sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Quer um filho feliz e equilibrado? Ame com regras e limites



POR  CLAUDIA BANCALEIRO

Não há pais perfeitos e a imperfeição faz parte do crescimento de uma criança. Mas é possível ajudar um filho a ser melhor e para isso é necessário um equilíbrio saudável entre ensino, disciplina e amor.

 A tarefa pode parecer difícil quando um pai tem à sua frente um filho insolente ou teimoso. Como amar e educar ao mesmo tempo? O pediatra Mário Cordeiro diz que é possível. Basta entender que o amor também é expresso no estabelecimento de limites e de regras

 “O amor é indissociável da educação”. Este é o pensamento base do mais recente livro de Mário Cordeiro, Educar com Amor (A Esfera dos Livros). Para alguns pais pode parecer confuso que ao educar uma criança o amor possa ficar de lado, porque associam o método de educar ao repreender e em casos de desespero ao gritar e dar umas palmadas.

 No livro do pediatra e autor de outros títulos sobre a infância e adolescência, de 58 anos, pai de cinco filhos e com cinco netos, há exemplos de casos reais e ajudas para resolver situações mais complicadas, dando a compreender aos pais o que está por detrás de birras, um determinado sentimento ou uma mentira criada pela criança. Mário Cordeiro dedica também alguns capítulos à forma de ajudar um filho a lidar com sentimentos negativos ou a ser mais alegre, não deixando de sublinhar a importância de aprender as qualidades humanas, desenvolver o sentido de ética e princípios educativos.

 O pediatra quer suscitar o debate destas questões entre os pais e começa por afirmar que “educar representa um grande investimento de ‘energia’, de disponibilidade, de muitas vezes hesitar por não se saber se se está a agir bem, mal ou a ser incoerente e inconsistente”. Mas “isso é amor”, sublinha ao Life&Style. Não gostar de um filho seria “deixar a criança fazer tudo o que queria e não se importar que se tornasse, certamente, num adulto irresponsável, desagradável e disfuncional, ou seja, numa pessoa péssima e num cidadão execrável”.

 Aqui pode surgir outro problema: Como fazer entender a um filho que o educamos por amor? “Dizendo-lho, demonstrando-o, compreendendo as suas acções mesmo que as condenemos e proponhamos um castigo”, explica Mário Cordeiro, que se opõe à saída mais fácil adoptada por alguns progenitores “dar dois berros e nada explicar, não mostrar empatia e agredir, ou então ignorar e não educar”. Mas isso não é amor, sublinha.

 O pediatra afirma que numa relação entre pai e filho o amor verdadeiro “não se cobra”, é “oblativo”. Por outro lado, o “amor não é incondicional”, alerta. “Há condições como o respeito, o salvaguardar a imagem e a pessoa do outro, o seu espaço, as suas ideias, gostos e opções”.

 Quanto aos pais que protegem demasiado os filhos, o que pode afectar a imposição de disciplina, Mário Cordeiro reforça que amor nunca é em demasia, a protecção extrema é que pode ser perigosa. Isto porque a superprotecção pode tornar-se “numa espécie de redoma claustrofóbica que prejudica o desenvolvimento de uma autonomia responsável e cuidadosa” da criança.

 Tarefa complexa

Sublinhando que os pais não devem ter a ambição de serem perfeitos, o pediatra defende que estes devem ser os “melhores pais que o filho deles pode ter”. “Devem pensar se podem ser melhores em termos absolutos e aperfeiçoar-se dia-a-dia, no quotidiano e na expressão de sentimentos, sem ter receio de amar os filhos e de o dizer e mostrar ao próprio”, argumenta, reforçando que “este amor tem de ser expresso no estabelecimento de limites e de regras”.

ORIGEM DO TEXTO: http://lifestyle.publico.pt/artigos/339235_quer-um-filho-feliz-e-equilibrado-ame-com-regras-e-limites