sexta-feira, 21 de novembro de 2008

LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO DESTAK

Terça-feira dia 18, o jornal carioca DESTAK, publicou um e-mail de um leitor com a seguinte pérola, "A ciência confirma o que todo homem já sabe: 'incompetência, teu nome é mulher'". No outro dia, dar para imaginar, a quantidade de e-mail que chegou na redação do jornal, criticando o preconceito sexista contra as mulheres, e o principal o fato do jornal "publicar em suas páginas declarações tão infame", como disse uma leitora. Em resposta o jornal publicou uma nota da redação: "O Destak não apoia nenhuma forma de discriminação mas também não concorda com restrições a liberdade de expressão, por pior que seja a expressão". E aí, o jornal agiu corretamente?

Este é sem duvida uma ótima oportunidade para um debate, principalmente nas faculdades de jornalismo, direito, sociologia e afins, o tema é oportuno, interessante e novo. No Brasil a liberdade de expressão é algo quase sempre recorrente, em praticamente todas as áreas, seja porque é algo de certa forma recente em nosso jovem país, seja pela complexidade, ou mesmo a dificuldade que se tem em usá-la. Não são poucos, que vêem nela uma verdadeira divindade, porta voz dos oprimidos e portanto uma oportunidade única para fazer valer seus direitos, ou mesmo para se fazer ouvir.

Em primeiro lugar há de se admirar a coragem extrema do jornal em publicar algo tão "infame" aparentemente falando, não apenas no que diz respeito aos leitores mas neste caso especifico do jornal que é gratuito, no que diz respeito aos anunciantes, parceiros do jornal, como o McDonsld's. Já imaginaram o que esta empresa irá pensar caso algumas leitoras resolverem irem manifestar publicamente na frente de suas lanchonetes solicitando que a mesma retira imediatamente o jornal na sua lista de markentig, seria no mínimo constrangedor para o jornal e para a rede de lanchonetes, não é mesmo? A impressão que se tem é que ouve uma falha do jornal, uma falha humana em publicar um e-mail, que estava na cara que iria causar repulsa. No entanto se a nota da redação estiver sendo sincera, correta, aí sim podemos comemorar pela ousadia, pela imparcialidade e pela gloriosa iniciativa que teve o jornal, em se sair da mesmice e da omissão de nossa imprensa nacional.Está dado, portanto, o ponta pé inicial,para nos colocarmos em igualdade entre aqueles países em que a liberdade de imprensa e por extensão a de expressão é algo tão solido e real como a própria historia do país. Países como Inglaterra, França, e EUA são um exemplo, do que a verdadeira liberdade de expressão é capaz, não só para consolidar a imagem de uma democracia, como também para dar voz a uma população acostumada a se expressar sem receio de ser criticada, ou de levar um processo nas costas, ou encarcerada, não era assim no Brasil até pouco tempo?

Quem acompanha o blog, sabe que, uma de minhas bandeiras é exatamente está, fazer com que a nossa imprensa use de forma efetiva e eficaz toda a liberdade que tem em suas mãos, e que infelizmente é usada de uma forma tímida, dando até mesmo a ligeira impressão de ser uma imprensa eternamente omissa e covarde. A ousadia deste jornal é um estimulo gratificante, para que eu continue batendo firme em minhas convicções, não por necessidade, mais por bom senso, pois se vivemos em uma democracia, como parece ser, que nos permite ter esta tão propagada liberdade. Por que não usá-la?, de uma forma coerente, firme,e indispensável para fazer valer definitivamente a nossa democracia, no sentido mais literal do termo..

Ainda é cedo para se afirmar se a atitude do jornal foi algo casual, ou pensado, ou melhor se está é realmente a politica editorial deles, porque se for, apesar de ter sido algo bastante insignificante a primeira vista, só temos agradecer a honrosa atitude deles. Não podemos esquecer de um detalhe precioso, a liberdade de imprensa tem que ser aliada da ponderação em tudo, até naquelas ocasiões que se tem o amparo da lei. A ponderação é necessária, não apenas por educação, mais para se evitar uma agressividade desnecessária por para da população, nós não vivemos, infelizmente, em um país de letrado, o nosso país é formado principalmente por analfabetos e semi, em que a maioria é - por preguiça de pensar - ignorante, não por são saber se expressar, mais ignorantes em não assumir sua ignorância.