sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

TA LÁ UM CORPO CAÍDO NO CHÃO

Ontem a tarde no caminho para Ipanema me deparei com um corpo imóvel, ao que parece a mulher limpava os vidros de uma janela no sexto andar, escorregou e 'ta lá um corpo caído no chão'. Sinceramente não me lembro a última vez que presenciei tal coisa, mesmo com a violência carioca, a verdade que não se vê muitos mortos estendido no chão, ao contrário que muita gente Brasil afora pensa. Neste caso foi um acidente, mais poderia ter sido um homicídio, ou mesmo um suicídio, o que não muda é o fim, a morte no asfalto, o corpo caído no chão, coberto com um macabro saco preto.

Suicídio é o tema, e há muito venho tentando falar algo sobre isto, que ao meu ver é um dos tema mais complexo de se falar, a imprensa, a midia chega mesma a evitar de falar, com receio de influenciar aqueles que precisam apenas de uma simples frase, ou de ouvir, para se dar ao pretexto de dar cabo ao fim de sua vida. Como se falar, de que jeito, e com quais palavras, este é o desafio de quem ousar falar do tema suicídio, sem falar que além do receio de interferir na decisão dos que sofrem, tem também o problema da sociedade, que entra também o lado religioso de cada um, e o receio de ser mal interpretado levando o assunto por um caminho nebuloso que termina com uma espécie de um mito encoberto por tabu.

Segundo dados, os índices de suicídio no Brasil tem crescido em média 18 por cento ao ano, e isto não é apenas no nosso país, o 'suicidar-se' existe em todo o mudo em maior ou menor grau, e em todos os tempos desde a pré-história até os dias atuais, mais toda esta tragetoria não foi, não é o suficiente para entender o porquê de alguém acordar com a ideia, decisão de abdicar de viver. Uma coisa me parece compreensível, se que posso falar assim, se alguém decidiu, desistiu de viver, ficou , fica claro que o peso de se viver chegou a um momento, a um etress que se tornou insuportável, acredito que não há nada mais angustiante do que acordar e não suportar a ideia de ter que encarar mais um dia pela frente, o que para muitos é um sacrifício extremamente doloroso, intransponível. O ideal é que procurássemos entender não as razoes, o por que, mais aceitar como uma decisão da pessoal, algo pessoal, individual, como se aceita uma separação, ou a saída de um filho de casa, ou a viagem de um grande amigo, a pessoa que decidi suicidar-se não é um covarde, não é um fraco, e muito menos um doente mental, é apenas um ser humano que desistiu de viver, é a hipocrisia em torno disto que deixa tudo mais complicado, porque ao criticar tal atitude estamos menosprezando a pessoa e nos colocamos em seu lugar com todo o peso do moralismo que isto representa, é como se está pessoa fosse apenas um mero fantasma de si mesmo, onde pensamos ter o direito de excomungar, criticar, amaldiçoar apenas pela decisão de por fim a própria vida. Nós fomos criado endeusando a vida, como uma dádiva divina, uma bênção por te tido a maravilhosa oportunidade de ter nascido, tudo bem que viver é bom, é legal, mais em determinados casos extremos nós não podemos obrigar as pessoas a compartilhar com a mesma opinião. Está semana, eu comentei que amar é respeitar o pensamento alheio, e isto cabe muito bem neste caso do suicídio, nem que isto represente tudo o que vai contra o nosso próprio pensamento..

Existe um mito de que as pessoas que tentam suicidar-se, está somente querendo chamar atenção para si mesmo, o que não é verdade, quando alguém tenta se matar, é porque ela está precisando, não pedindo, mais precisando de algum tipo de ajuda, e é isto que temos que fazer, ou pelo menos tentar fazer com que a pessoa se anime, que busque ajuda especializada. A vida não é uma dádiva( e dane-se que pensa o contrário)divina, a vida é uma experiência única, bem peculiar que temos ao nascer, não se deve questionar o por que, de termos nascidos e sim procurarmos darmos o máximo de si, de nossas vidas, par fazer algo de memorável se não para a humanidade pelos menos para nos fazer vivo e digno de tal. O nosso presidente Lula, fala muito, isto não é novidade, ontem por exemplo ele soltou mais uma de suas pérolas memorável, e como toda pessoa que fala de improviso ele tende as vezes a falar certas verdades inconvenientes, outro dia mesmo, ele falou a seguinte frase 'hipocrisia religiosa', e não foi nem a primeira e nem a segunda, e é exatamente este tipo de hipocrisia religiosa que nos faz amargo, indiferente e falso, porque se respeitamos e idolatramos tanto a palavra a frase 'amar o próximo' nada nos impede de colocar está frase, naqueles questionamentos que não aceitamos nem ouvir falar, ou que temos dificuldade de aceitar, O SUICIDA não é um fraco, não é diferente É APENAS ALGUÉM QUE DESISTIU DE VIVER, se você é bom, é religioso, é humano, então aceita isto, se for capaz. Tudo bem, não precisa pensar deixe isto para a hipocrisia.

A Geração Editorial, está com um lançamento bem interessante sobre o tema de nome SUICÍDIO - O FUTURO INTERROMPIDO de Paula Fontenelle, de 260 paginas a 34,90, eu não li o livro apenas a sinopse. No entanto merece por si só a leitura, quem sabe a escritora não tenha uma opinião mais sensata do que a minha.