sexta-feira, 10 de julho de 2009

2 TIM LOPES POR MES - PARTE II OU SERIA DOIS JORNALISTA ANDRÉ MIRANDA POR MÊS?



Quarta-feira na pagina principal de um grande jornal carioca, algo me atraiu, estava lá: "O reporte americano Jon Lee Anderson vai escrever sobre o tráfico no Rio: 'É uma calamidade nacional'". E é óbvio que não resisti e comprei o jornal, no entanto antes mesmo de chegar em casa, pensei, quer dizer então, que se está reportagem vai estar no Segundo Caderno, que é justamente a parte do jornal que trata de cinema, teatro, musica, besterol entre outros tipos de entretenimento, é porque o assunto tráfico entrou mesmo, a tempos para o rol de entretenimento do brasileiro, resumindo as mortes, a crueldade, as atrocidade, as bizarrices, a completa ausência de autoridade publica, tudo isto patrocinada pelo trafico armado, já passou a ser parte de algo digno de entretenimento.

Bom vamos ao proposto, lá no meio do jornal abrindo a secção de entretenimento estava escrito: "Calamidade Nacional - jornalista americano prepara reportagem sobre o trafico no Rio para o 'New Yorker', logo em baixo o jornalista André Miranda começa com o elucidativo texto: "Daqui a poucas semanas o Rio novamente será tema de uma grande reportagem internacional, desta vez da prestigiada revista americana "The New Yorker"". Deixando os pormenores de lado vamos as "PERGUNTAS', que o jornalista A. Miranda fez para seu colega norte-americano:

Primeira Pergunta : " Por que uma reportagem sobre os problemas do Rio?

Segunda Pergunta : O senhor entrou nas favelas sozinho ou acompanhado?

Terceira Pergunta: E o senhor falou com traficantes?

Quarta Pergunta: O que eles disseram?

Quinta Pergunta: Por que acomodada?

Sexta Pergunta: Quando os traficantes tentaram se justificar, o senhor acreditou neles?

Sétima Pergunta: A culpa, então é do Estado?

Oitava Pergunta: O senhor procurou alguém do governo?

Nona Pergunta: Existe um documentário brasileiro chamado 'Noticias de uma guerra particular', dirigido por João M. Salles. O senhor viu este filma?

Décima Pergunta: Quando João M. Salles lançou seu filme, ele foi criticado por ter mantido contato com traficantes. O senhor acha que o mesmo pode acontecer com sua reportagem?

Décima Primeira: Quando o senhor conversou com os traficantes, em algum momento eles trataram da relação que é criada entre eles, que são fornecedores, e os usuários de drogas?

Décima Segunda: O senhor acha possível fazer uma comparação do Rio com Bagdá?

Décima Terceira: O senhor tem filhos?

Décima Quarta: Se algum deles lhe dissesse que está pensando em tirar férias sozinho no Rio. o que o senhor diria?

Décima Quinta: E ponto final?"

Fica nítido que as perguntas em um primeiro momento aparenta ser de um jornalista francês, italiano, alemão, inglês, jamais de um tupiniqum. O jornalista André Miranda representa nesta reportagem, a imprensa brasileira e tudo de omisso, covarde, debochado e ridículo que isto possa incorrer. As resposta do jornalista norte-americano não importa, mesmo porque nada ali, é novidade aqui no blog, e no post "2 TIM LOPES POR MÊS, do dia 18 de Março ultimo eu comento explicitamente sobre isto". O mais revoltante nisto é a pertinência perniciosa da omissão da mídia com o tema, com a desgraça literal que reina em nossa sociedade, é como sempre digo aqui, pior do que a existência do tráfico armado é a nossa indiferença banalizadora sobre isto, indiferença está que é patrocinada cada vez mais pela mídia, que peca horrivelmente em fazer do tráfico algo digno de entretenimento, digno de desprezo por um problema que deveria horrorizar, revoltar, a sociedade, mais que só serve para nos entreter e nos deixar a mercê de nossa própria falsidade-indignatória.

Pensando bem seria bom que morressem também, dois André Miranda por mês para que deixassemos de lado a hipocrisia e o deboche sobre o tema, sobre a mesmice com que a imprensa trata do trafico armado, para que aprendessemos a tratar o assunto com a seriedade que o tema merece, para que nenhum idiota tenha que vim la dos Estados Unidos para nos surpreender, para tratar com seriedade, para nos dizer que isto é uma calamidade nacional, sobre algo que debochamos, que nos acomodamos, acostumamos. Nada absolutamente nada que este jornalista responde é surpresa, pelo menos para quem acompanha o blog desde o inicio, talvez a maior surpresa seja a falsidade hipócrita do André Miranda e a mídia brasileira por extensão.

Ultimamente tem se falado muito em ética no jornalismo e coisa e tal. A verdadeira ética do jornalista brasileiro é aquela que se define como ética de conveniencia, onde o que importa é a conveniencia da situação, desde , claro, que sua pela esteja a salvo, ou coberta pelo manto sagrado da hipocrisia dos bons costumes. E PONTO FINAL. E ponto final?

Eu juro que cuspiria na cara desse jornalista, o tal do André Miranda se o visse repentinamente na minha frente, seria minha vingança pessoal diante de uma imprensa cada vez mais covarde perante o nosso maior FLAGELO.