domingo, 28 de junho de 2015

PARA OS DEUSES TUPINIQUIM DA 'ABL', 2014 NÃO EXISTIU PARA A POESIA



"Nenhum livro publicado ao longo de 2014 agradou a comissão julgadora da entidade". É isso mesmo, para os DEUSES formada por FERREIRA GULLAR, ALBERTO DA COSTA E SILVA e CLEONICE BERARDINELLI a produção de poesia em todo território nacional no ano de 2014 se resume a isso: LIXO. Silviano Santiago no alto de sua simplicidade e sabedoria ainda disse a seguinte perola: "- Os três estão acima do bem e do mal...."

Então o trio de DEUSES FERREIRA GULLAR , ALBERTO DA COSTA E SILVA e CLEONICE BERARDINELLI assim decidiram. E pelo silencio de todos,  da classe, dos poetas e do Brasil acho que estão certo, afinal pior do que ter quer ler esse tipo de noticia é a subserviência toda em torno disso, isso sim é vergonhoso para um pais com tantos poetas, escritores, professores e intelectuais. Tudo bem,  que a noticia veio do jornal O GLOBO onde metade dos ditos imortais trabalham, isso de fato não quer dizer nada, afinal quem ousaria dizer algo.

Ninguem critica um DEUS certo? Olha só o que  Adriana Calcanhotto publicou em um diário aqui do Rio de Janeiro, :  Depois de ler esse texto, fiquei com vontade de me suicidar,  a vergonha de ser brasileiro, de morar numa ilha, de ter que suportar tamanha SUBSERVIÊNCIA, tamanha desfaçatez, tamanha mediocridade, tamanha COVARDIA. Adriana Calcanhotto provavelmente esteja certa se eu sou um analfabeto e não trabalho no Leblon,  não vou ter mesmo nenhuma chance, imagina o resto do Brasil, com seus milhões de poetas que moram no Para, em Minas, em Goias, no interior de São Paulo, faz sentido tudo isso. Acho que vou morrer essa noite.

Ok, vamos a nobre CALCANHOTTO, e seu histórico texto, milhões de vezes mais elucidativo   que a decisão da SUPREMA CORTE por esses dias. (Detalhe Adriana Calcanhotto assim como Arnaldo Antunes também É poeta). Observem no final, até o idiota do Lula entrou na prosa.

