quarta-feira, 30 de julho de 2008

GUERRILHA DO ARAGUAIA-Parte II

Não há a rigor nenhuma obra, digna de ser considerada clássica, quando o assunto é Guerrilha do Araguaia.Posso portanto aconselhar apenas duas fontes: o jornalista Elio Gaspari colunista dos principais jornais do país, e autor de livros sobre a ditadura ,a sua coluna semanal é imperdivel.A segunda fonte, é a obra de autoria de 2 jornalista de Brasilia o Eumano Silva e a Tais Morais, autores de "Operação Araguaia - Os Arquivos Secretos da Guerrilha", lançado pela Geração Editorial. É esta a obra que usarei como gancho para um outro assunto sobre o mesmo tema. O livro em si é relevante no sentido que foi pautado sobre uma enorme pesquisa, e que só por isto já merece ser lido. A de ressaltar um detalhe nesta publicação e de outras que tem o Araguaia como tema. O assunto G.A, é algo emblemático e todo cuidado é pouco, para não se cair na tentação de se tornar preconceituosa, porque há um tipo de preconceito primitivo ,raivoso, paranoico quando o assunto é a G.A.E é este tipo de preconceito que estraga a obra, ela é tão presente no livro que chega a irritar. Obviamente esta irritação só se percebe se o leitor ver a guerrilha do ponto de vista, que no meu entender é o certo,a de que a Guerrilha do Araguaia foi deflagrada em nome de um ideal, da luta por um país, justo, igualitário, talvez utópico, não importa se esta luta foi válida ou não, ninquem pode ser contra um ideal nobre, mesmo que este ideal tenha fracassado, mesmo que este ideal não seja o nosso ideal. A Guerrilha tem que ser lembrada pelo lado humano, de cada guerrilheiro, pelo lado sonhador, pelo lado de que todos eles lutaram no seu entender por um país livre de ditadura, em defesa de um regime mais justo, que para eles seria o mais apropriado naquele momento, não importa, a meu ver a importância de se citar este equivoco se sequer isto mesmo foi um equivoco, importa sim a luta obstinada desta gente por um país justo.O livro de Tais Morais e Eumano Silva, não interpreta não olha por este lado, o lado humano, talvez pela própria formação dos jornalista, não sei. Eles realçam o preconceito quando afirmam por exemplo frases como esta: "OS COMUNISTAS, MAIS UMA VEZ, OMITIRAM A PARTICIPAÇÃO DO PCdoB NA ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ARMADO". Este tipo de expressão é usada várias vezes para descriminar a origem e a orientação politica dos guerrilheiros. A impressão que se tem é que a verdade o fato deles serem pertencente um partido comunista iria mudar alguma coisa deles naquela região, se isto é hipocrita hoje, naquela época não seria diferente. A impressão que se tem é que a obra foi escrita nos anos 50, 70 80, em que comunismo era sinônimo de tudo de ruim que um norte-americano pudesse falar e PCdoB era uma sigla proibida para menores, tamanha era a sua discriminação. Ao contrário que muitos pensam isto não é um fato isolado, é na verdade , por incrivel que pareça, a regra. Ou seja o lado paranoico estar presente em todas as esferas do poder, e talvez somente isto explica tamanha indiferença de nossa classe politica para a G.A., o silencio que se impoem. A hipocrisia esta presente no exercito, por achar, por serem "comunistas", os guerrilheiros não são digno de que se revelem a verdade, a hipocrisia estar presente no meio politico porque para eles estes "comunistas", não são digno de seu empenho para pressionar o governo. Isto afeta até mesmo os sobreviventes,pois muitos sobre o pretexto de trauma, se escondem, atrás do silencio por acharem que por terem sido do partido, não são digno de se expressarem, de falarem de sua própria verdade. Não cabe aqui defender o socialismo, a ditadura ou a democracia e sim de criticar a hipocrisia existente no que diz respeito a isto.