domingo, 19 de julho de 2009

ACHO QUE VOU VOMITAR

São duas as formas de se agradar a humanidade, a primeira é sorrir, sorrir sempre, sorrir como forma de solidariedade, sorrir como deboche, sorrir como forma de agradecimento, e sorrir positivamente, todos gostam de um sorriso, todos se sentem bem recebendo um sorriso, mesmo vindo de um desconhecido ou estrangeiro o que da no mesmo, o sorriso relembra o nosso lado juvenil, angelical, ninguém ousa negar um sorriso, ou deixa de se alegrar diante de um sorriso sincero. A segunda forma de agradar a humanidade é a concordância, que vem a ser o ato ou efeito de concordar, por ou estar de acordo, conciliar, concertar, ter a mesmo posição ou opinião, convir, assentir, estar de acordo, harmonizar. Pouco importa, se está concordância, as vezes, aparenta ser sinonimo de hipocrisia, de servilismo, de servidão, todos nós amamos falar algo e ter alguém para concordar, para garantir que o que falamos é digno de seriedade, todos nós gostamos de ser admirados, de que concordem com as nossas opiniões. A mentira pode ser a mais deslavada possível, mais se tem duas ou seis cabeças para concordar então, quase que automaticamente ela passa a ter status de verdade.

Como não estou aqui para agradar, e sim para discordar, para criticar e para menosprezar o sorriso, então nunca contem comigo para demonstrar um tipo de solidariedade imposta , nunca conte comigo para ser gentil por gentileza conveniente da sociedade, por que nada que é imposto é feito de coração, por principio, instinto. Hoje o que mais existem por aí, são profissionais de gentileza, profissionais de solidariedade, profissionais de compaixão. Ninguém faz nada por instinto, principio. Todos procuram ser gentil, e solidário por imposição religiosa, por imposição da midia, para se ficar eternamente bem na fita, na foto, no video, na imagem que doravante vai representar para os outros, a falsidade da representatividade do ato é que importa, ninguém ousa ser solidário, por exemplo com um africano, ou com um nordestino que é porteiro de nosso edifício, para nós o que importa é mostrar solidariedade onde estão os holofotes, a nossa gentileza sempre surge da vontade de amenizar nosso ego, nunca por iniciativa puramente humanitaria, não por acaso, o comodismo se encontra sempre ao lado de nossas atitudes humanitária, é muito comodo pegar o telefone e doar 200 reais para o criança esperança, ou então dá mensalmente 50 reais para o cara que vai em nossa residência recolher o dinheiro para a APAE ou para um hospital do câncer. Ninguém quer saber que no fundo as pessoas sofrem mais por ausência de afeto, e tudo de grandioso que isto representa, do que necessariamente por roupa, remédio ou comida.

No fundo o nosso mundo é só nosso, pois nos cercamos das melhores atitudes para que tenhamos paz, para que nada nos perturbe, em ultimo caso nos prontificamos a comparecer há um templo para expor publicamente o quanto somos solidário com a desgraça humana, o quanto somos sensível para com nossos flagelos. Ninguém quer ser incomodado, ninguém quer ser desafiado, confrontado, ninguém se olha no espelho para ver a imperfeição e por que? porque a perfeição de nossa aparência , de nosso sossego existencial, e outras tantas perfeições , porque são tantas... é mesmo o que importa.

Acho que a melhor forma de quebrar a muralha deste falso encanto, é vomitar, é justamente o que faço, vomitar frases inconvenientes, desconexas, vomitar frases agressivas, palavras discordantes e traçantes. VOMITAR, VOMITAR E VOMITAR, para que todos se sintam parte desse vomito.

Desculpe galera, não estou me sentindo bem, acho que vou vomitar.....