para prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação.

"Atualmente, o ministério dispõe de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para 36 doenças raras. Para as doenças que ainda não contam com protocolos próprios, como a síndrome de Ondine, a assistência e o cuidado às pessoas seguem as diretrizes estabelecidas pela Política", informou a assessoria do ministério.

É comum que a doença seja confundida globalmente com a síndrome da morte súbita infantil - falecimento repentino de bebês durante o sono. Isso levaria a uma subnotificação, já que não são realizados exames genéticos para descobrir a verdadeira causa do óbito.

O nome da síndrome vem de uma lenda antiga.

Nela, uma ninfa chamada Ondine condena seu marido a morrer assim que pegar no sono como punição por tê-la traído.

Na vida real, a alteração genética causada pela doença faz com que o cérebro suspenda ações automáticas que governam os órgãos do corpo, como o ritmo cardíaco ou o funcionamento dos intestinos.

    5 perguntas sobre o escândalo de doping russo e como isso afeta a Olimpíada

Um exemplo: os pulmões de Alek não conseguem fazer a troca do dióxido de carbono pelo oxigênio, explica à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, a mãe do menino, Nadia Ortiz.

"Ele entra em sono profundo imediatamente, quase depois de fechar os olhos. E então o cérebro não manda o sinal para que ele continue respirando normalmente, que faça a troca de oxigênio. É como se esse chip estivesse desligado."

"Alek respira enquanto está dormindo, mas não consegue fazer essa troca. Se não tiver ajuda de um respirador conectado à sua traqueia, pode correr riscos."

O maior perigo para o menino é que o dióxido de carbono se acumule no sangue e leve a um quadro de hipóxia - ou seja, de falta de oxigênio nos órgãos e tecidos, o que pode provocar uma parada cardiorrespiratória.

O problema de Lucía é parecido, mas seu cérebro também dá ordens para uma produção maior de insulina, problema que pode ser permanente.
Traqueostomia

As crianças tiveram de se submeter a traqueostomias ainda bebês para receber os tubos de plástico que são conectados às máquinas de respiração.


A traqueostomia também ajuda na oxigenação dos pulmões, além de auxiliar para extrair muco em casos de urgência.

O tubo inserido no pescoço é permanente e, apesar de ajudar a respiração, também traz problemas.

"É uma ferida aberta, o risco de infecções é muito alto", diz Nadia Ortíz. "Uma gripe ou uma tosse são muito perigosas para Alek. Não há intermediários entre a traqueostomia e os pulmões. Nós respiramos pelo nariz, o que nos ajuda a filtrar todos os bichos."

José Bru conta que isso demanda uma higiene muito cuidadosa.

"Minha filha, por exemplo, usa um nariz artificial, que funciona como um filtro. Mas qualquer gripe pode virar uma pneumonia."
Alto custo

A doença também exige muito dos pais, que precisam fazer uma vigília para monitorar os níveis de dióxido de carbono e o ritmo cardíaco dos filhos.

Para divulgar o problema e arrecadar recursos para pesquisa, José Bru e sua mulher criaram uma instituição no México, a Fundação Síndrome de Ondine MX.

Já Nadia Ortíz e o marido, Vladimir Pedraza, fizeram uma "vaquinha" na internet, na qual arrecadaram US$ 250 mil (cerca de R$ 814 mil).

O dinheiro será usado em uma cirurgia para implantar um marcapasso no diafragma de Alef, o que permitiria que ele dormisse e respirasse sem ajuda externa. O procedimento é realizado em um hospital de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Mas além do atual momento difícil, os pais se preocupam também com o futuro das crianças.

"Vai chegar um momento em que vai perguntar 'porque eu tenho traqueostomia e você não?'", afirma a mãe do garoto.

"Quando ela completar 15 anos, vou ter de contar que terá pausas cardíacas. Que vai precisar de um marcapasso", diz o pai de Lucía.
ORIGEMhttp://www.bbc.com/portuguese/geral-36840962

Djamila Ribeiro: “É preciso discutir por que a mulher negra é a maior vítima de estupro no Brasil”

Mestre em filosofia política, é uma das principais referências no movimento feminista negro
 Djamila Ribeiro | Pesquisadora em Filosofia Política e ativista feminista
“É preciso discutir por que a mulher negra é a maior vítima de estupro no Brasil”
Ao EL PAÍS, pesquisadora fala sobre a importância de combinar a luta contra o machismo e o racismo

Por Marina Novaes

   

O estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro provocou um intenso debate sobre a cultura do estupro, além de uma série de manifestações pelo país contra o machismo —e também contra o racismo. O motivo: a violência contra mulheres negras disparou e, embora há quem queira desqualificar o debate (chamando-o de um mimimi feminista), além desse episódio (a vítima era uma jovem negra e pobre), dados do Mapa da Violência de 2015 confirmam o problema. Para Djamila Ribeiro, 35 anos —uma das mais conhecidas ativistas do movimento feminista negro atual—, somente desconstruindo o mito de país harmônico livre de racismo é que será possível criar políticas eficazes para enfrentar a violência de gênero.

Djamila é pesquisadora e mestre em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), blogueira, mãe de uma menina de 11 anos, e que há dois meses é também a secretária-adjunta de Direitos Humanos da cidade de São Paulo. Em entrevista ao EL PAÍS, ela falou sobre as diferentes lutas dentro do movimento feminista e o racismo enraizado em nossa cultura.

Pergunta. O caso do estupro coletivo no Rio, em maio, provocou uma reação feminina muito forte no país. E também levantou um debate sobre a questão do racismo e da cultura do estupro. Qual a relação entre esses dois problemas?


Resposta. A cultura do estupro ficou evidente porque houve um ato brutal no Rio. Mas ficou claro como a maior parte da sociedade vê isso como um fenômeno, algo pontual. Essa discussão feita pelo movimento feminista é importante para mostrar que isso faz sim parte de uma cultura, um desdobramento do machismo. Na questão racial, a gente precisa discutir por que as mulheres negras são as que mais sofrem esse tipo de violência. Uma pesquisa da Unicef chamada Violência Sexual mostra que as mulheres negras são as mais vitimadas por essa violência. Não é um fenômeno. Faz parte de uma estrutura. Se for pegar o contexto histórico do Brasil, a gente tem um país com mais de 300 anos de escravidão, uma herança escravocrata. E que no período da escravidão as mulheres negras eram estupradas sistematicamente pelos senhores de escravo. Quando a gente fala de cultura do estupro é necessário fazer essa relação direta entre cultura do estupro e colonização. Tudo está ligado, um grupo que combina a dupla opressão: além do machismo, sofre o racismo. Claro que todas as mulheres estão vulneráveis, suscetíveis a essa violência sexual. Mas quando a gente fala da mulher negra existe esse componente a mais que é o racismo. Existe também essa questão de ultra-sensualizar a mulher negra, colocar ela como objeto sexual, como lasciva... São tão desumanizadas que até a violência contra elas de alguma forma se quer justificar. Se eu luto contra o machismo, mas ignoro o racismo, eu estou alimentando a mesma estrutura.