 "Decisões radicais O Brasil mais precisa nesse momento: rigor e desejo de excelência RIO- Não conheço os detalhes, mas li neste O GLOBO que a Academia Brasileira de Letras não vai premiar livros de poesia lançados em 2014. Não li todos, e provavelmente nem a maioria, de todos os livros de poesia publicados em 2014 no Brasil. Mas não acho, daqui do tempo em que os fatos se dão, que esteja sendo cometida nenhuma terrível injustiça com algum ou alguma grande poeta. Veremos mais para a frente, mas não creio serem prêmios o que determina a trajetória de uma voz poética real. Não estou aqui excluindo os livros de poesia que são escritos com a intenção de ganhar prêmios, mas esses me parecem ter menos a ver com poesia. O poeta Eucanaã Ferraz, atento às novas vozes da poesia contemporânea, torta, esquisita, no melhor sentido, declarou que alguns livros de 2014 poderiam ser premiados. Não discordo dele, primeiro por não ter autoridade para isso, e segundo porque quanto antes o maior público possível puder conhecer essa nova poesia brasileira, estranha e distanciada do sublime, sempre no melhor sentido, melhor. Mas algum livro que pudesse ser premiado é diferente de algum livro que não pudesse deixar de ser premiado. No mundo dos concursos e prêmios, em todas as artes, há a nossa tradicional cordialidade, muitas vezes em excesso. O que me atrai no gesto da Academia, mais especificamente na comissão composta por Ferreira Gullar, Cleonice Berardinelli e Alberto da Costa e Silva, que submeteram o parecer ao resto da Academia, que acatou a decisão, é justamente a radicalidade. Estamos vivendo um momento ético muito delicado no Brasil, e quando há uma banca ou um comitê deste nível do trio que tomou a decisão, de indiscutível saber, isso é muito importante, forte, saudável. Não quero entrar no mérito dos livros que não li. Gostei de alguns, outros me pareceram não acabados de todo, cada um é um. Quero apenas me colocar a favor de decisões radicais, como a da Academia, em tempos de aprovações automáticas, de compra de resultados de provas, de posições políticas, de nivelamento por baixo, de analfabetismo funcional e desprezo preguiçoso pela língua. Engana-se quem pensa que Gullar, Cleonice e Alberto da Costa e Silva não estão abertos para ler a nova poesia, que estariam fechados ou resistentes, mas ela precisa qualificar para receber o importante prêmio. Evidentemente eles não têm condições de ler tudo, mas o que de mais importante aconteceu em 2014 não lhes pareceu merecedor de premiação. Como diz sempre a professora Cleonice, ora, se o prêmio é literário (da Academia ou qualquer outro) e não há qualidade literária na obra, não pode haver voto ou prêmio, simples. Isento, pelo menos, não. O dela, pelo menos, não. E assim ocorre com os outros dois. É radical e corajosa a decisão. É disso que o Brasil mais precisa nesse momento; de rigor, de desejo de excelência. Não vamos premiar o que foi produzido, seja lá o que for, porque é o que temos, vamos premiar o que arrisca, o que alarga, o que foi escrito sem compromisso com mercado editorial, com reconhecimento ou com as coleções de prêmios. O trio de acadêmicos pode não ter lido 100% da produção poética brasileira do ano de 2014, mas sabe quando está diante de um ou uma poeta, ou de alguém que corta frases no meio e crê estar escrevendo versos. Vamos aprender a língua, a fundo, para desconstruí-la. Seria mais ou menos como dizer prestem atenção na formação como poeta do próprio Ferreira Gullar, que quando entendeu que queria escrever poesia, foi estudar gramática, foi estudar metro, rima, formas, foi aprender a língua. Foi ler a alta poesia estrangeira. Foi deixar-se impactar pelos grandes poetas do mundo em todos os tempos e não para escrever em alexandrinos ou produzir poemas redondos, sem farpas, sem espinhos, melodiosos e sem espanto. Entre outras coisas escreveu o “Poema sujo”, destruiu a linguagem em sua própria poesia para ver o que acontecia, ou seja, não se trata de um professor ortodoxo de poesia do parnaso. Por isso a importância da radicalidade da decisão da ABL. Nesta apatia em que nos encontramos, perplexos com nossa realidade, muito em parte resultado da falta de rigor na educação brasileira (e não sou eu quem acha, são os rankings internacionais que apontam, há anos, a degradação dos nossos currículos), precisamos ser sacudidos. No Brasil, quando alguém acha que se deu muito bem, diz que tirou nota 10, a nota máxima. Na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde tantos brasileiros que lá estudaram e fizeram sua formação ajudando a criar uma ideia, uma noção de Brasil, que não existia, segundo o grande historiador brasileiro José Murilo de Carvalho, a nota máxima, ainda hoje, é 20. Murilo de Carvalho diz que a sensação de brasilidade era inexistente até que os brasileiros estudantes em Coimbra passaram a pensar em uma ideia de unidade política para o Brasil. Na Universidade de Coimbra está antes de tudo o amor ao conhecimento. Precisamos aprender a admirar a excelência, a desejá-la. Acho muito boa a decisão da Academia sobretudo para nós, que escrevemos, em prosa ou verso, em língua portuguesa, ou mais especificamente, no Brasil. Vamos pensar nisso. Falar disso. Discutir. Eu que ando sem graça nenhuma me animei com o sopro, com o toque que a decisão nos proporciona. Temo que, se não seguirmos por esse rumo, é possível que em alguns anos os livros de história digam que foi Lula quem descobriu o Brasil. E que acabem premiados. Ponto para a Academia."http://oglobo.globo.com/cultura/decisoes-radicais-16580469 Não, Calcanhotto ainda não é da ABL, entretanto se morrer 4 'imortais' em 2015, a quarta vaga é dela. Dúvida ? Se até O Merval Pereira conseguiu.... Maldita ilha, essa nossa.