quarta-feira, 23 de março de 2011

MONTAIGNE, Da incoerencia de nossas atitudes - PARTE 5

 "Não somente o vento dos acontecimentos me agita conforme o rumo de onde vem, como eu mesmo me agito e perturbo em consequencia da instabilidade da posição em que esteja. Quem se examina de perto raramente se vê duas vezes no mesmo estado. Dou a minha alma ora um aspecto, ou outro, segundo o lado para o qual me volto. Se falo de mim de diversas maneiras è porque me olho de diferentes modos. Todas as contradições em mim se deparam, no fundo como na forma. Envergonhado, insolente, casto, libidinoso, tagarela, tolo, aborrecido, complacente, mentiroso, sincero, sábio, ignorante, liberal e avarento, e pródigo, assim me vejo de acordo com cada mudança que se opera em mim. E quem quer que se estude atentamente reconhecerá igualmente em si, e até em seu julgamento, essa mesma volubilidade, essa mesma discondancia. Não posso aplicar a mim mesmo um juízo completo, simples, sólido, sem conclusão nem mistura, nem o exprimir com uma só palavra. DISTINGUO è o termo mais encontradico em meu raciocínio"

Qual o homem suficiente sincero a respeito de si mesmo, ou quem teria suficiente ego para mostrar, descrever, toda sua essência, toda sua totalidade?  Vos digo, só há uma única maneira do homem mostrar sua totalidade, sua essência è lamentavelmente após algumas semanas de sua morte, pois somente assim ele è posto a prova de si mesmo, ou seja naquele momento em que só lhe resta os ossos nada mais, os ossos humano è o que existe de mais verdadeiro no ser humano, o resto è pura HIPOCRISIA, sobre o que somos e o que nunca vamos ser, ou coisas do género.

CONTINUA AMANHA