sábado, 12 de fevereiro de 2011

OS KARAMÁZOVI de DOSTOIÉVSKI - PARTE 4

FRASE DE IVÃ KARAMAZOV: "Responda-me , francamente. Imagina que os destinos da humanidade estejam entre tuas mãos e que, para tornar as pessoas definitivamente felizes, proporcionar-lhes afinal a paz e o repouso, seja indispensável torturar um ser apenas, a CRIANÇA que batia no peito com seu pequeno punho, e basear sobre suas lágrimas a felicidade futura... Não posso resolver essa questão. Se todos devem sofrer, a fim de concorrer com seu sofrimento para a harmonia eterna, qual o papel das CRIANÇAS? Não se compreende por que deveriam sofrer, também elas, em nome da harmonia. Por que serviriam de materiais destinado a prepara-la? Compreendo bem a solidariedade do pecado e do castigo, mas não pode ela aplicar-se aos INOCENTINHOS, e se na verdade são solidários com os malfeitos de seus pais, é uma verdade que não é deste mundo e que eu não compreendo".

Este parte é de arrepiar, e sempre vem a pergunta por que as crianças sofrem, morrem,  e  trucidadas todos os dias mundo afora???? Tempos atrás eu escrevi uma serie de post tentando responder, ou melhor entender este enigma da humanidade, ou seria da obscuridade celestial?? e é quase impossível não sentir revolta e indignação quando se analisa friamente este questionamento

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EIS A INTEGRA DO POST, PUBLICADO AQUI NO DIA 11 de junho de 2009

PAI, POR QUE AS CRIANÇAS MORRERAM?

 

Algo sempre me incomodou, por que morrem, todos os dias, milhares de crianças bebes, mundo afora?

Pode ser que a resposta seja aquela velha observação, "que isto são os desígnio de Deus" e coisa e tal, no entanto sempre que morrem tantas crianças no mesmo dia e horário-juntas, como no incêndio da semana passada, que matou mais de 40 crianças com idade inferior a 5 anos, algo me incomoda, e me faz pensar muito além do conveniente, do aceitável e do propagado.

Albert Camus, escreveu certa vez: "só existe um problema filosófico realmente sério: é o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à questão fundamental da filosofia". Não sei bem o motivo, pelo qual resolvi citar Camus, embora algo me diz que até o final deste texto, vai haver um paralelo, considerações sobre o suicídio e a mortes de crianças.(no 'post' "Tá lá um corpo caído no chão" eu comento sobre este velho dilema da humanidade: suicídio)

Para todos os fins crianças, são anjos, doces e imaculadas, são inocentes ao extremos, são meros grãos, ou seja não é justo mesmo que milhares delas morres por motivos banais, idiotas. É provável que a morte destas crianças representam, ou melhor,... é isto mesmo, representam, muito mais do que normalmente poderíamos imaginar. Ao negar a plenitude da vida a estas crianças, a vida nos impõem um dilema, por que uns tem direito e outros não, por que a vida é indiferente, será que alguns são mais sortudo, ou será que no fundo tudo não passa de um magnifico sonho, não no sentido platónico do termo, mas literal, a nossa vida é um daqueles sonhos com começo, meio e fim, um daqueles tipos de sonhos que nos envolvem toda uma noite, é claro que este sonho pode se tornar um pesadelo, vai depender do que fazemos de nossas vidas, baseado nisto a morte prematura de uma criança, significa apenas a interrupção do sonho, logo no inicio.

Ao negar a plenitude da vida, de se viver para estas crianças, esta se negando o conceito de plenitude, o conceito de verdade, e provavelmente o conceito de razão, é como se no final nós tivéssemos a mesma representatividade da plenitude da vida de uma formiga, ou seja, por mais que tentamos, a nossa vida tem o mesmo valor da vida de uma formiga, o que isto significa? apenas que não somos nada, que o nosso pensar, a nossa razão, o nosso bom senso, a nossa verdade, filosofia e religiosidade, só tem, uma única serventia....... nada, nenhuma, é como se nossa existência fosse apenas um bonito e agradável acaso do planeta Terra, acaso este que terminou por se transformar em uma grande praga, e assim como as formigas, nós somos uma detestável praga para o planeta.

