segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sobre um deus que não faz sentido



Por Maria Costa
Deus. Sempre ouvi falar de um Deus que tem que se escrever com letra maiúscula, que nos criou, que fez o mundo, que tem o mundo nas mãos. Só Deus controla o destino. Deus que quer o melhor para cada pessoa. Deus que nos momentos difíceis nos compreende e guia. Se acreditarmos em Deus a vida toma outra dimensão, torna-se mais rica.

Eu cresci a ouvir todas estas coisas, a questioná-las, e quanto mais penso no assunto mais penso que o Homem criou Deus porque precisa de respostas a perguntas que não consegue ver respondidas. Desde sempre assim foi, desde os povos mais primitivos, aos Egípcios, aos Gregos e Romanos, que tinham a sua panóplia de deuses, cada qual responsável por uma particularidade qualquer, algum fenómeno. Na atualidade, achamos ridículo que estas civilizações tivessem tantos deuses, mas será menos ridícula a crença num único Deus, apenas porque é um, e porque há todo um contexto histórico que parece fazer sentido? E não falo apenas da religião cristã, mas sim no geral, pois sejam muçulmanos, judeus, ou de outra religião, todos acreditam em Deus, ou Deuses, com um único propósito: dar sentido à sua vida e ver respondidas questões que não nos deixam viver em paz.

Eu tenho a plena consciência de que se eu não colocasse estas questões, se me cingisse a acreditar em tudo o que me dizem, com certeza eu viveria mais em paz, mas simplesmente, não consigo (e julgo não ter de conseguir) que me faça sentido a existência de um deus quando sei que o único motivo que me levaria a acreditar seria o ter conforto, o estar descansada em relação a questões que me perturbam.

Se toda a vida uma criança aprender que comer pão faz crescer o cabelo, se na escola, se entre amigos, familiares, houver essa crença, então a criança decerto acreditará e transmitirá aos seus conhecidos, que comer pão faz crescer o cabelo. E penso que foi exatamente isso que foi acontecendo com a humanidade, criou mitos, lendas e a religião, porque precisava de a criar, precisava de sentir que de alguma forma compreendia o mundo. E assim, estas crenças foram sendo transmitidas de geração em geração, e estão já tão enraizadas nas populações, que é difícil não acreditar. Mas o que não é questionável é que ninguém sabe a verdade acerca de nada. Claro que os chamados profetas tinham mensagens importantes, não há dúvidas de que Jesus Cristo foi uma figura histórica importantíssima, mas não o vejo como um mensageiro de Deus, mas sim como alguém além do seu tempo, que tinha uma visão muito diferente do mundo e grandes valores morais.

Provavelmente nunca vamos ter respostas para muitas perguntas, e talvez seja mais fácil tolerar o desconhecido criando as respostas e convencendo-nos de que a realidade é dessa forma. Para mim, simplesmente, não faz sentido.

Sou a Maria Costa, tenho 17 anos e sou de Évora. O meu mundo é a arte, seja a fazer música, a dançar, a pintar ou a escrever, é aqui que me encontro.

ORIGEM DO TEXTO: http://lifestyle.publico.pt/adolescer/357879_sobre-um-deus-que-nao-faz-sentido