P. Existe uma falha no diálogo dentro do movimento feminista?

R. Dentro do feminismo, existe uma discussão que as mulheres negras tentam levantar desde os anos 70, que as mulheres brancas, de certo modo, acabaram universalizando a categoria mulher, não percebendo que existem varias possibilidades de ser mulher: a mulher negra, a mulher branca, a mulher indígena, a mulher lésbica, a mulher pobre... Mas quando a gente não pensa nessas diferenças entre nós, deixamos um grupo grande de mulheres de fora desse diálogo. O movimento feminista, durante muito tempo foi um movimento de mulheres brancas da classe média que estavam preocupadas com as opressões que atingiam somente a elas, ignorando as opressões que as outras mulheres, numa posição ainda mais vulnerável, sofriam. Não ter esse entendimento de que somos diferentes faz com que muitas vezes as mulheres que têm algum privilégio fiquem reproduzindo opressões sobre as que estão numa posição mais vulnerável. Essa é a discussão que o movimento feminista negro traz. A gente também quer ser representada. A gente não pode pensar somente naquilo que nos atinge, senão vamos perpetuar o mesmo poder que queremos combater. Então é preciso que as mulheres que têm algum privilégio se abram para o debate. Não vejam isso como uma afronta ou como briga.

P. Você escreve em um dos seus artigos sobre essas diferentes lutas dentro do movimento feminista. Que em determinado momento da história, as mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ao passo que as mulheres negras lutavam para serem vistas como seres humanos pela sociedade. Trazendo para os dias de hoje, quais as principais diferenças entre as bandeiras atuais dentro do movimento?

R. Acho que o diálogo melhorou bastante de uns anos pra cá. Mas vamos pegar por exemplo a questão da violência doméstica. A pesquisa Mapa da Violência 2015 mostrou que nos últimos dez anos, período desde o qual existe a Lei Maria da Penha, diminuiu em 9,6% o assassinato de mulheres brancas no Brasil e aumentou em 54,8% o de mulheres negras. É um número absurdamente alto. Se for pegar a questão do mercado de trabalho, por exemplo, o número de empregadas domésticas: mulheres negras ainda são maioria. A questão do aborto: as mulheres negras são as que mais morrem, porque sendo o aborto um crime, as mulheres que têm uma condição financeira melhor fazem com segurança, e essas mulheres que não têm estão morrendo... É necessário ver que as mulheres negras precisam de um olhar específico para elas. É romper com esse olhar de política universal, que muitas vezes só atinge a um grupo especifico. Se há um grupo que é mais vulnerável, aquele grupo precisa de mais atenção. É uma minoria dentro da minoria.

P. O fato de não reconhecermos que as mulheres negras são mais vulneráveis vem da dificuldade de o brasileiro reconhecer que é racista? Isso vem da nossa educação?

R. É uma ótima pergunta. Porque o Brasil é um país de maioria negra, mas a gente não debate racismo de forma efetiva. E acho que é muito por conta desse mito da democracia racial que foi criado no Brasil. De acreditar que aqui não existia racismo. De que racismo é o que existia nos Estados Unidos ou na África do Sul, porque lá estava na Constituição, enquanto que aqui no Brasil não tinha isso... Mas não reconhecendo que aqui você tem o racismo institucional. Eu sempre dou o exemplo da USP [Universidade de São Paulo], que acho um clássico: se você chega lá e vê qual a cor das pessoas que estão limpando e qual a cor das pessoas que estão dando aula? Então existe uma segregação no Brasil muito marcada, mas o que nos falta é discutir de maneira mais efetiva, porque a gente foi criado num mito de harmonia das raças, de que a gente se dá bem, de que estamos num país miscigenado. Não dizendo que parte dessa miscigenação foi fruto do estupro de mulheres negras, das mulheres indígenas... Onde querem louvar muito as pontes que existem, mas não quer falar dos muros que nos separam. E isso está muito por conta dessa dificuldade de ver o Brasil como um país racista. A gente precisa trabalhar isso de forma mais efetiva na educação.



P. Qual deve ser o papel do homem para ajudar a acabar o machismo?

R. Eu acho que é sobretudo discutir masculinidade. Essa masculinidade hegemônica como foi construída está diretamente ligada à questão da violência e da agressividade. Desde muito cedo o menino foi criado para ser o macho, pra ser o provedor, o violento, o agressivo. Se a gente vive em uma sociedade onde os homens estupram as mulheres, é porque a gente está criando homens que acham que podem fazer isso. Isso deveria ser o ponto principal: como é que desconstrói essa masculinidade violenta? Discutindo entre eles eu acho que seria fundamental. Eles podem e devem ser parceiros e aliados apoiando nossas lutas, dando visibilidade... Se é professor, debatendo o tema em sala de aula. Se é empregador, pagando o mesmo salário para homens e mulheres na mesma função, criando maneiras de mulheres que são mães de trabalhar. Se é professor de universidade pública, apoiando a luta das alunas por creches nas escolas, porque creche também é permanência estudantil. Está no meio dos amigos, o amigo assediou uma mulher, fala pro amigo que aquilo é assédio, não é cantada. Está dentro de casa, divida as tarefas domésticas, a responsabilidade pela criação dos filhos. Isso é uma ajuda imensa ao movimento feminino, sem necessariamente ter que pegar um microfone e falar por nós. Então parte muito dessa ação concreta que eles podem fazer, que eles devem fazer, porque essa masculinidade hegemônica está matando a gente. É importantíssimo que os homens estejam dispostos a desconstruir isso.

P. Existem várias mulheres que têm medo de se assumir feministas, que acham que o feminismo é algo ruim. Como você vê isso?

R. Eu acho que ninguém nasce sabendo da opressão que sofre. É uma consciência que a gente vai adquirindo ao longo do tempo. Então tem um outro lado que o machismo conseguiu fazer muito bem que é criar esses mitos em torno do feminismo, que foi mais uma forma de impedir com que essas mulheres se juntem. Porque quanto mais as mulheres se unirem, melhor é para que a ideologia seja manifestada. Então criou-se os mitos de que feminista odeia homem, de que mulher feminista é uma mulher muito agressiva... como um modo de afastar as mulheres dessa ação. Quando você entende o que é feminismo, não tem razão nenhuma para você não querer ser feminista. Se ser feminista é lutar para que mulheres tenham equidade, para que mulheres sejam tratadas como seres humanos, para que a gente viva numa sociedade igualitária e justa, não tem porque você não ser.

P. O que é a chamada interseccionalidade do feminismo?

R. Os movimentos operam na mesma lógica da sociedade. Ficam excluindo e elegendo o alvo que querem trabalhar. Então o movimento negro que luta contra o racismo, por exemplo, tem um olhar muito masculino; no movimento feminista, há um olhar muito branco; já o movimento LGBT privilegia o homem gay branco... Então a interseccionalidade é pensar como criar meios de pautar nossas políticas de modo que a gente dê conta dessa diversidade. Senão vamos só continuar elegendo quais vidas são importantes e quais vidas não são. (...) Na hora de pensar políticas eu preciso ter um olhar interseccional, porque eu preciso atingir grupos mais vulneráveis. Então se eu universalizo [um grupo ou uma luta] eu não nomeio o problema. E se eu não faço isso, essas pessoas ficam na invisibilidade, os problemas delas sequer são nomeados e, se eu não nomeio o problema, eu sequer vou conseguir pensar numa solução.

