quinta-feira, 22 de março de 2012

DE COMO NOS TORNAMOS COVARDES


 Dia desse li uma pequena parte do livro "O CHALÉ DA MEMORIA", do historiador inglês TONY JUDT (1948/2010), o escritor "constrói um relato muito pessoal da EUROPA no seculo 20". O capitulo  em questão li na revista BRAVO!(http://bravonline.abril.com.br/revista), "O ensaio autobiográfico trata do clima de contestação que tomou conta da juventude europeia em 1968".

Em um trecho de "O CHALÉ DA MEMORIA", o historiador escreve "Concentrávamos nossa energia na discussão sobre o que havia de errado no mundo e em como transformá-lo. Protestávamos contra as coisas de que não gostávamos e estávamos certos em fazer isso. Aos nossos olhos , éramos uma geração revolucionária".

O livro em questão é historia, historia bruta e recente, mais apenas historia, algo impensável nos dias de hoje, de acontecer novamente em tempos de INTERNET. Hoje o máximo que conseguimos em termos de rebeldia, é sentar em frente ao computador e escrever um e-mail 'desaforado', um e-mail (supostamente dizendo que sim que estamos chocados, que estamos de FATO INDIGNADOS, PURA HIPOCRISIA, PURA FALSIDADE, daqui a 30 segundos estamos sorrindo descaradamente de um programa humorístico qualquer, de uma novela qualquer) para redação de um jornal qualquer,  contra algo que está ocorrendo naquele exato momento, ou pior, tuitar.   Com a tecnologia, a desigualdade, a intolerância, a brutalidade, criminalidade, e o preconceito estão , está mais presente, faz parte do nosso dia-a-dia. Ninguém se sente responsável pela sociedade, apesar de todos viverem em sociedade. Hoje temos comida, emprego e entretenimento, e isso basta. No passado não muito passado, não muito distante também havia emprego, comida e entretenimento, mais... não era suficiente, a alienação era nula, o que mudou. Há milhões de hipóteses, a minha preferida é que diz que hoje somos uma nação, uma civilização de COVARDES não por imposição ou algo do tipo, e sim por comodidade, por egoismo e estupidez. A primeira grande geração de COVARDES se formou nos anos 90, de lá para cá a  coisa se generalizou, somos todos, covardes e hipócritas, e quem não é, é apenas um débil, nada mais, alguem que não participa do sistema, do dito mundo globalizado e compartilhavel. E não me venha me falar em primavera árabe, ou aquela outra gaiatice de Wall Street, tudo ilusão, passageiro e irrisório. Nós nos tornamos covardes e indiferente, nós nos sentimos diferente, nos achamos inteligente, sabemos de tudo, estamos sempre por dentro de tudo, no entanto nós não nos sentimos como parte desse tudo, é emblemático, esquizofrenico diria. Todos os dias pessoas morem em portas de hospitais, morrem de fome, morrem consumida  pelas drogas, pelo nosso egoismo e pela nossa indiferença. Nada disso é motivo para rebeldia, para gritos, para quebrar vidraças, para proclamar uma mudança. Hoje qualquer ato de rebeldia é radicalmente taxado de vandalismo, de anarquia de incivilidade. POBRE CIVILIZAÇÃO, nunca fomos tão civilizados, tão educados e consequentemente tão idiotas, alienados, egoístas e felizes.

DE COMO NOS TORNAMOS COVARDES, o post de ontem foi o de NUMERO 1 000 do blog XAMBIOÁ NOSSA VERDADE INCONVENIENTE, nestes 1000 post está a resposta DE COMO NOS TORNAMOS COVARDES, cada post, contem uma resposta, um questionamento, um momento de pura rebeldia, porque é isto que forma a essência desse BLOG REBELDIA, INQUIETAÇÃO, ANARQUIA, SARCASMO E SOBRETUDO CIDADANIA. E que venha mais 1000 post, o mundo está  em brasas, está sedento de cidadãos consciente de sua CIDADANIA. É este o legado que deixo futuramente para minha filha, tenha educação, mais tenha discernimento, tenha prazer em mostrar sua cidadania, em lutar, se não por algo melhor, por um futuro melhor,  pelo menos por um DIA MELHOR. Ser covarde, JAMAIS.

O BLOG RECOMENDA: O CHALÉ DA MEMORIA, de TONY JUDT, Tradução Celso
Nogueira, EDITORA OBJETIVA, 224 paginas preço sugerido 33,00 (http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=1084)