domingo, 6 de setembro de 2009

MIGUEL FALABELLA, IRENE RAVACHE, EDSON CELULARI, JORGE AMADO E NOSSA FAMIGERADA CULTURA



Esta em cartaz no teatro 'oi casa grande', no Leblon, o musical "HAIRSPRAY' com texto de Mark O'Donnell e Thomas Meehan, adaptado aqui , pelo ator Miguel Falabella que tem também a direção, ou seja, a peça, o musical foi adquirido por Miguel, sendo este o responsável direto e indireto pela produção do mesmo aqui no Brasil. No elenco ainda tem atores exclusivos da Rede Globo como o ator Edson Celulari, a triz Danielle Winits, Arlete Salles e Jonatas Faro não tenho certeza se todos são exclusivo da emissora, embora o Edson seja, no entanto o mais interessante neste musical, com ares de super produção é a parte financeira, senão vejamos:

Apoio Nacional: Visa, Porto Seguro, Palmolive.

Apoio: Gol-Linhas Aéreas Inteligentes, Mercure, Itapemirim.

Promoção: Sérgio Franco, Rede Globo, ClearChannel, Mpb-fm, MultiShow, Mpv7.

Lei de incentivo a Cultura(Lei Rouanet) Ministério da Cultura do Brasil - Um país de Todos - Governo Federal.

O teatro conta ainda com promoção do jornal O Globo, e Apoio da Secretaria de Cultura do governo do Rio de Janeiro, do ShoppingLeblon, da Fotosfera e da ESPM e conta com a oi-fm como rádio oficial e com a empresa Ingresso.com, para vendas do mesmo.

Resumindo é mesmo uma super produção, embora não seja caso único, pois em se tratando de elenco global sempre podemos esperar algo grandioso. Ou seja, quanto maior e famoso for o elenco, a produção, mais atraente ele se torna para a midia, o público (publico?) e o restante, embora o que mais me impressione é o seguinte: Por que tanta empresa apoiam e patrocina um elenco que por si só não precisava disso? ok, as leis e conveniencias do mercado talvez explique, Por que com elenco tão renomado, ainda assim tiveram que precisar dos incentivos fiscais do governo federal e o principal qual a contrapartida de todo este investimento, qual o incentivo do musical para a cultura brasileira? Se os produtores do musical não tiverem uma resposta plausível, uma resposta sem hipocrisia, para estas perguntas é porque são sim usurpadores, no pior sentido, do dinheiro publico, dinheiro este que faz, e fez, como demonstrarei a seguir, falta na nossa cadeia cultural brasis afora.

Por que será que o magistral ator Miguel Falabella, não procurou um banco, como qualquer outra pessoa, em busca de um empréstimo bancário para bancar financeiramente sua produção, sua adaptação, afinal ele tinha na manga , nomes honrado como o ator Edson Celulari e Arlete Salles, não seria muito difícil conseguir, mesmo sem garantias, um pomposo empréstimo. Confesso que seria pedir demais, afinal aqui, quanto mais famoso e reconhecido for alguém, isto se engloba todos, inclusive uma Fernanda Montenegro da vida por exemplo, ou seja quanto mais reconhecido for a figurinha, mas esta pessoas aproveita disso, para qualquer empreendimento que seja. Tudo se transforma e se engrandece no mundo da super produção cultural (cultural?) e do entretenimento. Ia esquecendo de um detalhe, como já mencionei o teatro fica no LEBLON com ingressos que vai de 40,00 reais o mais barato a 150,00 reais o mais caro. Sucesso absoluto.

Meses atrás , o Brasil assistiu impávido, passível, inerte, o "retalhamento" da Coleção Jorge Amado, sem que ninguém, nenhuma instituição, nenhuma empresa se propusesse a salvá-la, mesmo com o estimulo da Lei Rouanet, aí eu pergunto, que Cultura é esta, que país é este, que incentivo cultural, fiscal é este que se propõem única e exclusivamente a beneficiar a duas, três, quatro personalidade da Rede Globo em detrimento as verdadeiras necessidades culturais do país. Ou alguém aí duvida que o valioso acervo de Jorge Amado, merecia ser preservado a qualquer custo.

Pessoa como o ator Miguel Falabella, o senhor Edson Celularri e Irene RAvache(já , já explico a Irene) se tivessem um mínimo de discernimento cultural, procuravam divulgar , também, a cultura onde não é divulgada, incentivar onde não é incentiva, procurassem incentivar a formação de plateia, formar oficina teatrais para alunos da rede publica de ensino, toda vez que se propusessem a produzir uma super produção com apoio e incentivos da iniciativa publica e privada. Não vou nem criticar o governo federal, este cuido mais adiante, a questão aqui, é propor, ou melhor comentar um tipo de modelo de teatro que seja a cara de Shakespeare e não de um babaca qualquer, que usa e abusa do teatro em causa própria, em um país que a maioria absoluta nunca teve a maravilhosa e indescritível experiência de colocar os pés e assistir uma produção teatral, em um teatro. Pessoa como este trio, e outras do mesmo naipe, adora pousar de bons atores, preocupado na divulgação da cultural teatral junto a midia, , embora os fatos demonstram que são todos mal carater, em achar, ou melhor em querer viverem de teatro, com a mesmo glamour financeiro que dispõem a televisão, como se fosse uma extensão da Broadway, alías deve ser mesmo muito agradável, encenar no LEBLON.