P. Mudando um pouco de assunto, o que você acha do movimento Escola Sem Partido?

R. É um retrocesso. Eu acho engraçado esse argumento porque nada está isento de ideologia. A partir do momento em que eles estão usando esse argumento, estão falando a partir de uma ideologia, uma ideologia excludente. De uma ideologia que é o reforço da ordem estabelecida, para que esses temas continuem na marginalidade. Debater esses temas é justamente pra gente entender que essas pessoas existem, o quanto que é necessário a gente educar para o respeito. Eu não gosto desse termo “tolerância”. As pessoas tem que ser respeitadas. E o quanto é importante tratar esses temas nas escolas, que podem ser um espaço muito importante de transformação de mentalidade. Mas, da forma como está hoje de uma maneira geral, acaba justamente sendo um local de reprodução de violência. Tem que ensinar português e matemática, e tem que ensinar as questões de gênero, as questões raciais... porque todos esses temas são transversais e têm que ser trabalhados em todas as disciplinas. Quando a gente começa a estudar esses temas, estamos empoderando grupos, dando voz a grupos que nunca tiveram, pessoas que vão começar a reivindicar direitos. E tudo isso significa perda de privilégio dessas pessoas que estão no poder.ORIGEMhttp://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/14/politica/1468512046_029192.html

domingo, 24 de julho de 2016

FATO, NEM DEUS em pessoa, SALVA A RIO-2016


Algo me intriga, quem são aqueles que lotaram a bilheteria do maracanã essa semana para comprar bilhetes das atrações  do circo olímpico??? Sera os mesmos que prestigiaram nos diversos estádios elefantes brancos e superfaturados na época da famigerada COPA 2014????

 Afinal o que essas pessoas que assistiram os  jogos da ultimas Copa tem para comemorar, tem como legado, tem como lembrança???? Vamos lá, vou ajudar, todos os estádios da COPA 2014 ou foram super faturados, ou são verdadeiros elefantes bancos sem nenhum proposito e serventia, tem também o famosíssimo 7 a 1, resumo da opera, não há legado em termos de COPA DO MUNDO BRASIL 2014, não há o que comemorar, dai  que presumo que  essa galerinha que prestigiou orgulhosamente esse circo no Brasil em 2014 tem mais o que se envergonhar do que se orgulhar, ou então nossa alienação passou de algo banal para um tipo esquizofrênico de distúrbio mental estranhíssimo, entendeu??

Então, sim não entendo a empolgação dessa galerinha que comemorar por comprar um ingresso desse circo macabro, desse circo vergonhoso assassino, inescrupuloso e por fim fúnebre, sim as olimpíadas RIO 2016 é sim fúnebre, por todos os motivos, sim  é estranho ver tantas pessoas interessadas em comprar ingressos parra assistir ao vivo esse circo fúnebre, afinal até onde vai nossa alienação, ou o que falta para essas pessoas ver, literalmente ver que essas OLIMPÍADAS como algo FÚNEBRE, vergonho , sarcástico com  nossa própria cidadania, e  também de um absurdo inimaginalvel, o que falta, teremos que assistir ao vivo para o mundo todo assistir e prestigiar a ultima grande piada proporcionada por uma nação refém de sua própria arrogância????

Eu adoro meu Rio de Janeiro, mais não pensem que vou torcer por algo totalmente alheio  a minha vontade e a própria vontade da cidade como um todo, afinal , quais são as verdadeiras prioridades da cidade nesse exato momento??????
Uma  olimpíada?? faz me rir 

Veremos se estou exagerando ou se estou apenas relatando os fatos.

Não sou pessimista , não estou torcendo contra , não se trata disso , trato de Fatos, trato da verdade dos fatos, e nesse quesito essas olimpiadas é sim uma aberração sobre todos os aspectos que se analisa.

De algo tenho certeza, Deus pode ser brasileiro, o  Rio pode ser maravilhoso, mas.... Essas olimpíadas nem mesmo DEUS em pessoa pode salvar essa OLIMPÍADAS RIO 2016, POR UM DESPREZÍVEL FATO, PARA TODOS OS LADOS QUE SE ANALISA E Se OLHE, ELAS SÃO DESDE JÁ UM FRACASSO. FATO, E DESAFIO ATÉ MESMO DEUS A PROVAR O CONTRARIO..

Não temos governo,  temos uma justiça ridícula, temos um serviço secreto patético, temos um governo municipal sarcástico, um governo estadual falido,  e uma sociedade alienada ao extremo, então ... Como pode algo isso ser um sucesso??

Exagerei????

Esperem só para ver o que vem pela frente

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A PRIMEIRA GRANDE PIADA NAS OLIMPIDAS RIO 2016



Essa de hoje foi o que considero a PRIMEIRA GRANDE PIADA DESSAS OLIMPÍADAS RIO 2016, a nossa pomposa justiça, e nossos bravos policias do serviço secreto tupiniquim prenderam com todo o circo midiático que tem direito 10 patetas tidos como ameaça terrorista, ou seja eles prenderam 10 idiotas simpatizantes daqueles malucos do ESTADO ISLÂMICOS e acham que dessa forma patética e midiática evitaram a terceira guerra mundial.  Se isso não é uma grande e tosca piada é o que????

Serão mais de 20 dias ininterruptos de eventos, ou seja não será com ações cinicas  e grotesca que o Brasil vai evitar que essas olimpíadas se tornem num momento fúnebre único da história universal , mesmo porque há milhares de bandidinho legitimamente da terrinha pronto a praticar diversas formas de ataque terroristinha desses que temos convivido há décadas.

Veremos de fato até onde Deus é brasileiro, vamos precisar dessa prova. Porque se formos depender de nossos serviços secretos , de nossas forças armadas e por fim de nossa justiça ESTAMOS PERDIDOS, fato incontestável .

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Por que a política deve ser reinventada?



POR Matthias Bianchi, diretor de Assuntos do Sul





O mundo está mudando e os sistemas políticos existentes nas democracias ocidentais parecem não estar à altura deste momento.






Cada região e país "apodrece" de seu jeito.


Na América Latina, a resposta é um movimento em direção à afirmação das bandeiras mais conservadores. E isto não se resume à vitória de Mauricio Macri na Argentina, ao processo de impeachment de Dilma Rousseff no Brasil ou à vitória da oposição nas eleições legislativas da Venezuela.



Recentemente, tivemos o triunfo de Horacio Cartes no Paraguai, a vitória de Pablo Kuczynski no Peru, a derrota de Evo Morales num referendo popular na Bolívia e o declínio da correísmo no Equador.



A queda na cotação das commodities no mercado internacional e as contradições dos governos progressistas ajudam a explicar esse movimento pendular.



No entanto, o que está no centro da discussão não são políticas progressistas dos governos da última década, mas a própria política.

