sábado, 17 de outubro de 2009

GERALDO CARNEIRO: POETA, COMPOSITOR E BRASILEIRO

Eu sou do tempo que o nome Geraldo Carneiro era sinonimo de musica, letras elaboradas na sua condição de compositor, de certa forma isto é passado, e hoje com 57 anos, o compositor é reverenciado como poeta, e isto é bom, é como ele mesmo diz, o sujeito já nasce poeta, e o Geraldo é desses que se orgulha de ser poeta, algo raro em terras tupiniquim, principalmente se levado em conta o atual estagio da poesia, dos poetas brasileiros, lamentável.

Terça-feira ultima, dia 13 em uma biblioteca pública, tive o prazer de participar de uma mesa redonda (literalmente), onde éramos 5 , incluindo o poetinha, bate papo este que foi abastecido de poesia, Shakespeare, alemão, teatro e o lado 'compositor Geraldo Carneiro', que por sinal não parou de compor, como ele mesmo me explicou, está atualmente com uma otima parceria com Francis Hime, e o que falta mesmo, são parceiros novos, está galera nova e produtiva, para voltar as paradas como ressaltou, aliás o casamento entre poesia e musica é sublime, quem melhor para escrever a letra de uma linda canção se não um poeta?

Geraldo Carneiro, por tudo que vivenciou, tanto no teatro, musica e poesia, é de fato uma lenda viva, embora seja uma lastima que tenha nascido brasileiro. Em um país que todos glorificam , endeusa e vive o medíocre e o banal, tem-se que exaltar as raras personalidades 'invisível' que permeia a nossa verdadeira CULTURA, uma vez que a cultura hoje é sinonimo de imprestável, medíocre e todo tipo de porcaria que se possa imaginar, e Carneiro esta aí com sua obra, voz e exemplo para provar o quão pobre e insuportável é o gosto cultural do brasileiro atual.

A propósito, a ida do compositor, produtor teatral e poeta Geraldo Carneiro a biblioteca publica de Copacabana fez parte da divulgação do primeiro livro para crianças do poeta, com o titulo "COMO UM COMETA", publicado pela Editora Lazuli, 20 paginas, ao preço sugerido de 17 reais. Eis aí, um bom presente para uma criança, pelo menos para aqueles pais que tem CULTURA.

Vai aí uma das lindas do poeta, ou melhor do compositor, tanto faz:



Lundu (Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião - 1º Movimento)
Francis Hime / Geraldo Carneiro

GRAVAÇÕES
Francis Hime e Lenine - Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião (CD/DVD) (2002)


choro de manhã, rio de noitão
que será, será? Quem viver, verão

sabe, morena,
essa praia chamada Ipanema?
sabe essa lua, essa cena
essa luz de cinema
esse eterno verão?
pois é, sabe, morena,
o negócio aqui nunca foi fácil
desde a chegada de Estácio
em Primeiro de Março
no Cara de Cão.
sabe o monarca balofo
que armou seu cafofo
no fofo do Paço Imperial?
e na partida levou a mobília
o chofer e a família
prá ver Portugal?
sabe o pirata francês
que roubou a cidade,
e inda de quebra ganhou um resgate
de mais de 600 barões?
sabe o solar da marquesa
o bordel da francesa, o boquete, etc. e tal?

sabe essa gente surfando ou pingente
no trem da Central?
pois é, sabe, morena,
eu não troco esse Rio por nada
mesmo levando flechada
tomei mais pancada que o Villegaignon tomou
sabe, morena, eu às vezes me encanto com tudo
mesmo com tanto urubu enfiando canudo
no nosso pirão
sabe essa praia, essa areia, esse bar
esse mar, esse beijo, esse desejo atroz?
sabe a visão da janela
esse clima, esse Cristo lá em cima
que vela por nós?
sabe, morena, se existe outra vida, eu declaro:
quero esse mesmo calor, esse mesmo esplendor
essa fascinação
quero por felicidade
esse mesmo cenário, só quero morrer de paixão
quero encarnar outra vez
na cidade de São Sebastião

choro de manhã, rio de noitão
que será, será? Quem viver, verão
quando alguém dá corda
nas cordas da memória
a gente se recorda das voltas
& revoltas da História
deste país de loucos
onde andam tubarões e outros barões
aos trocos e barrocos
no samba-lelê, samba-lalá
quero mamãe, quero mamãe
quero mamar

choro de manhã, rio de noitão
que será, será? Quem viver, verão