Tudo isto me faz lembrar , de um bonito dilema, qual o sentido da vida, na verdade como esperar, como pensar em sentido para a vida, no mesmo instante que morrem milhares de crianças mundo afora, esta afirmação, este conceito, questionamento, pensamento, na realidade só serve para aqueles que tiveram a maravilhosa oportunidade, experiência de viver, a vida em sua plenitude, porque se conseguiram chegar aos 30, 40 anos, é sem duvida porque tivemos a plenitude da vida, e o sentido da vida, é no final um questionamento meramente egoísta, coisa de quem ama a si mesmo, ama se engrandecer, coisa de quem adora tripudiar em cima do próprio conceito de vida, de se viver. Ao se negar a plenitude da vida para estas crianças, se está também negando todo , e quaisquer discussão em torno da irrelevancia do 'sentido da vida'.

O propósito da morte destas crianças talvez, seja mesmo para nos alertar que por mais que tentamos, por mais que especulamos a nossa vida, é algo de desproporcional com a nossa própria vida, o valor das coisas, a dimensão destes valores soa pequeno, diante da complexidade da questão, é como se tudo que estudamos, e sabemos não tem nenhuma relevância, de concreto, toda sabedoria humana, só é útil para se proteger das inúmeras adversidades que o planeta nos oferece. A nossa existência só se justifica se for pela otica da sobrevivência, a qualquer custo, e isto não nos dá o direito de nos considerarmos racionais, inteligente perante a formiga, porque do resto nada serve, nem mesmo para nos tornar mais felizes, ou mais bonito, do que vale a inteligência se sua única serventia é enobrecer o homem, é tornar o homem mais invejado, mais exemplar, e isto para que? para seu semelhante? Somos o que pensamos que somos, por somos únicos, e só.

Não me agrada a ideia de ridicularizar o homem diante de si mesmo, mais o que fazer se a cada dia estamos mais 'sublime', é preciso que alguém, um idiota, pode ser, para lembrar que ao negar a plenitude da vida para estas crianças, se está também negando o nosso próprio conceito de genialidade, de intelectualidade, o homem vive para si, pensa para si, existe para si, é necessário mesmo lembrar que assim como as formigar somos apenas meros seres desprezáveis, e que o valor de cada um, representa apenas o que representa uma gota no oceano, como se dá valor ao que não se tem, por acaso você pensa, antes de esmagar uma formiga?
É preciso sempre lembrar ao homem o que ele É, e não, enaltecer o que ele PENSA QUE É. Ao negar a plenitude da vida a estas crianças, se nega também a importância da vida e toda a representatividade que à incita, e isto obviamente não é bom, não é saudável, porque nos força a levar ao suicida aquilo que ele mais almeje, o empobrecimento da vida diante da vida, o melhor, nestes casos é lembrar, que já que nossa vida é apenas um sonho, é algo diminuto, porque então não se vive de acordo com sua capacidade, não, não estou justificando a decisão final de um suicida, estou apenas lembrando que o que vale mesmo, é viver, sem grandes expectativas, sem grandes ambições, sem grandes objetivos, sem grandes questionamentos, porque aí sim, estamos fazendo de nossas vidas algo nobre, e evitando por tabelas, as grandes frustrações existenciais que tanto nos aflige.

OBS: Segunda-feira minha filha de 6 anos, ao assistir a reportagem(na TV) sobre a morte de dezenas de crianças em uma cidade mexicana, me perguntou: - Pai, por que as crianças morreram? Fiquei em silencio, e até agora ela espera a resposta. "

CONTINUA AMANHA: O GRANDE INQUISIDOR