Estudo conduzido pela Assuntos Del Sur, com 1,3 mil líderes políticos e sociais da região, mostrou que há uma preocupação latente em relação à forma obscura e vertical como a política tem sido exercida na maioria dos países do continente.



Enquanto isso, nas ruas, nos parques e nas universidades assistimos ao surgimento de ativistas que acreditam e valorizam um jeito diferenciado de se fazer política.

Este movimento tem resultado no surgimento, por toda a América Latina, de grupos de ativistas das mais variadas correntes e com as mais diversas agendas, tais como: o # YoSoy132, o #VemPraRua, # o YaMeCansé e #Yasunidos.


O traço em comum é a atuação baseada na pluralidade, na colaboração e nas práticas horizontais de gestão que diferem diametralmente da cultura do establishment político atual. Seja ele progressista ou conservador.



Um fator chave na análise deste fenômeno é a questão demográfica: nunca houve tantos jovens na região: 165 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos de idade.


Trata-se da primeira geração de adultos nascidos e criados na democracia e que são participantes ativos na Revolução Digital.


Parece que estamos diante de um novo "demos" na região que não é contestada pelos "Cratos".



Este "demos" emergente tem cada vez mais entrado em conflito com os governos da região, mostrando as contradições do sistema em relação aos mecanismos de gestão da economia, de preservação do meio ambiente e o modo como são geridos os meios de comunicação (rádio, TV e jornais), além da relação dos políticos com empresas e organismo que garantiram sua chega ao poder.


As reivindicações dos jovens têm por base a criação de mecanismos que permitam maior transparência nas áreas política e administrativa do setor público, garantindo o acesso da sociedade às decisões governamentais.



Neste contexto, não deveria nos surpreender que mesmo as lideranças de centro-direta e de direita que chegam ao poder têm sua legitimidade contestada por ativistas, especialmente os grupos ligados à juventude.


Até porque, a ascensão destes grupos não se deu por seus próprios méritos, mas sim pela fadiga dos partidos e dos políticos que os antecederam no poder.



Na think tank Assuntos Del Sur estamos trabalhando para apoiar o processo de experimentação política que brota em diversos cantos da América Latina. Este trabalho é conduzido por meio do projeto Mucho con Poco que tem por objetivo criar redes de diálogo e de capacitação, baseadas na construção coletiva. Com isso, esperamos dar a nossa contribuição para uma mudança de paradigma na cultura política da região.


O desafio que nos é apresentado hoje é garantir que essas iniciativas tenham força suficiente para permear as instituições, possibilitando a adoção de mecanismos de poder baseados na participação e na colaboração de todos os agentes da sociedade.



É com isso em mente que a Asuntos Del Sur realiza sua terceira oficina no Brasil.


O encontro, que acontece de 22 a 24 de julho, no Rio de Janeiro, vai reunir quilombolas, moradores de favelas, estudantes e ativistas de diferentes regiões do Brasil.

Nossa ambição é que a elaboração de propostas inovadoras na política possam reduzir os riscos representados pelo avanço do nacionalismo extremado e do populismo como vemos nos Estados Unidos e na Europa.


* Matthias Bianchi, doutor em ciência política, diretor de Assuntos do Sul.

ORIGEM  DO TEXTO http://www.clarin.com/br/politica-deve-reinventada_0_1616838446.html

O iPhone 7 será ‘mais do mesmo’?


Apple pode guardar suas melhores armas para 2017, no décimo aniversário do iPhone

POR José Mendiola Zuriarrain

A Apple conta com cada vez mais dificuldades para evitar os vazamentos na extensa cadeia de montagem de seus aparelhos. E é da China, precisamente o país no qual os californianos confiaram o grosso da produção do iPhone, de onde nos chegam mais imagens do celular. A fabricante californiana não faltará com seu compromisso e, se os prognósticos não estiverem errados, em setembro ou outubro ela deve apresentar a esperada nova versão de seu iPhone topo de linha. Com isso, o ano será especial, já que a previsão é de que, se tudo der certo, a Apple apresente dois aparelhos: o compacto e mais econômico iPhone SE e o iPhone7, o carro-chefe da empresa.

A previsão é de que em setembro ou outubro a Apple apresente a esperada nova versão de seu iPhone topo de linha

Todos os olhares recaem precisamente no segundo, já que suas concorrentes, principalmente a Samsung, apertaram fortemente o passo e o mercado trabalha com a possibilidade de que a Apple responda com algo espetacular. No entanto, e apesar das diversas fotos e vídeos vazados, tudo parece indicar que o iPhone 7 contará com um design quase idêntico ao do modelo precedente, e que as melhorias chegarão escalonadamente em seu interior.


Foi o Wall Street Journal quem advertiu que o iPhone 7 seria bastante anódino no que se refere a novidades, o que romperia com a tradição da Apple de batizar os saltos menores de versão com a letra “S” adicionada ao número do modelo.

O que se esperava do iPhone 7 até o momento era uma mudança significativa, sobretudo do ponto de vista estético. Mas o jornal americano, que costuma contar com fontes confiáveis dentro da empresa sediada em Cupertino, confirma que o modelo seria uma simples melhora do precedente. Ou, ao menos, não a revolução estética e funcional que o mercado esperava. Por que? Surgiram várias possibilidades, mas uma que é determinante e que é preciso levar em conta é o fato de 2017 marcar os dez anos do aparelho. A Apple estaria juntando forças para um lançamento espetacular na próxima versão do celular.

O iPhone do aniversário poderá finalmente dispensar o botão físico, e a tela pode ser OLED

Mas o calendário não deve ser a única coisa que marcará os tempos na estratégia de produção e comercialização da companhia: o big data da Apple teria levado ao conhecimento da empresa o fato de que em 2016 vencem os contratos de permanência dos compradores do iPhone 6 e do iPhone 6 Plus, modelos que foram um autêntico sucesso de vendas e cujos compradores se viam obrigados a renovar, apesar de as novidades não serem merecedoras dele. Ou seja, há uma massa de proprietários de iPhone que, graças à fidelidade que declaram ao aparelho (a mais elevada do mercado) vão certamente trocar para um modelo mais novo.

Com isso, os analistas preveem uma venda sustentada do iPhone 7, apesar de não espetaculares. Mas já estão descontando o previsível furacão que se aproxima no ano que vem. O iPhone do aniversário poderá finalmente dispensar o botão físico, e a tela seria em OLED. Isso eliminaria as marcas que agora vemos nos smartphones e traria uma superfície de uso bem maior. Algumas fontes especulam que o salto para essa tecnologia poderia ocorrer ainda este ano. Mas os mais cautelosos reservam a cereja do bolo para as comemorações do aniversário.
ORIGEM http://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/18/tecnologia/1468857393_733061.html

Como descobrir tudo que o Google sabe de você – e como apagar seu rastro

Como o 'Grande Irmão' do livro '1984', de George Orwell, o Google tem acesso a um mundo de informações

POR  Yolanda Valery  -LEIA MAIS...ORIGEM DO TEXTO:http://www.bbc.com/portuguese/geral-36833505

   

"Quando usa os serviços do Google, você confia a nós sua informação", deixam logo claro os termos e condições de privacidade do principal site de buscas do mundo.

