domingo, 5 de outubro de 2014

A BANALIDADE DO MEDO

Hieronymus Bosch



Quando Hannah Arendt cunhou a expressão "banalidade do mal', ela não imaginava que décadas depois isso se tornaria em algo ainda mais banal em termos de insignificância e indiferença. Quando acompanhamos ao vivo pessoas sendo decapitadas, quando assistimos a forma genocida, covarde e preconceituosa com os africanos são tratados em relação ao ebola, quando assistimos o exercito israelense atacando e matando centenas de crianças, quando ficamos sabendo a forma desumana que os europeus trata os milhares de imigrantes que a cada semana tenta chegar na Europa, ou ainda quando temos o NOBEL DA PAZ que todos os dias envia drones para matar centenas de inocentes, quando tudo isso acontece num espaço de tempo inferior a 12 meses, somos obrigados a chegar nessa conclusão: não existe , não é mais banal, é apenas rotina, faz parte do dia a dia da sociedade atual, algo tão comum que no fim merece apenas um simples, e imperceptível 'curtir de indignação'.

Se o mal é rotina, o medo, o todo poderoso "MEDO",  perde de forma assustadoramente rápida seu status quo, os escoceses confirmaram essa tendência, que denomino como a 'BANALIDADE DO MEDO' que vem a ser o medo de perder os privilégios do estado, os brasileiros, apesar  de dizerem que querem mudanças, ao mesmo tempo que na primeira oportunidade que tem para provar isso, o que fazemos?? nós simplesmente vamos eleger os mesmos políticos, o mesmo partido, presidente, senador, governador, etc....

A BANALIDADE DO MEDO é um misto de covardia, alienação e medo, em pró de um suposto conforto financeiro, com isso deixamos de lado nossa própria liberdade, nossa própria percepção do que realmente seja conforto financeiro, a própria razão, por um tipo de subsidio que qualquer governo é obrigado a se comprometer, isso aconteceu na Escócia, quando de uma forma alienada e covarde, eles disseram não a sua própria independência em relação a Rainha, eles  simplesmente não desejam caminhar livre, preferem obvio o conforto, a proteção que  Inglaterra provem. No Brasil isso vai além, pois mesmo com índices ridículos em termos de EDUCAÇÃO, uma infraestrutura horrível, uma burocracia assassina, uma saúde genocida onde pessoas morrem rotineiramente na porta dos hospitais, onde se fica meses, anos esperando uma consulta, uma operação tida como emergencial, ainda assim a sociedade se recuar a mudar, a BANALIDADE DO MEDO é isso, contrariando tudo isso, as pessoas se recusam a dar um passo além do conforto financeiro que o Estado lhes dá, quando  um presidente mente para manter o poder, quando se cria uma rede de mentira, conspiração, e o mais dramático quando toda uma sociedade participa, acredita em tudo isso, está definitivamente criada o TERMO A BANALIDADE DO MEDO, toda uma geração está sendo criada nesses termos. Em breve volto ao tema

Ter medo hoje é isso, basta que alguém ameace, mesmo que remotamente acabar com os subsídios do governo, pronto basta que isso aconteça para que o MEDO se alastre, com isso toda uma sociedade fica refém de sua própria covardia, sua alienação, sua própria incapacidade de se expressar.

O medo de mudar, de mudanças na estrutura milenar e arcaica de uma sociedade, é um entrave para seu próprio futuro.