quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O LADO NAZISTA DO CARIOCA

Certa vez me encontrava numa banca de jornal lendo as manchetes do dia, quando um senhor aparentando ter mais de 50 anos apontou para uma determinada manchete e disse: - Eu não entendo como pode ter pessoas que defende estes monstros. Estes monstros que o senhor se referia eram crianças, ou meninos de rua como o carioca costuma chamar. Me lembrei deste episódio quando li domingo dia 5 na coluna do Ancelmo Gois, que a humanista e artista plástica YVONNE BEZERRA DE MELLO, esta sendo mais uma vez perseguida por aqueles que se acham dono da hipocrisia humana. Para quem não se lembra Yvonne, foi a primeira pessoa a chegar no lugar onde aconteceu a conhecida Chacina da Candelária, em l993, e não é de hoje que acompanho esta pessoa, cheguei mesmo a votar e fazer campanha para ela nas vezes que ela resolveu entrar na politica, e é bonita a garra desta mulher em torno destas crianças sempre levantando a voz em sua defesa e dando-lhes acolhimento seja através de sua ONG ou publicamente através de seus manifestos, artigos, e livros. O carioca é assim: para boa parte deles estas crianças deveriam ser decapitadas, exterminadas, ou na melhor das hipóteses serem simplesmente tiradas da rua de um jeito silencioso e de preferência que não se deixassem rastros do genocídio. Este lado negro do carioca é tratado como um segredo de maçonaria, onde todos sabe que existem, mas ninguém tem coragem de admitir e comentar, por se tratar de um tabu, ou algo inviolável, onde a maioria prefere fingir e ignorar este sentimento macabro e mesmo inimaginável para um povo que se alto define tão alegre e de bem com a vida. O carioca quando anda na rua, ver apenas o que lhe é conveniente ver, aquilo que é inconveniente ele desvia da mesma forma que se desvia de um cachorro deitado na rua. O mais assustador nisto tudo, que são as pessoas mais idosas que normalmente levanta a voz para demonstrar este sentimento nazista de ser, estas pessoas agem como dono de um paraíso onde apenas eles deveriam morar, e por uma triste ironia estas crianças estão aí, a soltas em toda a cidade do Rio de Janeiro, para ser vistas e para verem no que nos tornamos. É a tal coisa os monstros sem sempre são os outros nunca nós.