Pode ser que isso não te surpreenda, pois sabemos que o serviço coleta informações sobre seus usuários.

Mas estamos falando de exatamente quanta e qual tipo de informação?

  
Seu nome, seu endereço, sua idade, seu endereço de e-mail. Seu modelo de telefone, sua operadora de telefonia celular, seu plano e consumo telefônico e de internet.

As palavras que usa com mais frequência em seus e-mails. Todos os e-mails que tenha escrito ou recebido, incluindo spam. Os nomes de seus contatos, seus endereços e telefones.

As fotos que faz com seu telefone Android, ainda que tenha apagado tudo e nunca publicado em redes sociais. Os sites em que navega, dentro e fora do país; a data da visita e o caminho que levou para chegar. A rapidez com que chegou. O cartão de crédito ou débito que usa para pagar.

O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro
Lee Munson, especialista em segurança

Todos os sites da internet que visitou por meio do Google, a frequência e o que viu dentro de cada um. Em qual idioma procura. A hora em que navega. Com quem conversou via Hangouts. Quais vídeos te agradam e quais músicas escuta.

Essas e outras categorias aparecem no documento de política de privacidade do Google (aqui o link, em inglês), que soma 2.874 palavras.

"O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro", diz Lee Munson, investigador em segurança da Comparitech.com.

"As pessoas confiam demais e compartilham sem pensar muitas informações sobre si, quando a recompensa é uma conta gratuita de e-mail, alguns gigas de armazenamento e a possibilidade de pertencer a um mundo virtual com seus amigos e conhecidos."

Tudo é feito de forma legal, assim que você marca concorda com os termos e condições da empresa.

Confira como você pode encontrar seus dados.
'Minha conta'

Desde junho de 2015, o Google reúne toda a informação que coleta sobre seus usuários em um lugar chamado "minha conta" ou "my account", em inglês.

Você tem uma conta do Google se já fez um e-mail Gmail ou até se já iniciou uma sessão em telefone ou tablet Android, se trabalhou em arquivos no Google Docs ou está registrado no YouTube.

Se você nunca fez nada disso, parabéns. Google ainda terá suas informações, mas não poderá associá-las a seu nome. Aqui você pode comprovar se é uma dessas pessoas.

Segundo dados citados pela publicação Business Insider em janeiro deste ano, estima-se que haja 2,2 bilhões de usuários ativos no Google. Ou seja: é bem provável que seu nome esteja na lista.

Comecemos com sua conta no Gmail. O círculo no canto superior esquerdo com sua inicial é o ponto de partida.

Você chegará a uma página como a reproduzida acima.

Algumas categorias interessantes em termos de dados coletados são "aplicativos e sites conectados", "suas informações pessoais", "configurações de anúncios", "idiomas e ferramentas de entrada".

"Verificação de segurança" e "check-up de privacidade" são duas janelas que permitem ajustar e restringir informação diretamente.

Mas vamos seguir com a opção marcada pela seta: a janela "Minha atividade".


"Minha atividade" abre, de novo, várias opções.

A tela exibida abaixo é a geral (que aqui aparece em inglês, mesmo com a conta configurada para português como idioma principal). Inclui atividade diária no YouTube, busca, notificações, notícias e ajuda, item por item.

Mas é possível filtrar o material por data e produto específico, clicando na seta vermelha mais ao alto.

Há ainda a opção de apagar seu histórico, indicada pela seta mais abaixo na tela.

Mas antes de confirmar a ação, aparecerá uma mensagem do Google que diz que "sua atividade pode fazer com o Google seja mais útil, com melhores opções de transporte pelos mapas e melhores resultados de busca".


No canto superior esquerdo, o ícone de menu (três listas horizontais) abre outro mundo de dados.

Use a opção "outra atividade no Google" para acessar o que o Google guarda sobre suas viagens, telefone e muito mais.

Tudo o que já fez pelo Google Maps deverá estar registrado. Para checar todos os dados nessa categoria, volte a "minha atividade" e filtre os resultados pelas categorias "maps" e "maps timeline".

O Google dá a opção de informar o endereço de casa e do trabalho.

Outra categoria reveladora são os anúncios. Para chegar lá, volte ao primeiro passo, "minha conta".

Clique em "configurações de anúncios". Uma vez lá, selecione a opção "gerenciar as configurações de anúncios" e descubra o que o Google imagina que te interesse (a partir do que procura com mais frequência)

Você também pode solicitar ao Google uma cópia de toda a informação que a empresa guarda sobre você.

Para isso, volte a "minha conta" (canto superior direito, no círculo com sua inicial).

Logo abaixo de "configuração de anúncios" está "controlar seu conteúdo". Escolha essa opção e encontrará uma tela como esta:


"Criar arquivo" levará a uma janela com a opção de decidir quais dados de serviços.

O Google adverte que compilar os dados pode levar dias. No caso da repórter, em cerca de duas horas três arquivos chegaram ao Gmail.

Baixar os arquivos levou mais duas horas. E abrir alguns deles foi um pouco complicado: alguns vêm em formatos que não são comuns, como .json o .mbox.

Os arquivos continham todas as mensagens de e-mail da repórter - foi possível abri-las após encontrar uma programa que lia arquivos com extensão .mbox.

Não é possível acessar uma lista de "palavras mais usadas" nas mensagens - o Google diz que o processo de monitoramento das mensagens é "totalmente automatizado".


E o Google ainda tinha as fotos. Todas que a repórter havia feito com seu telefone nos últimos dois anos. Deletadas our não, compartilhadas ou não.
Como isso é possível?

A resposta é simples: tudo tem um preço.

Você não paga seu e-mail nem seu serviço de vídeos em dinheiro vivo, mas em dados.

Como diz o especialista em segurança Lee Munson, "a informação é a nova moeda de troca".

"É uma mina de ouro. Para o Google, representa bilhões de dólares", concorda Jonathan Sander, vice-presidente da Lieberman Software.


Desde que diga que concorda com termos e condições que quase sempre não lê, você está entregando suas informações.

Mas há quem discorde dessas condições.

"A legalidade e a interpretação da lei dependem das regras e normais locais", afirma Mark James, especialista em segurança da ESET.

"O Google e a Europa já se enfrentaram por temas como privacidade, monopólio, direito a ser esquecido, coleta de dados. A empresa foi multada em alguns casos, mais geralmente se considera que opera dentro do marco legal."
O que fazer?

Estamos à mercê desse gigante da tecnologia então?

Especialistas concordam que há muito pouco a ser feito nesse sentido.

"É preciso um esforço consciente e organizado para evitar ser seguido (em sua navegação na internet). Por exemplo, não usar o Google e executar atividades diferentes em máquinas distintas, ou com contas diferentes", afirma James.

"Considere a possibilidade de apagar a localização, de usar contas de e-mail que na verdade não usa para entrar em sites de compras, usar datas de nascimento ligeiramente incorretas desde que seja legalmente possível e nunca, nunca, nunca diga ao Facebook, Twitter ou outra rede social o que comeu no café da manhã, e muito menos detalhes pessoais e principais fatos de sua vida", aconselha Munson.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Loving Vincent

"Loving Vincent" conta a história de Vincent Van Gogh. O filme teve cada frame pintado à óleo, usando a mesma técnica de Van Gogh!

