quinta-feira, 16 de abril de 2015

ODE A ARTE DE MALLU MAGALHAES

ORIGEM DO TEXTO E DAS FOTOS: http://p3.publico.pt/cultura/mp3/16209/mallu-magalhaes-sem-guitarra-so-pincel
 



























Conhecemo-la de guitarra na mão, voz semicerradamente doce, atrás do microfone. Mas a Mallu Magalhães ilustradora sempre existiu. Com 15 anos, quando nasceu na Internet, na época áurea do MySpace, já acompanhava os seus primeiros trabalhos com ilustrações. Nos últimos tempos assinou encartes e capas de discos para artistas como Tom Zé e Bruno Capinan e colaborou com coleções de roupa. Para a cantora brasileira, desenhar é mais do que um simples passatempo. "É um refúgio, é um paraíso", conta, em entrevista por e-mail ao P3. E pode vir a dar um livro. "Não vejo o tempo passar quando pinto ou desenho." Por isso, ao embarcar na Banda do Mar, projeto transatlântico feito a seis mãos — as de Mallu, as do marido Marcelo Camelo (Los Hermanos) e as do português Fred Ferreira (Orelha Negra, 5-30) — ficou responsável pela identidade visual do coletivo, inclusive do "merchandising". "Foi um presente que os meninos me deram", diz, carinhosamente, a compositora de 23 anos. Nos cartazes que tem feito para anunciar concertos tenta "traduzir a alma da banda", através de referências vistas em revistas, livros, enfim, "na vida". "Procuro elementos que vibrem na mesma sintonia do nosso trabalho." E, claro, o concerto de 5 de Junho no NOS Primavera Sound já teve honras de cartaz, com flores e menina a preceito. "Ficamos radiantes quando foi confirmada a nossa participação." Prometido está um concerto "caloroso e energético, mas atento aos detalhes", com o foco no álbum homónimo, lançado no ano passado, mas sem esquecer alguns "clássicos", ou seja, um piscar de olho aos projetos com que se apresentaram ao mundo.

Em Agosto, em entrevista ao PÚBLICO, a Banda do Mar apresentava-se como um "encontro de amigos", um prolongamento quase involuntário de uma amizade a três, um grupo musical guiado por um "espírito mais desarrumado", impulsionado também pela mudança do casal brasileiro para Lisboa. Entretanto, apareceu uma digressão portuguesa com salas esgotadas (com um novo fôlego a partir de Maio), e uma outra brasileira, ainda a decorrer, com iguais números. O álbum uniu assim o Atlântico, com um punhado de canções simples, orelhudas, soalheiras. "Sabíamos que um encontro destes teria o seu espaço e visibilidade, mas não imaginamos tanto!", confessa Mallu. "Claro que a maioria do público já nos conhecia, mas há uma nova parcela que não conhecia nem os trabalhos a solo, nem os Los Hermano ou os Orelha Negra, e que acaba sabendo da Banda e curte o som. Isso é muito gratificante: ver que a Banda já criou sua vida própria e trilha o seu próprio caminho."

Ainda este ano, deverá sair um DVD. É cedo para falar num segundo álbum, mas já têm surgido algumas canções novas "com cara de Banda do Mar". O sucesso pode mudar a "onda" da Banda do Mar? Para Mallu Magalhães, a "necessidade natural de alegria que os bons amigos têm" guiará sempre o espírito do trio. Sabe do que fala, tendo em conta que, depois de três discos a solo, esta é a sua primeira banda: "Na carreira a solo, a pressão e a solidão são um desafio. Na banda, é tudo mais ameno, mais divertido e menos traumático." Estar num grupo "ameniza qualquer dor". E talvez seja isso que se escuta em "Dia Clarear", "Mais Ninguém", "Hey Nana". "(...) Acho que para a Banda reservamos as canções de dançar e sorrir e não tanto as de chorar e pensar". AR