terça-feira, 5 de abril de 2016

22 anos sem Kurt Cobain

Foi o líder de toda uma geração ‘grounge’, esteve à frente do Nirvana –uma das bandas mais influentes nos anos noventa, com a qual vendeu perto de 95 milhões de discos–, casou-se com Courtney Love, teve uma filha, se envolveu com as drogas e não conseguiu lidar com o mundo que o rodeava. Kurt Coban se suicidou em 1994, aos 27 anos, e de sua morte nasceram um mito e dezenas de teorias conspiratórias que resgatam seu nome e lenda há 22 anos. O único documentário autorizado até a data, ‘Cobain: Montage of Heck’, o retrata como um ser humano hipercomplexo que ninguém soube muito bem como tratar. No 22º aniversário de sua morte, fazemos um retrospecto em imagens de sua trajetória pessoal e profissional.

Kurt Cobain cresceu em Washington como um menino alegre que não se separava de sua guitarra de brinquedo. Segundo conta sua tia Mari, começou a cantar aos 2 anos. Aos 4 compôs sua primeira canção, que falava de uma excursão ao parque. Foi um adolescente hiperativo que sofreu a separação dos pais como uma constante rejeição e acabou se refugiando na música. Uniu-se a Krist Novoselic e Chad Channing em 1988 e no ano seguinte gravaram o primeiro disco como Nirvana, Bleach.


“Ele fazia música para sentir que não estava sozinho”, explica a irmã, Kim Cobain. Embora a trajetória do grupo tenha sido muito curta, o Nirvana se tornou uma referência para boa parte dos jovens dos anos noventa. A banda alcançou o sucesso com seu segundo álbum, Nevermind, em 1991. A canção Smells like Teen Spirit, desse disco, se converteu em um hino geracional.


Cobain tinha dores crônicas de estomago que nenhum médico soube diagnosticar e que chegaram a afetá-lo emocionalmente. Também sofria com frequência de bronquite e era comum que usasse drogas como a maconha e a heroína, das quais era dependente.

Conheceu Courtney Love em um show em 1991, segundo o jornalista Everett True. A partir do segundo semestre desse ano começaram a ser vistos juntos com mais frequência e no início do ano seguinte ela já estava grávida. Casaram-se em fevereiro de 1992, na praia de Waikiki, no Havaí, e em agosto nasceu Frances Bean Cobain, única filha do casal.


Frances, o primeiro nome da criança, foi em homenagem a Frances McKee, da banda The Vaselines, da qual Cobain era um grande fã. Bean (feijão), seu segundo nome, se deve à aparência que o bebê tinha no primeiro ultrassom. Kurt e Courtney perderam a custódia da menina em uma ocasião por causa do vício dos dois em heroína. Frances Bean Cobain é agora uma artista visual que vivem em Nova York. A herdeira do ‘grounge’ participou como produtora executiva de ‘Cobain: Montage of Heck’, o documentário sobre seu pai. Casou-se no final de 2015 com o cantor do The Rambles, Isaiah Silva, mas em meados do mês passado anunciou que haviam iniciado os trâmites do divórcio.

O casamento de Kurt Cobain e Courtney Love foi tão precipitado quanto tempestuoso. Certa ocasião ela lhe confessou que gostaria de ser infiel a ele e, segundo Love, o músico se sentiu “terrivelmente traído”. Presume-se que essa situação seria a causa de sua primeira tentativa de suicídio, com uma overdose, em Roma, em março de 1994.


O fotógrafo Geoff Moore pôde fotografar em 2007 vários dos pertences mais pessoais do músico, incluindo guitarras, fitas cassete e uma caixa com forma de coração cheia de terços. As imagens fazem parte do livro ‘Cobain Unseen’. Ele gravava fitas de seus grupos favoritos e também canções próprias. Na foto pode-se ver um cassete com o nome “Bleach”, que acabaria sendo o do primeiro disco do Nirvana, lançado em 1989


Na coleção de objetos íntimos de Kurt Cobain também aparece um dos tênis do cantor: um par de Converse All Stars negros com a palavra ‘engorgement’ (obstrução) escrita na ponta branca de um dos pés.

Apesar da curta vida do grupo, sua meteórica carreira os levou a percorrer todo o mundo. Converteram-se na voz de uma geração que se sentia perdida. Sua fama os levou à capa das revistas de música mais prestigiadas e a participar de numerosos festivais internacionais. A pressão midiática que sofria era uma das coisas que mais atormentavam Cobain.
Kurt Cobain se suicidou em 5 de abril de 1994. Um eletricista encontrou o corpo sem vida no apartamento onde ele vivia: tinha disparado um tiro na cabeça e deixado uma nota de suicídio. Sua morte causou uma autêntica comoção no mundo da música. O jornalista da ‘Rolling Stone’ David Fricke afirmou que a geração ‘grounge’ perdia “o seu John Lennon”.
A polícia de Seattle divulgou em março cinco fotos da arma com a qual Kurt Cobain se suicidou. Usou uma escopeta Remington. Até esse momento haviam sido publicadas centenas de documentos e dezenas de fotografias sobre a morte de Cobain, mas nunca antes tinha sido mostrada a arma que ele usou.
Depois de sua morte, Cobain chegou a liderar em 2006 a lista da revista ‘Forbes’ de artistas desaparecidos com maior receita anual, à frente de Elvis Presley, que voltou a liderar essa classificação nas edições seguintes. A morte do líder do Nirvana deu lugar ao nascimento de dezenas de teorias conspiratórias que garantiam que ele tinha sido assassinado. Também surgiram numerosos documentários não autorizados, como o dirigido por Nick Broomfield, ‘Kurt & Courtney’.
No ano passado, Frances Bean Cobain e sua mãe, Courtney Love, iniciaram um processo legal para que se paralisasse a publicação de novas fotos do cantor falecido. Em abril de 2015 estreou o documentário autorizado ‘Cobain: Montage of Heck’ e alguns meses depois um programa de televisão de Seattle (Estados Unidos) quis expor imagens da cena da morte do cantor, com as quais pretendia demonstrar que ele havia sido assassinado. A filha de Cobain quis evitar a divulgação dessas imagens alegando que poderiam reavivar as teorias conspiratórias e lembrou ao juiz que um fã entrara em sua casa na Califórnia e esperara durante três dias o seu regresso porque, segundo explicou Frances Bean, “acreditava que a alma de meu pai estava no meu corpo”.

Esta é uma das fotos promocionais do segundo disco do grupo, Nevermind, que saiu em 1991 e já contava com a formação definitiva: Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl. A capa final do álbum era a conhecida imagem de um bebê olhando para a câmera, sob essa água azul. Somente nos Estados Unidos venderam 10 milhões de cópias.

< ORIGEM DO TEXTO E DAS FOTOS:http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/05/album/1459850955_761508.html#1459850955_761508_1459851125