terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como saber se o seu filho é gay



 Por Elisabete Rodrigues

Existem factores que podem reverter completamente o sentimento de incompreensão e reprovação que algumas pessoas sentem em relação à homossexualidade. A homofobia pode, como que por magia, dar lugar a uma atitude quase gay friendly quando, por exemplo, um filho nos diz que é gay. O amor é, portanto, o pó mágico, a varinha de condão que faz a transformação acontecer!

Esta é a história de Celeste, mas também a história de muitas outras famílias portuguesas. A Celeste nasceu e cresceu numa época em que a homossexualidade se vivia às escondidas e não eram reconhecidos quaisquer direitos aos casais de lésbicas e gays. Uma época em que se podia condenar publicamente este tipo de orientação sexual, sem esperar ser censurado por alguém. Uma época em que os direitos LGBT não faziam parte da agenda política.

Agora as coisas são bem diferentes, costumava lamentar-se Celeste. Os casais do mesmo sexo podem casar-se e adotar crianças, passeiam-se de mão dada nas ruas, acariciam-se despudoradamente e beijam-se na boca até! A Celeste tudo isto parecia uma aberração, um sinal de que o mundo estava perdido, como habitualmente dizia. Hoje Celeste pensa de maneira bem diferente. Quando discute o tema entre amigas, nos almoços de família ou no trabalho, afirma inclusivamente coisas do tipo “na intimidade cada um faz o que quer”, “quem sou eu para condenar”, “que mal fazem às outras pessoas?”, “é melhor uma criança ser adotada por um casal de lésbicas do que crescer num lar, não acham?”.

A varinha de condão agitou-se no dia em que a sua filha, de 24 anos, decidiu finalmente confessar à mãe aquilo que a atormentava desde a adolescência. Maria tinha tanto receio de perder o amor da mãe que durante anos preferiu não partilhar com ela uma parte importante da sua vida, mas já não conseguia fazê-lo mais.

Foi em lágrimas e a tremer que a Maria contou à mãe que sempre gostou de mulheres e tinha uma namorada há dois anos, a Rita. Celeste sempre soube que a filha era diferente daquilo que esperava, mas nunca se preparou para aquele momento. Na verdade, a mãe sempre teve esperança que “aquilo” passasse, como uma doença acaba por passar. Também Maria evitou este momento, tentando durante anos relações amorosas com rapazes, beijando-os na boca à espera de sentir alguma coisa que não indiferença. Mas a indiferença permaneceu e ali está ela, em frente à mãe, à espera que o amor não desapareça. E o amor não desapareceu.

A melhor maneira de descobrir se o seu filho é homossexual é educá-lo num clima de liberdade e abertura. Certamente ele lhe dirá, pessoalmente, assim que o descobrir

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