sábado, 7 de novembro de 2015

Crianças crentes são menos altruístas do que as outras - PRIMEIRA PARTE



Investigação foi feita por seis universidades e foram inquiridas 1200 crianças entre os 5 e os 12 anos, de seis países.

As crianças de famílias crentes são menos generosas e mais rigorosas no que diz respeito ao castigo do que as que pertencem a famílias onde a religião está ausente, revela um estudo coordenado pela Universidade de Chicago, EUA.

O estudo "The Negative Association Between Religiousness and Children’s Altruism Across the World", que foi publicado na revista Current Biology, este mês, inquiriu 1200 crianças, entre os 5 e os 12 anos, dos EUA, Canadá, China, Jordânia, Turquia e África do Sul – , e envolveu académicos dos departamentos de Psicologia de seis universidades: Chicago, EUA; Toronto, Canadá; Hashemite, Jordânia; Cidade do Cabo, África do Sul; Rumelifereni Yolu, Turquia; e Sun-Yat Sen, China.

A principal conclusão é que a crença religiosa tem uma influência negativa no altruísmo das crianças. O que “contradiz o senso comum e a assumpção popular que as crianças de famílias crentes são mais altruístas e generosas do que as outras”, dizem os autores. Está errada a crença de que a religião “é vital para o desenvolvimento moral, apoiando-se na ideia de que a secularização do discurso moral reduz a generosidade humana, de facto, faz exactamente o oposto”, acrescentam.

Os investigadores questionaram cerca de 1200 crianças, entre os 5 e os 12 anos, das quais 24% eram cristãs, 43% muçulmanas, e 27,6% não tinha religião. Entre os inquiridos também havia judeus, budistas, hindus, agnósticos, mas os seus números, em termos estatísticos, eram pouco significativos.

Às crianças foram colocadas questões concretas. Por exemplo, foram-lhes dados autocolantes e dito que não existiam suficientes para todos os meninos da escola – com esta questão, procurava-se perceber se iriam partilhar os dísticos. Os inquiridos também viram um filme onde crianças empurravam e davam encontrões a outras, para perceber qual a reacção.

Assim, a observação revelou que, relativamente ao primeiro exercício, as crianças de lares cristãos e muçulmanos eram as menos altruístas. E que as mais velhas, logo as mais expostas à religião, são as que tinham respostas mais negativas.

O estudo também demonstrou que as crianças crentes julgam mais os outros do que as não crentes. E mais, “a religiosidade afecta a tendência punitiva das crianças”, continua o documento, citado pelo jornal britânico Guardian. Afinal, são as crentes que têm mais necessidade de falar em castigo e punição. Sobretudo as muçulmanas, que exigem castigos mais duros do que as cristãs ou as não crentes. Estas últimas são as que menos julgam os outros.

Também os pais foram questionados e acreditam que os seus filhos, os crentes, são “mais empáticos e mais sensíveis às necessidades dos outros”. Segundo o estudo estão enganados.

ORIGEM DA FOTO E DO TEXTO: http://lifestyle.publico.pt/noticias/355050_criancas-crentes-sao-menos-altruistas-do-que-as-outras