quarta-feira, 20 de agosto de 2008

GENOCIDIO MORAL

Por duas vezes eu comentei que esta havendo - e não é de hoje - uma espécie de Genocídio Moral nas favelas cariocas, trata-se principalmente de todos os tipos de preconceitos, trata-se de todos os tipos de humilhação, de baixa estima. Quando o garoto entra no tráfico, ele já sabe que seu destino não é morrer pelo outro, mas por si próprio, em nome de sua própria liberdade. Para a sociedade o favelado é um parasita, um perigo sempre a surpreender pela lado obscuro da coisa. Para a sociedade o direito a vida do favelado é digno de um desprezo profundo. O carioca da zona sul principalmente, conhece muito bem este tipo de sentimento macabro. A moral do favelado é indiferente a moral humana. Porque ele sabe que sua sobrevivência estar condicionada ao silêncio, ao desprezo pela vida, é a tal coisa "vi, mais fiz que não vi", a sua discrição é sinónimo de honestidade, de bom sujeito, digno de respeito e proteção. Os valores morais do favelado só existe para que ele possa ser aceito na sociedade, e a favela não faz parte da sociedade, é algo tão surreal, que a sociedade sabe que existe , porém se sente incapaz de fazer algo. Nestes casos nossa moral de compaixão serve apenas para nos lembrar que há um abismo intransponível, entre aquilo que somos e aquilo que achamos que somos. Para o garoto favelado o trafico é uma guerra capaz de educar , de se ter liberdade. O que é a liberdade para o favelado? É sobretudo ter desprezo pela coisa humana. O Genocídio moral, nas 'comunidades' carioca, serve apenas para nos alertar que a nossa moral só serve para diagnosticar nossa própria incapacidade para viver em sociedade.