sexta-feira, 19 de junho de 2015

A NEUROSE DA FACA NO RIO DE JANEIRO É HILARIAMENTE FANTASTICA DE TÃO HIPOCRITA


Lembro bem, na manhã seguinte ao esfaqueamento do ciclista na Lagoa, chegando as 6:30 para trabalhar, convidei o vigia do prédio vizinho para tomar um cafezinho, dei um 'bom dia' e ele respondeu: "não sei se é um bom dia amigo, a 'Fernandinha' acabou de falar que esfaquearam um amigo dela na Lagoa ontem a noite", ainda comentei que tinha visto algo na TV antes de sair de casa e que o ciclista  não tinha resistido  aos ferimento e morreu, enquanto tomava café, fiquei pensando, por um breve instante se era alguém que conhecia... enfim, coisas do RIO DE JANEIRO, que só assusta mesmo quando acontece ao nosso lado, mesmo porque o ato de SER ESFAQUEADO, de 'METER A FACA EM ALGUEM', é algo rotineiro, algo escandalosamente comum no Brasil, tanto faz se na região NORTE, SUL ou SUDESTE,  É GENERALIZADO NO PAIS, BASTA FAZER UMA RAPIDA VISITA EM QUALQUER EMERGENCIA, em qualquer hospital publico para constatar in loco a quantidade de gente que chega ESFAQUEADA a todo momento, em todos os dias.

E de repente como um passe de magica, essa macabra rotina do pais, passou a ser MANCHETE na televisão, na grande mídia, foram centenas de aloprados metidos  a intelectuais comentando sobre o assunto, como se isso fosse algo inédito, parece que esse suposto surto de pessoas sendo esfaqueada, de pessoas que rouba usando a faca como arma, é novo,  até uma lei patética inventaram aqui no  Rio para resolver a novidade, para dar conta de tantas facas nas ruas, agora mesmo li numa entrevista a seguinte lorota vindo de um tal FABIO BARBIRATO, que vem a ser um psiquiatra infantil, ele disse: "Desde o esfaqueamento do ciclista na Lagoa, todos os jovens que passaram pelo consultório assumiram o medo de os pais não voltarem para casa ou de eles próprios serem feridos. Isso gera uma ansiedade desmedida".  Obvio, a clientela desse psiquiatra devem ser todos moradores dos bairros NOBRES da ZONA SUL carioca, É ISSO, os pobrezinhos moradores desses bairros estão em PANICO, tão somente porque algo tipicamente  NACIONAL  aconteceu próximo de seu prédio.

Se formos analisar friamente todo esse contexto, vamos perceber uma hilaridade fantástica em relação a tudo que se formou em torno desse fato. No fim, o Brasil as vezes, ou seria quase sempre? esquece que somos uma sociedade VIOLENTA AO EXTREMO, e que a FACA é apenas uma imperceptível peça nesse xadrez.

Precisamos reconhecer, admitir, que o problema da violência no Brasil, com ou sem FACA, é algo que há décadas assusta, nossos índices são alarmantes, assim como assusta também nossa eterna passividade, nossa eterna HIPOCRISIA.