terça-feira, 1 de dezembro de 2009

'DA DOMINAÇÃO DOS COMPETENTES'

É fácil, ridiculamente fácil, propor uma modelo para a eleição de um corpo legislativo. Em primeiro lugar se deveria por de lado os homens leais e dignos de confiança de um país; seria ao mesmo tempo senhores e conhecedores em certos domínios e reconheceriam reciprocamente suas capacidades: nessa assembleia, seria necessário fazer uma escolha mais restrita, que determinaria as especialidades e as competências de primeira ordem em cada partido, escolha essa que se faria pela estima e pela garantia mútuas. O corpo legislativo assim composto, os votos e os julgamentos de cada homem especialmente competente deveriam finalmente decidir em cada caso particular e a honradez de todos os outros deveria ser bastante grande para que a simples conveniência os levasse a deixar o voto a estes, de modo que, no sentido estrito, a lei nascesse da razão dos mais racionais. - Agora são os partidos que votam e, em cada voto, deve haver centenas de consciências vergonhosas - todas aqueles dos homens mal informados, incapazes de julgamento, que agem por imitação, que são arrastados e conduzidos. Nada rebaixa tanto a dignidade de uma lei nova como a vergonha forçada dessa falta de probidade, a que coage todo voto por partidos. Mas, já o disse, é fácil, ridiculamente fácil, propor semelhante coisa: não há poder bastante forte na terra para realizar o bem - a menos que a crença na utilidade superior da ciência e dos sábios se torne evidente, mesmo para o mais malévolo, e que se prefira essa crença à fé na maioria. É no sentido desse futuro que temos de dizer: "Mais respeito pelo homem competente! E abaixo todos os partidos!". (N.)