quarta-feira, 4 de maio de 2016

Auschwitz: o holocausto é uma atração turística?

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autoria Roger Cremers


Carros lotados de turistas assomam, diariamente, ao antigo campo de extermínio nazi de Auschwitz, na Polónia. Os visitantes tiram "selfies" à entrada. O letreiro "O Trabalho Liberta" surge então na imagem, acompanhado de uma expressão sorridente ou de consternação. Mensagens como "Laugh, that's an order" ou "Wanted: God, dead or alive", estampadas nas t-shirts de alguns visitantes, fazem os restantes questionar se aquele foi realmente o local onde 1.1 milhões de pessoas perderam a vida. "Fiquei muito surpreendido por ver aquelas 't-shirts' naquele local", confessou o fotógrafo holandês Roger Cremers, "e isso deixou-me a pensar". "Será que a Segunda Guerra Mundial se transformou numa atracção turística?" Em Auschwitz, Cremers assistiu a um pouco de tudo, desde visitas guiadas por sobreviventes do próprio campo até grupos de neo-nazis que o ameaçaram fisicamente perante a possibilidade de serem fotografados. "As pessoas visitam os campos de extermínio para recordar ou para aprender algo sobre a sua história familiar ou a História europeia", disse Cremers em entrevista ao P3. "A maioria destas pessoas teve familiares que foram mortos na guerra. Outro grupo de pessoas visita estes locais por nutrir um interesse particular pela Segunda Guerra Mundial, tentam ver e visitar o máximo possível desses locais. Há ainda um terceiro grupo de pessoas que apenas tem um dia de folga e que leram (por exemplo) no "Lonely Planet" que existe um museu perto." Durante oito anos, entre 2008 e 2015, Cremers esteve presente em eventos comemorativos, locais abandonados, escavações arqueológicas, monumentos e memoriais por toda a Europa. O fotolivro que lançou em 2016, "World War II Today", contém imagens repletas de ironia que colocam em perspectiva o valor da recordação, da memória histórica e até do absurdo do que resta ainda do conflito. "Em Junho de 2012, estive presente numa cerimónia em Carentan, França, onde seis veteranos foram recebidos com grandes honras, como heróis. Um deles, um ex-paraquedista americano, Jack Womer, olhou para a multidão que se juntava na praça e perguntou à filha: "O que é que esta gente toda está aqui a fazer?". As pessoas sentiam-se gratas porque ele lutou pela liberdade de todos, mas ele já não se lembrava de nada." Ana Marques Maia

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