Por que essas gatas querem ser minhas amigas no Facebook?


Perfis falsos têm muitas utilidades – quase nenhuma delas honesta

por Sergio C. Fanjul   

Jennifer é uma loira explosiva, que se mostra com pouca roupa à beira de piscinas luxuosas. Naomi é uma exótica deusa de ébano que faz biquinho nas suas selfies. Nadia tem um olhar gélido que seria capaz de derreter a Patagônia. E todas elas querem ser minhas amigas, pelo menos no Facebook. O que será que essas gatas querem com um espanhol sem graça como eu?
sistema

Uma rápida olhada nos seus perfis desfaz o encantamento: elas não têm amigos em comum comigo (aliás, são mulheres de poucos amigos), e quase nenhuma atividade nos seus murais. Nos seus álbuns (que também são exíguos), às vezes nem parecem ser a mesma pessoa da foto do perfil. Elas me mandam mensagens inbox com links suspeitos. Que decepção. Tudo indica que são perfis falsos. Talvez você já tenha recebido solicitações de amizade de perfis como esses, ou de características semelhantes. Quem se esconde por trás dessas pessoas inexistentes? O que pretendem?

Os perfis falsos se prestam a inúmeras utilidades, quase nenhuma delas honesta. Desde proporcionar mais seguidores e curtidas a uma pessoa, partido, coletivo ou empresa até espalhar softwares maliciosos e extorquir os usuários. “Esses perfis podem ser criados por pessoas ou robôs, e estão na ordem do dia”, afirma Vicente Díaz, analista da empresa de segurança informática Kaspersky. “Eles podem tentar conseguir mais informações de alguém ou lhe tirar dinheiro. Também Estados ou grupos jihadistas podem praticar a espionagem cibernética dessa forma.” Em 2012, o Facebook estimava que entre 5 e 6% dos seus 845 milhões de usuários da época eram contas falsas.
Por que essas gatas querem ser minhas amigas no Facebook?

Uma das práticas mais populares e com mais sucesso entre os criminosos cibernéticos é o chamado ransomware (de ransom, resgate, e ware, software). “Ocorre quando alguém convida você a clicar num link onde há, por exemplo, um divertido vídeo de um gatinho”, diz Díaz. Então o site pede que você instale um codec para ver o vídeo, que na verdade é um vírus que cifra todos os conteúdos do seu próprio computador – você se torna incapaz de acessar a sua própria informação armazenada... a não ser que pague o resgate. Sim, sequestraram o seu disco rígido. “Normalmente, o valor do resgate vai subindo com o passar dos dias, para criar uma sensação de urgência. E, se for bem feito, não há nada a fazer nem especialista ao qual recorrer, a única coisa que resolve é pagar essa quantia”, diz Díaz.

Em geral, quem tem um mínimo de prática no uso das redes sociais e da Internet rapidamente percebe o truque: os perfis falsos gritam. Entretanto, há pessoas incautas ou pouco acostumadas ao uso das redes que acabam mordendo a isca. “É muito barato montar uma infraestrutura para criar esses perfis e mandar as mensagens. Imagine que funciona, por exemplo, em 1% dos casos. Quanto mais mensagens fraudulentas você envia, mais chances tem de faturar”, diz o especialista. Recentemente, a Kaspersky detectou no Facebook um ataque de phishing contra mais de 10.000 vítimas em apenas dois dias. Um amigo pedia aos seus contatos que o mencionasse num comentário, e depois, através de um trojan, assumia o controle da conta.

“Por trás das atividades fraudulentas há grupos organizados de delinquentes cibernéticos, que na Europa costumam ser normalmente do Leste Europeu, cujo objetivo final é o dinheiro. Temos informações segundo as quais esse mundo já movimenta mais dinheiro que o narcotráfico”, diz Manuel Ransán, especialista em segurança digital do Instituto Nacional do Segurança Cibernética (INCIBE) da Espanha. Ransán aponta outra opção para enganar os internautas: levá-los a páginas com ofertas de falsos cupons de desconto, Viagra falso, etc.. “As opções são infinitas, são páginas que costumam estar associadas a linhas telefônicas de tarifa especial ou com serviços de mensagem premium. Aí chegam contas muito altas”, explica. Os invasores também podem transformar o seu computador num zumbi teleguiado, que ataca sites concorrentes ou envia spam.
Por que essas gatas querem ser minhas amigas no Facebook?

Fora desse terreno, também há perfis falsos criados por pessoas comuns (ou, olhando bem, nem tanto): ex-namorados, inimigos do trabalho, conhecidos ressentidos etc., tentando nos prejudicar a qualquer custo. O uso de perfis falsos para travar uma guerra clandestina contra os nossos semelhantes se chama catfishing. Esses perfis podem tentar saber mais sobre nós, para nos chantagear ou controlar, ou para difundir informações delicadas sobre nossas vidas num esforço para torná-la impossível, ou mesmo para tentar nos seduzir.

O documentário Catfish, lançado por Henry Joost e Ariel Schulman em 2010, é uma boa amostra dos transtornos que isso pode causar, ao retratar a relação sentimental via Facebook de um jovem nova-iorquino com uma pessoa que, na verdade, se faz passar por outra. Relacionamentos à distância com alguém que só conhecemos por algumas fotos e umas poucas mensagens trocadas on-line às vezes terminam em casamento, como já vimos muitas vezes em edulcorados programas de TV, mas em outras, a maioria, acabam em duras decepções.

Dentro dessas atividades, que têm mais a ver com a habilidade de iludir do que com a tecnologia propriamente dita, também podem ser reproduzidos modelos que já eram usados via e-mail, no tempo em que as redes sociais não existiam: a russa tentadora que tenta lhe seduzir e o convence a comprar passagens aéreas para visitá-lo (depois, claro, ela nunca aparece); o nigeriano misterioso que pede um dinheiro para completar certos trâmites e assim poder lhe deixar uma herança abandonada (que tampouco aparece).
Por que essas gatas querem ser minhas amigas no Facebook?

“Fizemos muitos progressos na construção de um sistema que mistura métodos automáticos e manuais para bloquear contas utilizadas com propósitos fraudulentos e de falsas curtidas”, diz uma fonte do Facebook. “Grande parte da atividade fraudulenta segue padrões, graças a ataques automatizados de spammers, e observando isso aumentamos muito a nossa capacidade de detectar e bloquear abusos.” A ajuda dos próprios usuários também é valiosa: para denunciar uma conta falsa, basta visitar o perfil suspeito, apertar o botão “denunciar” e seguir as instruções.

“Às vezes aceitamos desconhecidos e achamos que não tem problema, porque está lá e não interagimos com eles”, disse Ransán, “mas ficamos expostos a que essa pessoa obtenha toda a nossa informação e nos engane por meio de um link ou download”. Para evitar problemas, use o bom senso: não inclua nas suas redes sociais gente que você não conheça pessoalmente e que lhe pareça suspeita. Mesmo que sejam moças lindas, posando à beira de piscinas luxuosas, com trajes sumários e fazendo biquinho.
ORIGEMhttp://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/09/tecnologia/1468087028_159176.html

domingo, 17 de julho de 2016

ENIGMA OU DEBOCHE DO STF: por que o tribunal julga o que quer quando quer?



