quarta-feira, 27 de maio de 2015

SERÁ QUE O HOMEM SE LEVA DEMASIADO A SÉRIO?



POR MARIA COSTA

Com o evoluir das sociedades, a ação humana tem vindo a ganhar proporções no mundo cada vez maiores e mais assustadoras. E coloco a questão: será que o Homem se leva demasiado a sério?


A conjectura social atual, englobando todas as guerras, problemas ambientais e sociais, pedem desesperadamente uma sociedade mais justa, em que haja um equilíbrio entre o ser humano e a natureza. Há que ter a consciência da responsabilidade e do impacto que cada um de nós tem, através das ações que praticamos todos os dias porque, efetivamente, não vivemos sozinhos, fazemos parte de um todo. Sartre dizia “O outro é indispensável à minha existência”. O homem tem vindo a atribuir-se um estatuto de superioridade em relação a tudo o que o rodeia. Não estará na hora de começarmos a relativizar aquilo que somos?


Desde sempre que o não saber o porquê de existir me tem atormentado. Talvez porque a minha relação com a morte nunca foi fácil e sou por natureza uma pessoa negativa em relação à vida. Tenho medo da morte. Podia simplesmente evitar pensar nisso, mas é efetivamente algo que vai acontecer, que está fora do meu controlo e isso assusta-me.


Assusta-me não saber onde estou. Sabemos que vivemos no planeta Terra, que se situa na via Láctea, que faz parte do enorme e infinito Universo. Mas o que é o Universo? Será possível que este seja mesmo infinito? Não é possível! Há tantas teorias, mas de facto não passam disso. Estamos pendurados num enorme ponto de interrogação para o qual parece não haver resposta. Estaremos literalmente no meio do nada?


Quando penso no Universo infinito e no que poderá haver depois dele, ou não, imagino uma imensidão branca que encandeia a vista, sinto que acabei de levar um murro no estômago e perco o ar. Tenho muito medo. No entanto, não deixo de achar tudo isto fascinante. Porque o é. Só o facto de eu conseguir respirar me fascina. Só o pequeno facto de pestanejarmos mostra os quão complexos somos. No meu entender fazemos parte de algo tão grande, tão complexo que nenhum de nós faz a mínima ideia onde está ou porque está verdadeiramente vivo, se é que estar vivo é realmente real.
Sinto-me muitas vezes muito pequena, sem poder fazer nada. Sem controlo de nada e sem sentido nenhum, como se eu própria fosse um absurdo. Lembro-me muitas vezes do que Álvaro de Campos dizia no poema “Tabacaria”:


"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"


Não será que o Homem tem tentado alterar coisas que não lhe compete mudar? Ou será que existe um Deus, seja uma entidade ou simplesmente algo, que nos colocou aqui para algum fim concreto? Porque será que passamos tanto tempo com pressa, quando fomos nós que criamos a noção de tempo? E porque o fizemos? Porque que é que cada vez mais precisamos de estrutura? Porque é cada vez mais somos todos mais iguais uns aos outros?


Perguntas e perguntas e perguntas sem resposta.


Ainda assim, tento, como todos, encontrar algum sentido para a minha existência. Acho que mesmo quem diz que a vida não tem sentido, lhe tenta dar algum sentido. Um ateu que diga não acreditar em Deus, já está a acreditar em algo e a traçar a sua vida a partir daí. Eu, mais uma que ando por aqui, tenho as minhas formas de me sentir gente. Tenho os meus instrumentos de sobrevivência. E espero, que de algum modo, consiga ser feliz à minha maneira.


Sou a Maria Costa, tenho 16 anos e sou de Évora. O meu mundo é a arte, seja a fazer música, a dançar, a pintar ou a escrever, é aqui que me encontro.

ORIGEM DO TEXTO: http://lifestyle.publico.pt/adolescer/348937_perguntas-e-perguntas-sem-resposta