domingo, 23 de dezembro de 2012

'A MORTE' DE IVAN ILITCH, segundo TOLSTOI - PARTE II



No capitulo 'VII' Tolstoi escreve: "Como se dera aquilo, no decorrer do terceiro mês da doença de IVAN ILITCH, ninguém saberia dize-lo, pois a coisa se deu pouco a pouco, mas aconteceu, sem que se percebesse, que sua mulher, sua filha, seu filho, os criados, os amigos, os médicos e de modo todo especial o próprio Ivan Ilitch, compreenderam que todo o interesse da sua situação para os outros se resumia em saber quando desocuparia o beco, quando libertaria os vivos do incômodo que a sua presença ocasionava e quando se libertaria ele próprio dos seus sofrimentos."

A principio ninguém está livre de algo terrível, de uma doença devastadora, dessas enfermidade que a cada dia piora, que a cada semana a dor enlouquece, que a cada mês a carne apodrece. Diante de um 'sofrimento absurdo', é de se questionar, até onde aquentamos, até onde o próprio doente suporta, ou para ser mais explicito, até onde a própria família aquenta....?? As vezes pensamos: - o melhor é que morra o quanto antes, assim todos descansam um pouco, assim caba o sofrimento para todos, inclusive dele próprio, o moribundo.

É necessário  antes de qualquer hipocrisia separar a dor, o sofrimento, no caso da família, de pessoas que convivem com o doente terminal, há, antes de tudo, antes mesmo da compaixão, há de haver amor, respeito, carinho, afeto para com o doente, assim sem este raro detalhe não é, de fato possível cuidar, ou mesmo conviver com uma pessoa de posse de um 'sofrimento absurdo', resumindo se há algum tipo de cumplicidade não há espaço para sofrimento no sentido literal, pois o amor em forma de respeito carinho e afeto preenche, e faz desse cuidado para  com o doente uma rotina qualquer, se não prazerosa, uma rotina agradável, é obvio que isso, como já disse se trata sobretudo de um 'rarissimo detalhe', pois tirando a hipocrisia, o resto é um sofrimento marcado pela ausência de respeito para com o ente doente, ai sim, resta aquele tipo de pensamento: - quanto mais cedo "ele desocupar o beco", melhor , menos sofrimentos para ele e para nós, não é assim que reagimos, pensamos e  desejamos???

Por outro lado, tem o sofrimento bruto, devastador, absurdo do doente terminal, e aí, como suportar um dor insuportavel, como suportar a vida indo embora na nossa frente, como suportar a hipocrisia da piedade, da compaixão, da misericordia das pessoas em volta? como suportar o cheiro da morte todas as manhas, as tardes as interminaveis noites, como continuar vivo, ou melhor lutando pela vida, sem nenhum tipo  de esperança remota?? como???????

Tirando, mais uma vez a hipocrisia de lado, principalmente a religiosa, só há uma única solução: EUTANÁSIA, por meios direto ou indireto,pois  o resto, bom o resto meus amigos, pode-se perfeitamente substituir o SOFRIMENTO ABSURDO, por uma HIPOCRISIA ABSURDA.

CONTINUA AMANHA.