domingo, 31 de março de 2013

ELA SE JOGOU DA JANELA DO SETIMO ANDAR



Semana passada uma vizinha, conhecida se jogou da janela do sétimo andar, demorei alguns dias para acreditar, se era boato da vizinhança, com a pessoa errada, ou se de fato era verdade, a garota era bonita, simpática, educada, era mãe de um garoto de 10 anos, gostava de passear com seus dois cachorrinhos, era profissional, trabalhava, era enfermeira, tinha umas tatuagens maneiras pelo corpo, não tinha vícios, da ultima vez que cumprimentei ela, dois dias antes, eu  toquei em seu ombro e disse - oi meu anjo, e ela responde - oi meu amor, sempre sorrindo, era ela assim,  sempre cumprimentava as pessoas de uma forma carinhosa e sempre sorridente, dizem que ela tinha depressão. De fato ela se jogou da janela do sétimo andar, os motivos, sinceramente não sei, só sei que desde então não vi mais ela, é estranho. Alguem AINDA OUVIU SUA ULTIMA FRASE ANTES DE SE JOGAR: ó meu deus.

O que me chama à atenção no suicida não é sua coragem, em por exemplo se jogar de uma janela de apartamento,  de uma ponte, ou de dar um tiro na própria cabeça, ou então o mais popular de todas as formas de suicídio a famosa corda no pescoço, não, nada disso me impressiona, o que me deixa pasmo é a aparente normalidade naqueles dias que antecedem o ato, é sobretudo como essas pessoas conseguem sorrir, ser simpáticas e educadas, sendo que dentro de si estão vivendo e sentindo um estado de terror absurdo e absoluto, indescritível diria, numa dor, num desespero insuportavel, isso realmente é assustador.

Isso tudo me leva a concluir que  em alguns casos, ou em algumas ocasiões a mente humana, a nossa mente, cérebro se torna num incontrolavel monstro assassino. Uma mente que consome e destrói o próprio ser, quase sempre contra sua própria vontade. Nesses casos a medicina ainda esta na idade da pedra, e por falar em medicina o obvio tem que ser dito: ao invés de se gastar bilhões de dólares desbravando o UNIVERSO, em missões robóticas e ridículas a Marte por exemplo , quase sempre tentando descobrir coisas bisonhas como por exemplo se existem ou não algum microbio no planetinha, deveríamos sim aproveitar parte  desse absurdo de dinheiro tentando desbravar nosso próprio cérebro, que é, a meu ver infinitamente mais complexo e fantástico que o Universo.

A prioridade do homem enquanto humano, enquanto vivo tem que ser ele próprio, coisas irrelevantes
 fica para tempos posteriores.