sexta-feira, 1 de agosto de 2008

MÍDIA X LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Na última, sobre a Guerrilha, eu deixe uma brecha para que haja uma dupla interpretação, isto será comum nos meus textos, talvez por pura preguiça em revisar os mesmos, espero porém que este pequeno grande detalhe não prejudique a interpretação que se deve dar ao texto. Quando não se é um génio, quando não se é um intelectual, todo pequeno detalhe ou seria equivoco, merece ser relevado. Quando citei os exageros da dupla de jornalista de Brasília, fiquei pensando o quanto o papel do jornalismo é importante para a consolidação das leis de nosso país. Chega a ser mesmo interessante, quando se tem razão, nunca é aconselhado bater de frente com a opinião, com uma reportagem de um jornal, porque você pode até mandar um e-mail para a redação, mostrando toda a sua indignidade com tal reportagem, que sempre, e sempre a resposta será mais relevante que a sua, se você fizer parte da reportagem pior ainda, é como se tal meio de comunicação tivesse o dom supremo de falar sempre a verdade, onde a sua versão dos fatos é sempre incontestável. E a principal ancora que normalmente eles usam para isto é a propagada liberdade de expressão, assegurada na nossa constituição como um direito de todos e para todos.Quem há de discordar disto? Eu com certeza não vou, pelo contrário. A mídia, tanta a eletrônica como a impressa, sofre com que eu chamarei de "síndrome da baixa potência". Citarei dois exemplos recentes para me fazer entender, a prisão do banqueiro Daniel Dantas e a impossibilidade dos políticos cariocas de fazerem campanha nas "comunidades". No primeiro caso a ridícula participação e exposição do presidente do STF , Gilmar Mendes, acabou por se tornar algo mais importante do que o caso em si, afinal o senhor presidente do STF, extrapolou todos os limites do bom-senso, não entrarei nos detalhes, porém vale lembrar da nossa constituição e de nossa enorme desigualdade social presente em todos os ciclos de nossa sociedade. Resumindo a defesa escancarada do senhor ministro em torno do banqueiro foi tão absurda como hipócrita. Vamos lá , perante este absurdo, como se comportou a nossa mídia?Ela simplesmente não se comportou ela se ACOVARDOU, e não se pode ser covarde diante dos fatos, das evidência, da realidade. Quando se tem a constituição ao seu lado, quando se tem a liberdade de expressão a seu favor, não pode, sob hipótese alguma se acovardar diante da atitude desequilibrada de alguém representante de um poder tão importante em nosso país. O primeiro argumento que se usa para se constatar a seriedade de um país, para ele ser respeitado pela opinião pública, pelo mundo como um todo, é justamente este, a maturidade, a firmeza que se espera da sua imprensa, de sua opinião em relatar os fatos como eles realmente aconteceram, pelo menos em uma democracia a coisas tem quer ser assim. Não houve neste caso especifico nenhum editorial, de primeira página, nenhum editorial criticando categoricamente as ações do dito ministro, houve sim, neste caso 'um silêncio, disfarçado de bom jornalismo'. O segundo caso é ainda pior. Quando políticos em campanha, são impedidos de entrar nas "comunidades", para mostrarem seus programas de governo, se tem a certeza que é mais um caso de violência imposta pelo tráfico. Porque é assim que a nossa mídia, nossa imprensa analisa estes acontecimentos. Era de se esperar por parte da imprensa um posicionamento mais fluente, mais profundo. Acontece de hoje nos termos um país e dois regimes, a democracia pelo qual todos tem consciência disto e a ditadura em que vive mais de 4 milhões de brasileiro, onde não a leis, não a constituição, não a respeito pela pessoa humana, onde é permitido as piores atrocidades, onde as pessoas tem que andar de cabeça baixa, onde não se pode olhar para os lados, onde não se pode olhar nos olhos(algo tão nosso). A claramente neste caso uma espécie de Genocídio em andamento e somente quem mora nestas "comunidades" tem consciência da veracidade destes fatos. De que adianta termos liberdade de expressão se não temos coragem para colocar isto em prática, de que adianta sermos uma democracia, se somos covarde para admitir nossas deficiências. A imprensa só usa a liberdade de expressão para defender seus próprios interesses, suas próprias ações. De que adianta a imprensa ter liberdade, se não tem coragem, todos estão na verdade coberto sob o manto sagrado da hipocrisia, coberto com o manto sagrado do obscurantismo. De que adianta termos uma magnifica constituição se não temos coragem para interpretar-la literalmente. O que se espera de uma grande imprensa é a sua voz ativa, em defesa da minoria, da justiça como um todo, da sociedade como um todo, em favor de uma democratização definitiva. Não venham me falar que esta recente conquista-a liberdade de expressão - a nossa recente democracia é argumento para relevar a nossa covardia suprema. Não tem desculpa perante a timidez da atitude pouca honesta da nossa imprensa. Não adianta dar manchete, tem que haver cobrança, tem que haver lucidez, tem que haver responsabilidade, tem que ter atitude, tem que haver coragem para responder os anseios de uma sociedade tímida em relação aos seus próprios direitos. No Brasil, para a mídia. hipocrisia é sinonimo de verdade.