Especialistas listam dilemas da Corte e dizem que ministros deveriam estabelecer critérios claros
Por Gil Alessi

O Supremo Tribunal Federal (STF) entrou nos holofotes durante o julgamento do escândalo do mensalão em 2012 e desde então nunca mais saiu. As sessões transmitidas ao vivo fizeram com que as atenções dos brasileiros se voltassem à Corte. Se por um lado o evento passa uma imagem de transparência nos procedimentos, especialistas matizam a percepção e veem espaço para que o STF amplie suas práticas democráticas. A última polêmica envolvendo o tribunal aconteceu no início do mês. O decano Celso de Mello decidiu contrariar sozinho uma decisão do plenário da Corte que havia sido tomada em fevereiro deste ano. À época, por 7 votos a 4, os ministros entenderam que as penas podiam começar a ser cumpridas após confirmação da sentença em segunda instância. Em junho, no entanto, Mello mandou soltar um homem condenado por homicídio que já cumpria pena. A expectativa agora é que a Corte volte a discutir o assunto.


Não é o único caso controverso. Sobram dúvidas sobre os critérios das escolhas feitas pelo STF. Por que o tribunal demorou cinco meses para analisar o pedido de afastamento do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ)? O ministro Gilmar Mendes poderia ter segurado por 20 meses o processo sobre o fim do financiamento empresarial de campanha após pedir vista? E um dos processos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de peculato e falsidade ideológica, que aguarda parecer dos ministros há mais de três anos? Veja abaixo o que pensam especialistas sobre esses problemas.
O timing da corte

Não existe nenhum critério objetivo para determinar o que e quando será votado no STF. Thomaz Pereira, professor de direito da Faculdade Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, explica que “cabe ao presidente e seus pares julgar aquilo que entendem ser adequado, e claro que há influencia de uma possível pressão social”. Neste cenário, ministros podem dar maior ou menor importância a uma determinada questão, de acordo com seus critérios pessoais. “Quando você tem um tribunal com muita liberdade para escolher o que e quando julga, ele passa a ter o ônus de explicar suas decisões para a sociedade”, afirma Pereira. “É preciso que a Corte diga a razão de um pedido de liminar ter sido julgado em dias e um outro semelhante não ter sido analisado ainda anos depois de ter sido protocolado”.

Uma justificativa frequentemente evocada pelos ministros para a morosidade no andamento de alguns casos é o grande volume de processos no tribunal. Pereira afirma que isso não pode ser um argumento para a lentidão, e cita o caso da Suprema Corte dos Estados Unidos como uma corte que tem critérios mais rígidos na seleção dos casos. “Eles têm muito controle sobre o que julgam e o que não julgam, aceitam poucos casos por ano”, diz o professor. Uma das consequências disso é que “tudo o que admitem é julgado, a previsibilidade é muito grande, você sabe que o processo será analisado no decorrer daquele ano judiciário”.

Em nota, a assessoria da Corte informou que o regimento interno do STF "determina que os Habeas Corpus, seguidos pelas causas criminais e as reclamações têm preferência na pauta de julgamentos do plenário e das turmas", e que após estes casos "o ministro Ricardo Lewandowski, durante a sua gestão, tem priorizado as questões de repercussão geral, que são aquelas de relevância social, econômica, política ou jurídica".

    Sabemos que todos os Governos desde a redemocratização negociaram essas nomeações [para o STF] com suas respectivas bases políticas

Fiscalização da sociedade

Para o jurista Dalmo de Abreu Dallari esse é um dos maiores problemas do STF. Atualmente a Constituição prevê que o presidente indique um nome para ocupar a cadeira de um ministro que aposenta, e cabe ao Legislativo sabatinar o escolhido. Neste ponto o Brasil se inspirou no modelo de Corte Suprema dos Estados Unidos. “Isso acaba tendo implicações políticas, sendo que o correto é que fosse uma escolha jurídica”, avalia o advogado. Ele defende que “a comunidade jurídica fosse ouvida", e que "elaborasse via voto uma lista tríplice, da qual o Executivo escolheria um nome”. Para Dallari, isso “acabaria com aquele estigma de ‘fulano é ministro da Dilma Rousseff’, ‘fulano é ministro do Fernando Henrique Cardoso”.

Marcelo Cattoni, professor de Direito Constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais, aponta outro problema crítico neste modelo de escolha de ministros. “Sabemos que todos os Governos desde a redemocratização, negociaram essas nomeações [para o STF] com suas respectivas bases políticas”, afirma. De acordo com ele, a consequência disso é que a muitas indicações acabam sendo feitas para atender interesses imediatos com relação à composição de base parlamentar, “algo típico do nosso presidencialismo de coalizão”. Logo “nem sempre as nomeações recaem sobre grandes especialistas”.

Para Cattoni, caberia à sociedade fiscalizar esse fenômeno para impedir que aconteça, e “o Senado precisa sabatinar de forma séria os indicados”. O professor cita a sabatina do ministro Édson Fachin em maio de 2015 como uma exceção: o procedimento durou sete horas, e foi marcado por duros questionamentos.

    Em alguns casos uma série de medidas liminares são tomadas por um ministro, ou são concedidas ou negadas liminares monocraticamente, e isso não é encaminhado para o plenário

O professor Fabrício Juliano Mendes, do Centro Universitário de Brasília, discorda dos colegas. Para ele, o fato da indicação ser feita pelo Executivo não é garantia de que o juiz seja alinhado com a presidência. “Ao tomar posse no Supremo os ministros gozam de vitaliciedade no cargo, o que permite que ele exerça a magistratura de acordo com seu livre pensar. Nada o obriga a rezar a cartilha de quem o indicou”, afirma. Além disso, Mendes cita a sabatina como um processo que confere legitimidade ao processo, uma vez que os senadores são eleitos pelo povo e tem a prerrogativa de não aprovar determinada indicação.

O ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, já defendeu publicamente o atual modelo de indicação, e disse que a politização das indicações pelo Executivo pode acontecer em teoria, “mas a verdade é que no mundo real não acontece”. Existe na Câmara Federal uma Proposta de Emenda à Constituição que a alternância nas indicações entre o presidente da República e o Congresso Nacional na escolha dos ministros.
Decisão monocrática e poder do relator

Outro ponto questionado pelos especialistas é o grande número de decisões monocráticas [tomadas por apenas um ministro] proferidas na Corte. “Em casos excepcionais a decisão monocrática é necessária, pois trata de assuntos urgentes, e remeter a questão à turma ou ao plenário leva tempo, estudos e pareceres”, afirma Dallari, que defende seu uso restrito a casos especiais nos quais o tempo é realmente um fator chave – como processos que envolvem prisões, por exemplo.

