terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CITANDO NIETZSCHE = PARTE II

No livro de Rudiger Safranski, autor de "Nietzsche - Biografia de uma tragédia" está escrito: "Friedrich Nietzsche é dos poucos autores capazes de, só pela força das palavras, influenciar de tal maneira a vida das pessoas, mesmo as mais comuns, que depois da leitura nenhuma delas consegue ser mais a mesma. Contam-se aos milhares os casos de pessoas simples que se embebedaram nas ideias de Nietzsche e, mesmo sem entendê-las direito, literalmente enlouqueceram". É isto, 'só pela força das palavras', o filosofo conseguiu se transformar nos últimos 2 décadas em uma espécie de POP-STAR ´da filosofia, e é fácil se entender os motivos de tanta citação ao nome do escritor alemão, pois ele, como nenhum outro escrevia perfeitamente bem. de uma forma pesada, literal e ao mesmo tempo desesperadamente apaixonada, o que faz com que muitos lêem seus livros com um tipo de respeito e deslumbramento, que não se encontra facilmente entre outros filósofos, talvez, porque o autor tenha ido no limite do literal no que diz respeito ao humano e consequentemente a vida, ou mesmo a sua própria vida pessoal. Entender a mente de Nietzsche é complexo, descodificar sua vida é algo ainda mais surpreendente, e entender sua escrita não é apenas, um pouco assustador, mais é sobretudo se deliciar pela possibilidade concreta de constatar a capacidade que o homem possui sobre si mesmo, no sentido de ir as ultimas , para se entender a falsa nebulosidade que permeia a nossa essência. Para Nietzsche, pensar, raciocinar, era apenas uma perigosa e também saudável forma de exercer sua meditação reflexiva. Perigosa, porque a nossa mente não suporta a carga excessiva de pensamento, o nosso cérebro trabalha melhor quando não nos questionamos, quando aceitamos sem nenhum tipo de interrogação, a nossa mente é programada para aceitar, numa espécie de acomodação cerebral, e ir contra isso, invariavelmente, causa perturbação , o que leva obviamente o individuo a loucura, ou seja todo aquele que usa seu cérebro para cálculos, para pensar além do propagado, esta sujeito, cedo ou tarde, a algum tipo de debilidade mental. E Nietzsche como nenhum outro usou e abusou de sua mente, para escrever de forma descomunal, excessiva, literal e magnificamente direta, o que faz dele um filosofo das certezas, destruidor de temas, da moral e dos ditos bons costumes, e só por ter tido a ousadia de pensar além, sofreu os previsíveis problemas mental. O filosofo é reconhecidamente um genio da escrita, do pensar , da liberdade de expressão, um genio, onde como qualquer outro tinha defeito, porém a covardia não se encontra em sua escrita, pois é fato que o homem enquanto humano, só se sente parte da humanidade quando se acovarda, nunca por imposição pessoal.Ler NIETZSCHE, compreende-lo, critica-lo, tratar sua obra com desprezo e indiferença, elogia-lo, cita-lo, tudo isto no fundo é indiferente, tudo isto é a parte irrelevante e menor da obra, e na sua obra, porque como ele mesmo frisou: - "Há que ser superior a humanidade em força, em grandeza de alma - e em despreza"; "Que importa o resto?". É o que sempre digo, afinal, para fazer valer a suprema liberdade de pensamento e expressão, há de ser arrogante, presunçoso, idiota, e por fim, um louco.....pelo menos , para aqueles defensores 'da moral e dos bons costumes'.