quinta-feira, 23 de junho de 2016

O fim dos números de telefone

Os telefonemas serão dirigidos a pessoas, empresas ou instituições, não a números.

Empresas como o Facebook querem que façamos ligações para pessoas e não para algarismos

por José Mendiola Zuriarrain




Alguém ainda sabe de cor o telefone de amigos ou mesmo de parentes? Não faz tanto tempo, o usuário era obrigado a memorizar os números mais habituais ou, na pior das hipóteses, tinha de anotá-los numa agenda. Com a chegada dos smartphones, todo esse processo mudou, e agora é o celular que faz o trabalho sujo de decorar o número, enquanto o usuário só precisa procurar o contato pelo nome. Realmente faz sentido, portanto, que continuemos atribuindo uma série de algarismos a cada telefone? Essa sequência numérica poderia estar com os dias contados num futuro não muito distante, e seu substituto seria simplesmente o nome da pessoa, empresa ou instituição a ser chamada.

O mundo da comunicação interpessoal está passando por uma profunda transformação. O advento do WhatsApp e similares representou a sentença de morte do SMS, e também um duro golpe para as ligações de voz, que resistem hoje como um último recurso na hora de contatar alguém. Mas a revolução nas telecomunicações não para por aí, já que as mensagens de texto deram lugar às chamadas por vídeo, e os aplicativos de troca de mensagens começaram a acolher também as chamadas de voz em alta definição. O Facebook é a empresa do mundo que concentra o maior número de usuários ativos a cada mês em aplicativos de troca de mensagens, incluindo o WhatsApp, e é precisamente esse gigante da Internet que busca liderar a nova transformação da comunicação interpessoal.

   

A rede social por excelência tenta fugir ao máximo do clichê do mural e da fofoca, assumindo-se como plataforma-líder para a comunicação global. Nesse sentido, Stan Chudnovsky, executivo-chefe do Messenger, também antevê a morte do número de telefone. “No futuro”, disse ele, “você deveria ser capaz de simplesmente ligar para mim”, ou seja, sem precisar recordar uma sequência de algarismos. O executivo, recebendo o EL PAÍS na filial do Facebook em Londres, observa que “o número de telefone não tem nenhum significado para o usuário, é um processo que funciona em segundo plano”. Trata-se, definitivamente, de algo semelhante ao número do RG: todo mundo tem, mas não é preciso sabê-lo para nos encontrar, basta o nome e o sobrenome.

A aposta do Facebook na comunicação é tão clara que já não é preciso mais se inscrever no Facebook para poder usar o Messenger, basta o número de telefone. E surpreende descobrir, numa busca nominal dentro do aplicativo, que dificilmente você terá um parente ou conhecido que não o use. Nesse sentido, David Markus, também executivo do Messenger, falou no começo deste ano sobre o fim do número de telefone, e, apesar de ninguém arriscar uma data, 2016 será, a julgar por suas palavras, o ano inicial de uma mudança na qual bastará um nome para entrar em contato com outro usuário qualquer.

Por outro lado, as pessoas não usam mais um só dispositivo, e é fácil que a mesma pessoa esteja no tablet ou no computador e deseje contatar seus conhecidos a partir desses dispositivos, sem a necessidade de um chip de celular. A mesma chamada feita por via telefônica poderá ser atendida indistintamente no computador ou tablet.

A Apple é outra grande empresa que pretende potencializar a comunicação interpessoal com base apenas na identidade do usuário, e para isso basta um toque no contato para estabelecer uma chamada por sua plataforma FaceTime, de VoIP e videochamada.

origem do TEXTO http://brasil.elpais.com/brasil/2016/06/22/tecnologia/1466585733_171594.html