    Se constrói uma cultura entre o Ministério Público, juízes e advogados, na qual ninguém cobra ninguém

Cattoni afirma que reformas processuais pelas quais os tribunais brasileiros passaram desde os anos de 1990 atribuíram muito poder aos juízes relatores – que são responsáveis por determinados casos. “Eles podem tomar uma série de decisões monocráticas, que depois precisariam ser referendadas pelo plenário”, diz o professor. Caberia ao relator pedir para que essa decisão “seja incluída na pauta, o que muitas vezes não é feito”. “Em alguns casos liminares são concedidas ou negadas monocraticamente, e isso não é encaminhado para o plenário”, afirma.
Pedido de vista sem prazo para devolver

O regimento interno do Supremo estabelece prazos para que um ministro possa analisar um processo após pedir vista. “O problema é que eles não são cumpridos”, diz Cattoni. “Qualquer advogado nesse país dirá informalmente: prazo existe para as partes, dificilmente para os juízes”. De acordo com ele, “há quem diga que as partes não cobram os prazos por medo de se indispor com os juízes em uma instância na qual isso pode ser desastroso, já que não se pode recorrer a nenhuma corte superior”, afirma. Nestes casos, “se constrói uma cultura entre o Ministério Público, juízes e advogados, na qual ninguém cobra ninguém”.

Pereira, da FGV, afirma que esse problema poderia ser resolvido com o cumprimento do regimento - 20 dias para cada pedido de vista -, e a devolução imediata do processo após o término do prazo. "Em um sistema como o nosso, em que os ministros estão entre iguais e não há ninguém para obrigá-los a cumprir as normas, é preciso que eles assumam responsabilidades individuais para cumprir os prazos do regimento". De acordo com projeto Supremo em Números, da FGV-Rio, só 20% dos processos são devolvidos no prazo.

Dalmo afirma que “é normal que em casos mais complexos o julgador queira algum tempo extra para fazer exame pormenorizado do processo”, mas que o que se vê no STF é a “haja possibilidade de engavetamento de processos por meses”. Para o jurista, o regimento interno da Corte é vago quanto aos prazos, por isso haveria a necessidade de que fossem “fixadas normas regimentais mais rígidas”.

Em nota, a assessoria do tribunal afirmou que "não ocorrendo a devolução após o período, o presidente do Tribunal ou das Turmas comunicará o ministro sobre o vencimento do prazo".
Antecipação de voto antes ou durante um processo

“Acho a antecipação do voto maléfica. Deve ser sempre lembrada uma frase que é: ‘juiz só fala nos autos”, diz Dallari, que ressalta, no entanto, que isso é cada vez mais comum por parte de alguns ministros. “Juiz dando entrevista, participando de reunião com políticos, isso é altamente prejudicial para a preservação da independência do Judiciário e de sua imagem, é uma prática negativa”, afirma. O jurista acredita, no entanto, que essa deve ser “uma questão ética, não pode ser regimental, senão há um cerceamento do direito do juiz. Ele precisa tomar consciência de seus deveres”.

Cattoni afirma que a lei orgânica da magistratura proíbe que o juiz antecipe seu voto, por entender que isso seria “uma violação do dever funcional”. “Mas isso não é punido”, diz o professor. Qualquer uma das partes que se sentir atingida pelas declarações de um juiz pode pedir a suspeição ou impedimento do magistrado – que poderia implicar no seu afastamento de determinado caso. “Um dos casos de suspeição previsto na legislação é aquele em que o juiz se apresenta publicamente como inimigo declarado de alguma das partes”, explica. Mas novamente aqui a questão esbarra em um desejo de advogados e do MP de não se indispor com os magistrados.

Em nota, a assessoria do Supremo afirmou que é vedado aos juízes “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”. De acordo com o texto, a responsabilização dos ministros do STF, "no caso de infrações de natureza político-administrativa, compete ao Senado Federal"http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/10/politica/1465591620_578341.html

sábado, 16 de julho de 2016

Transtornos no sistema imunológico explicam a esquizofrenia e o autismo

Ratos com imunidade defeituosa perdem o interesse em seus congêneres. Joad Hudges

Equipe de cientistas tenta explicar por que falhas no sistema provocam problemas de sociabilidade

POR Daniel Mediavilla   

A capacidade de se relacionar com outras pessoas é fundamental para a sobrevivência de um organismo. Tarefas como conseguir comida, proteger-se das ameaças ou se reproduzir exigem a capacidade de interagir com outros. Alguns problemas de saúde, como a esquizofrenia e o autismo impedem essas interações e foi observada uma relação entre esses transtornos e problemas no sistema imunológico. Nos últimos anos, alguns estudos mostraram uma relação entre a diversidade de bactérias que habitam no estômago e a saúde mental, e também querem entender como uma falha nos sistemas que usamos para nos defender dos agentes patogênicos podem danificar nossas relações com outras pessoas.

Nos EUA, pesquisadores da Universidade da Virgínia estão usando ratos para testar suas hipóteses sobre os mecanismos que produzem esses efeitos. Em um artigo publicado esta semana na revista Nature, sugerem que como o comportamento social é crucial para a sobrevivência de uma espécie e um grupo maior de indivíduos, como historicamente é observado nas cidades, aumenta as chances de disseminação de agentes patogênicos, é possível que todos os tipos de seres vivos tenham experimentado uma pressão para melhorar sua resposta contra estes agentes patogênicos com o aumento da sociabilidade. Além disso, identificaram uma via molecular pela qual essa coevolução poderia ter ocorrido.

Um transplante de linfócitos fez com que ratos com transtornos similares ao autismo recuperassem a sociabilidade

Em primeiro lugar, os investigadores pegaram ratos com uma falha na imunidade adquirida, a capacidade do sistema defensivo de um organismo para enfrentar novas infecções. Esses animais mostravam tanto interesse por outros ratos quanto por um objeto, algo que serve para identificar disfunções sociais nesses modelos. Depois, para ver se essas disfunções sociais eram reversíveis, introduziram nesses ratos de laboratório linfócitos procedentes de ratos selvagens e observaram seu comportamento social quatro semanas depois. Aquela reparação do sistema imunológico fez com que os ratos recuperassem sua sociabilidade.

Os autores do artigo publicado nesta quarta-feira viram que os animais tinham as regiões frontais do cérebro “hiperconectadas”, algo que tem semelhanças com os pacientes com autismo, e que essa hiperconexão foi reparada quando o sistema imunológico recuperou a normalidade. Do ponto de vista molecular, os cientistas observaram que os neurônios modulam a atividade dos circuitos que regulam o comportamento social em resposta a uma substância conhecida como interferão-gama, produzida por células do sistema imunitário para combater agentes patogênicos.

Johnatan Kipnis, pesquisador da Universidade da Virgínia e responsável pelo estudo, considera duvidoso que a transferência celular que devolveu a normalidade aos ratos possa funcionar no tratamento de humanos. No entanto, “se forem identificadas as alterações imunitárias que ocorrem nos transtornos psiquiátricos e formos capazes de identificar os mecanismos moleculares precisos, é possível que sejamos capazes de imitar o efeito dos linfócitos a partir das substâncias que são segregadas”.ORIGEMhttp://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/13/ciencia/1468412194_558056.html