domingo, 25 de outubro de 2009

FÉ, A PRIMEIRA DAS TRÊS VIRTUDES

Esta é a primeira vez que me proponho a falar da fé, de fé, no fundo tinha fé , que um dia, isto iria ocorrer, e é hoje o dia.

O que é a fé, além do já conhecido, como sendo uma doutrina religiosa, a primeira das três virtudes (fé, esperança e caridade), crença fervorosa em algo. Confiança, em alguém ou em alguma coisa, tem também, afirmação de algum fato, confirmação, prova e por ultimo, fidelidade a compromissos e promessas, lealdade , garantia, e por aí afora, pois é isto que está nos dicionários, e também é o que temos como definição de tudo que envolve fé, no entanto e portanto, me acho, como sempre, no direito de expor meu próprio conceito de fé, que para quem tem fé, não há de ser nada.

A fé, é sinonimo de egoísmo, a fé impõem uma verdade única , virtual e pessoal, ter fé significa que acreditamos e abonamos algo apenas por conveniencia de se pensar além do desejável. Se tenho fé, é por que sou covarde, egoísta , a um ponto tão ridículo, que chegamos mesmos a pensar que a nossa certeza é a única aconselhada para o nosso próximo, pois este próximo só é salvo pela ótica, pelo ponto de vista de nossa fé. Tem se fé em tudo, fé em que vai arrumar emprego, que vai melhorá de saúde, que vai arrumar um bom marido, e fé em Deus, a nossa sorte é que Deus tem muito mais para se preocupar, do que acreditar na veracidade egoísta da fé humana e o pior em seu nome, como se ter fé em Deus resolvesse alguma coisa, como se nos fizesse puro, digno, ou melhor, como se resolvessem todos os nossos sonhos e desejos individualistas. E que Deus continue ocupado, e nunca perceba as verdadeiras intenções humanas, no proclamar de sua fé (fé?)

Eu não vou, nem entrar no mérito da montanha (não agora), no entanto o poder cego da fé existe, é inegável, ela tem o poder supremo de nos fazer ver apenas o que queremos ver, pouco importa se fulano tá ali na sua frente, porque com certeza você não acreditará, a fé cega, o seu poder de predominancia é magnifico chego mesmo a admitir que a fé, é a única responsável pelo individualismo-egocentrico das pessoas. A fé impõem uma verdade egocêntrica, com o propósito de afirmar as nossas convicções como se tudo tivesse relevância apenas no nosso contexto, bem assim, se fulano, se um determinado grupo, não, compartilhar de meu próprio ponto de vista, da minha fé, então porque iria ajudar este grupo, por que iria fazer algo para suavizar a dor destas pessoas, afinal elas passam por isso porque não tiveram fé, preferiram agir de acordo com suas próprias convicções, o individuo cego pela fé, é no fundo um anti-compaixão, ou melhor a compaixão não faz parte de seus reais sentimentos, não no sentido literal.

A fé não respeita, não reconhece, não se sujeita a qualquer coisa que não esteja inserida no seu núcleo. Temos fé em que algo vai acontecer, se não é fé, é pressentimento positivo, é a conturbada obstinação que nós temos de que tudo acontece porque queremos que aconteça, e não, porque tem que acontecer. Ninguém tem fé, nas evidencias, ninguém tem fé de que vai morrer, de que um dia vai envelhecer, e adoecer, nossa fé é sempre contras as certezas, ou então a certeza quando adquirida é fruto de nossa fé, tudo é uma questão de satisfação na nossa vontade. O nosso ego sempre quer estar alimentado, e para isso, temos que ter sempre fé, este é o alimento da essência humana, a fé, e negar isto é o mesmo que negar, que no fundo nós somos apenas seres inconvenientes, que nada tem de santo, como querer ser santo, se a nossa fé, só serve para alimentar o nosso ego? Como querer ter fé se não conseguimos sequer estabelecer um relacionamento efetivo sincero, entre vontade e poder? Como é possível a fé se a essência dela, é puro 'vontade individual de poder'? Como você pode proclamar a fé para tudo, se você é incapaz de acreditar em sua própria capacidade em concretizar algo?

O egoísmo explicito da fé, é complexo, pois ao mesmo tempo que despreza, o nosso poder incontestável de realizar algo com nossas mãos, ao mesmo tempo ela humilha, debocha e ridiculariza, tudo que envolve a nossa vontade, pois para se sonhar temos que ter fé, não adianta, colocar a mão na massa e realizar este sonho, temos sempre que ter fé, que para alguns é o mesmo que acreditar ter força de vontade, mais não, ter fé, nestes casos é um vicio. Vicio em prestar o ridículo papel de creditar a tudo que acontece, apenas, porque antes acreditamos nervosamente que de fato isto iria acontecer. Ter fé é ter uma inexplicável confiança de que algo de fato acontecerá, como se para este algo acontecer tem que pedir autorização , a força de nossos pensamentos positivo. Ainda me chamam de cetico, prefiro quando dizem que sou um cínico.

A fé, como virtude, satisfaz plenamente, ela corresponde a essência da virtude, e também do egoísmo, poder e todas as ridículas virtudes que, tanto orgulha o homem. É preciso pouca coisa par alimentar, satisfazer o humano, basta que se tenha fé, e acreditar na essência do seu EU, que ele acha ser seu EU.

"Para dizer a verdade, a fé não consegui ainda deslocar verdadeiras montanhas, embora isso tenha sido afirmado por não sei mais quem; mas sabe colocar montanhas onde não as há". (N.)

A problematica da fé , se insere em um contexto unicamente humano, pois enquanto humano tudo que provem dele, incluindo a sua fé e religiosidade, tem que ser radicalmente criticada, debochada, atacada, pois é sabido que tudo que nasce da humanidade é insensato, é insanável, é insalubre, é débil, daí posso concluir com uma exagerada e incomoda ironia que o homem, no fim do raciocínio, é apenas um PALHAÇO com elevada tendência a santo, não um santo literal, mas um tipo de santidade que credita a moral um tipo de procedimento extremamente elevado, porém como provem, nasce de um palhaço, nada pode ser levado a sério, a menos que se propõem ao riso, e porque não, também ao ridículo, pois é isto que nós somos, com fé ou sem fé.