É bem provável, que para se defenderem eles voltem com aquele papo furado, de que no Brasil o teatro não se sustenta, que se não for com fortes apoio e patrocínio fica praticamente inviável, impossível produzir qualquer produção teatral ou peça que seja, dizem ainda que a banalização da meia-entrada é a principal responsável, é como bem disse recentemente a atriz Irene Ravache, que faz parte da Associação de Produtores Teatrais Independentes "... que a meia-entrada seja, de fato, para estudantes... nossa bandeira é contra a falsificação de carteirinha, e não contra a carteira. Nós vivemos do Teatro." Nós quem cara pálida. Tudo isto é balela, ladainha, papo furado, choradeira de uma classe cultural, egoísta, fominha, alienada e inconveniente no sentimento mais baixo do termo. Todos sabem, e não precisa muito para se saber que existem mil e um exemplo Brasil afora, de pessoas que fazem teatro, e ganham dinheiro com isto, apenas por esforço próprio, e determinação e outros tipos de exemplo que contradiz estes usurpadores do verdadeiro teatro brasileiro.

Quando se diz que o Rio é a capital cultural do país, é uma heresia, primeiro, porque as grandes , pequenas, e medias produções culturais só acontece na zona nobre da cidade, ou seja na zona sul, praticamente não há teatros abertos na zona oeste e norte da cidade, que bem lembrado é onde residem a maioria da população carioca. Segundo, mesmo na zona sul não existem nenhum tipo de contrapartida cultural no sentido de se atrair e divulgar o teatro, para aqueles excluídos das salas, não existem nada, parecido nas escolas publicas. A cultura no Rio é feita e produzida para a elite, só ela, assiste, só ela prestigia, só ela vaia , aplaude e critica. É como diz a mensagem da Rede Glogo. TEATRO . A gente vê por aqui. (Aqui há onde cara pálida?, no leblon????kkkkkkk)

E para concluir semana passada saiu o resultado final do primeiro "edital de circulação teatral do Programa BR de Cultura , da Petrobras Distribuidora", com valor total de mais de 12 milhões de reais, vindos de verba incentivada da Lei Rouanet, isto significa que pessoas como a atriz Andreá Beltrão que ganhou dinheiro publico/privado para levar sua peça "As centenárias", para circular pais afora, a atriz ainda disse: "Faz só as contas: hotel, passagem, divulgação, imposto, pagamento de pessoal". Outro contemplado o Sérgio Cabral, veio com está(texto publicado no Globo de sábado, dia 29) "É importante circular, mas é difícil viajar, principalmente com uma obra com o porte da nossa". O diretor João Falcão, não deixou por menos "Este país é grande. Quando espectáculos como esses chegam às cidades, movimentando a vida delas."

É isto aí, galera, isto é literalmente a essência do teatro brasileiro, o famoso teatro, o comentado, o pomposo teatro brasileiro, um monte de celebridade brincando de encenar e produzir peça teatral com o meu, o seu dinheirinho. Segundo estas pessoas o que elas fazem é o verdadeiro teatro é como diz o diretor João Falcão na mesma edição do jornal, "é ótimo ter apoio para produção, mas, sem circulação, o teatro não se completa", tudo, tudo, da produção a circulação tem que ter incentivo financeiro publico/privado, do contrário o teatro não acontece. É lamentável, mas isto é a indiscreta historia do famoso teatro brasileiro. E o mais incrível é que todos acham normal, todos batalham, todos veneram , todos aplaudem, quando me refiro a todos, digo a todos os gatos pingados que tem oportunidades de assistir uma peça, uma produção teatral.

Aliás e a propósito a quantidade de propaganda eletronica e planfetaria deste musical aqui em copacabana é algo assustador de tão grandioso, vê-se que o aporte financeiro também foi grandioso, e para que?

Aliás e propósito II, a secretaria estadual de cultura e a rede globo estão divulgado a realização do XVI FESTIVAL DE TEATRO DO RIO, adivinhem a onde?

No final só resta lamentar a nossa famigerada cultura, algo realmente deplorável, feito pela elite e para elite, este é mesmo um papo idiota, medíocre, no entanto o pior mesmo é constatar que tudo é verdade. E o que nos resta??? Resta criticar, criticar e criticar para que um um dia, quem sabe, o brasileiro tenta descobrir o que está por trás de sua ignorância existencial.

ISTO SIM, É BRASIL.